Devaneios

Resultado de imagem para ebanoLembro de ter sido uma poeira... a cor - nem lembrar!

Erguia braços com mãos soltas tentando prender-me no ar

Tudo tão volátil.

Transparência nuas,

Vagas andanças no que julgava ser paraíso.

Invejava o ébano e suas raízes despojadas

Na cultura da seiva perdia-me num soluço do tempo!

Regulando...

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A geometria não me atrai, mas as formas sim.

O redondo no quadrado
é uma alegria que desaponta o pensamento retangular.

O triângulo é de quem mais gosto porque é movimento calculado. Não se perde
na medida.

Mas, confesso, de todos os modelos que nos é apresentado, o cubo é o mistério que me sonda...

Tempo, tempo

O tempo em nossas vidas não se mede.

Barulhento em muitos momentos, noutras sem alardes vai nos consumindo.

Nem desacelera para saber se gostamos... se queremos.

É uma imposição sem precedentes.

E a gente vive reclamando falta dele.

Às amigas

Hoje quero falar sobre as amigas que enriquecem e enriqueceram os meus dias. Muitas estão no arquivo da memória. Chego a sentir saudades da presença física, dos papos olho no olho; das mãos que tanto socorreram e das quais perdi contato.

Confesso que já experimentei um misto de despeito e de mágoa pela falta de notícias e da exclusão de reuniões.

Certa feita, sobressaltava-me o receio de perdê-las. No entanto, com o vigor que mantenho o otimismo, carrego as forças para mantê-las vivas. Não se apaga o passado que nos aquece as lembranças.

A vivência não se resume a isso. São tijolos da construção do que eu me torno. Portanto, na minha vida não existe a figura da ex-amiga. Existe aquela grande construtora de momentos edificadores. Sinto-me feliz pelos infindáveis momentos que experimentei.

Acredito que as pessoas se ajustam a nós e acompanham o crescimento. A amizade é um grande celeiro que acolhe a semente da crença, rega a esperança, fortalece a raiz do amor e frutifica a essência da vida. Nesse sentido serei uma porta aberta acompanhada de muita gratidão.


Viuvez



Resultado de imagem para janela escuroFicou ali quedada a observar o quarto vazio. 

Nunca um lugar foi tão preenchido de saudade. Achava esquisito não ouvir a resposta da conversa contínua que tinham. 

O sorriso na foto que não será renovado e as mãos quentes que aliviavam o frio nos pés. A solidão chegou sem convites e não se obriga a retirada. A morte tem esse poder de trancar a vida.

A tranca



Resultado de imagem para ferrolhoTanto tempo sem ter o que fazer olhando a porta que desejou ser uma coisa: o ferrolho. Mesmo preso se contentaria em ser o que tranca e o que abre. Porque também não seria solitário. A fechadura lhe faria companhia, já que reclama tanto a ausência da chave, por sua vez tão perdida. Ferrolho de cor escura de tão massageado por mãos.

Conto com menos de 300 caracteres



Ela queria encontrar uma forma de manifestar o seu desejo de brilhar. Vestiu dourado dos pés a cabeça. Chamou atenção até de quem não queria e uma crítica fatal “amiga você está tão démodé”. Com os olhos fuzilou a interlocutora, que lhe devolveu olhar brilhante. Mude de roupa. Você já brilha com o que tem, sugeriu. Despiu-se e resignada confiou.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...