A pena


Ao observar uma pena, que se entregou ao vento, sigo com o olhar e tento esvaziar a mente. 

E se eu fosse a pena, flutuaria no espaço sem a nada me agarrar. 

Solta! 

Dançaria sem música, apenas no movimento da leveza. 

Sem medo de cair, caso o vento parasse de soprar. 

Não teria sentidos... 

Apenas flutuaria sem a existência pesarosa. 

Seria linda, branca sem matizes, 

sem arrepios... 

Valeria à pena, se eu fosse uma pena?

O crescimento não é silencioso



A água que salva, também afoga. 

Esse pensamento me ocorreu enquanto molhava o chão do jardim em benefício das plantas que amo. 

Em alguns lugares desse mundo verde, o solo está tão encharcado devido à insistência do líquido perene, que a plantinha não cresce. 

E cá comigo pensei algo em busca da liberdade. 

Cismo porque a insistente sombra afeta o meu pensar. 

Por que não consigo me libertar e fluir alcançando o progresso silencioso da Natureza, que nos permite ser/ter algo tão belo quanto um jardim? 


Sabendo do poder que tem a mente, por que não utilizá-lo para simplesmente me encher de um solo fértil com alimento suficiente para continuar crescendo?

Fugaz

 Nesta vida, que muitas vezes é um assombro, flagrei-me inquieta. 

A inquietude é tão ampla que invade a consciência de quem sou. 

Sim! E quem sou, de fato? 

Se for apelar para a lógica, me perco. 

Acho que sempre gostei de fugas. 

Ser fugaz não faz bem a escolha de ser... 

No entanto, é assim que lido com os milagres da vida, que são permanentes.

Nunca fui guerreira




Nunca me senti confortável quando alguém dizia que sou uma guerreira. 

Por que tenho que chamar de armas as ferramentas que uso para sobreviver? 

Os desafios são trincheiras?  Contra quem estou guerreando? 

Ah, tá, há muita encrenca para o lado do nosso gênero e os "inimigos" ainda nos matam. Mas, o que estou falando aqui e agora é sobre outro tipo de definição que a mídia alimenta: o combate ao tempo no corpo.

Todos os momentos da vida lido com esta palavra e o possível terror de envelhecer. 

Ainda bem que não tenho. Sendo assim, chega de me convidar para usar cremes para combater rugas, flacidez.... 

É claro que me exercito. Os músculos precisam ser fortalecidos. Mas, o que quero mesmo é dizer que com o tal peso da idade, a vaidade de ser uma mulher atleta, gostosa, foi substituída por ter mais tempo para cuidar de mim. Afinal, agachar sem gemer é o meu maior desejo. 

Meninas, a combatente aqui quer paz! Eu não estou pedindo licença para mostrar os braços flácidos.


Danço, danço....

Quando danço não sigo coreografia. 

Não respeito os passos atuais. 

Os movimentos são livres, nem penso quando me jogo! 

Aliás, é um dos raros momentos em que a mente se desocupa.

Só o cansaço me doma e aí eu paro, mas o sorriso, os olhos, o juízo todos ainda no ritmo. 

Já experimentou dançar como se estivesse sozinha? Fosse a única na pista? 

Eu faço assim. 

E olha que eu nem planejo(hehehe) Só danço e danço. 


À amiga próxima pergunto: exagerei? E ela responde que sim. Só um pouquinho.

Sede


Beber na fonte é uma expressão que vem bem neste momento. 

Ando sentindo muita sede nas últimas horas. E não é de água! Eu tenho sede é de interior. 

Sempre quando tento mergulhar nas entranhas do meu ser, encontro barreiras do tempo, da falta de tempo, do tempo perdido. 

Pensava ser desculpas para esse recuo inexplicável, quando me dei conta de que tenho medo de me encontrar na totalidade.

Afinal, faz tanto tempo que convivo com o meu desconhecido, que passei a gostar da persona atual. 

O que me resta a fazer se não ficar adiando esse compromisso sef, isso, porque terei sempre o que fazer. 

Morando no (in)certo

Acho engraçado quando vejo a curiosidade de jovens a respeito da passagem do tempo na pessoa. Cada pergunta que me tira um pouco do siso exigente de questionamentos mais, vamos dizer, ricos. 

A pergunta que me insultou a escrever neste espaço - que deixo de molho vez em quando - é "como você fez para ficar velha desse jeito, tão linda!" A indagação não me foi dirigida, mas era como se fosse.

Então, estou aqui a responder: trabalhei feito uma doida, dei plantões exorbitantes diante de uma máquina de escrever e diante de uma mesa cheia de docinhos para enrolar; fui invadida no íntimo inúmeras vezes; desrespeitada, molestada e assediada. 

Além disso, passei fome. Fome de alimentos, de atenção, de gentilezas, compreensão.

Chorei muito, tive insônias infindas, ralei... 

Amei pacas! tive amantes fantásticos e também aqueles que a gente conhece para depois esquecer.

Pari filhos maravilhosos e acompanho o crescimento dos netos.

Se continuo bela é porque sempre me curti. Até quando achava que me odiava. Portanto, a minha resposta não vale pra ninguém. Essa experiência é minha. Nem queira experimentar. Quem me acompanhou e acompanha nos momentos de descanso verbal, sabe. 

No mais, vamos às pitangas!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...