Permissão


Por muito tempo e, acredito que até hoje, por mais estúpido que seja, nós mulheres precisávamos pedir licença para existir. 

A existência da individualidade nos foi negada. 

Só a respiração, pelo seu processo natural, nos era permitida sem a devida permissão dos "donos". 

Não, não éramos e nunca fomos coniventes com situações assim. 

Éramos constrangidas a "aceitar" para continuarmos sobrevivendo.

Agora, cismo o pensar: a quem devemos pedir licença? 

E quem nos deve permitir tal feito?

Vendo-me por dentro, percebo, sempre que posso, que a permissão para continuar nunca foi invertida. 

Ou seja, não me dava conta de que precisava solicitar a mim mesma, licença, alvará, seja lá que nome receba, para continuar em busca do que mais preciso. 

Será que o meu pedido de licença expirará um dia, antes mesmo, que seja concedido? 

3 comentários:

Anônimo disse...

"A existência da individualidade nos foi negada."
Compreender que a beleza e a razão das coisas estão na singularidade, na individualidade, no ser como uno, é entender o espaço de cada um. Talvez um dia havemos de ver a prevalência da individualidade feminina sem ter de pedir passagem a ninguém.

Fátima Abreu disse...

Obrigada pela participação. Que comentário mais altruísta. Abraços, Robério Lessa.

Fátima Vilanova disse...

Excelente reflexão, Fátima! A resposta está dentro de você, de nós, de todas as mulheres. O céu livre nos convida a voar. Voemos...Abraço

Tira o S

Em momentos de quebra fui cola Quando rasgou, costurei Usei acessório para a fissura não ser percebida Quando trincou, evitei atritos para a...