Qual foi o crime da Eva?


O "crime" de Eva não prescreveu ainda? Esta pergunta, é no mínimo, exorbitante. Sim, porque exorbita qualquer tipo de manifestação contra os gêneros que somos. As manifestações são punidas, contudo, o que cabe aqui é o sentir. Mesmo que calemos a voz, o sentimento contrafeito existe, vai continuar existindo.


As reprimendas civis coibem a manifestação, mas a gente aprende quando? A figura Eva, que personifica a mulher no mundo, é usada, convencionalmente, contra o jeito feminino de ser. Não me surpreendi com as declarações do juiz Edílson Rumbelsperger Rodrigues , também não vou aqui ser pretensiosa a ponto de julgá-lo. O que pertine, como já disse, é o sentimento nosso, conosco, convosco.


Sou o que alimento na alma, insisto na mente. Sei que por muitas vezes, o super-ego cochila e despacho sem preocupação o meu sentir, o pensar. Por esta razão, sempre desperto o querer da mudança, do fortalecer na fé de que tudo passa. E nós, passageiros dessa nave, pegando atalhos para alongar o caminho.

Arco-íris


Eu cresci ouvindo que consciência negra é ter pensamentos maus. Era o resquício de uma cultura alimentada, infelizmente, no meu País. Tudo que não era recomendável era escuro, numa alusão às sombras que nos persegue, da ignorância da essência real da vida.


Pois bem, a luz, que é o discernimento, espanta a negritude do pensar. E hoje consciência negra é reconhecer que podemos ter todas as cores; que podemos ter todos os idiomas; todas as vozes e todos os direitos.


Neste mundo multicolorido, penso conservar o arco-íris que Deus nos concede e alimentar o pote de ouro para enriquecer o sobreviver num Planeta que nos experimenta, todos os dias, neste caminhar, nem sempre vivenciado como deve.


O amor reúne todas as cores.

No seio da família


Sem desmerecer o homem, a sua função na família, a mulher-mãe conta muitos pontos. Apesar das adversidades e da dor, parir, criar, educar e manter a união na casa, verdadeiras provas de fogo no quesito sentimento.
Sempre vi na mulher a condição doméstica de atuar sempre, sem direito a férias e murmúrios, a mãe é a escola da família, é aluna eterna da vida.


Estou assim ligada ao ventre depois de ter tido a felicidade de participar do aniversário da mãe da minha amiga Sílvia Goes. Zoraida é o nome da figura que não se impõe, mas que se fez líder de uma comunidade, espalhando bondade, aprendendo e ensinando a amar e como conseqüência, vive reunida à sua prole carinhosa.


Penso no que seria a sociedade - com certeza receberia outro nome - se figuras assim não sobrevivessem na Terra. Entre pratos saborosos feitos com a avidez de agradar, circulei entre aquelas pessoas que via pela primeira vez, mas com intimidade, penetrando no seio do lar, imitando um labirinto com tantos quartos, num objetivo de abrigar almas atentas ao conforto do reduto.


A felicidade terrena é assim: um punhado de gente, que ri, chora, e faz tudo junto, por acreditar na amizade, a maior demonstração de amor que sentimos por aqui. E já espaçosa como costumo ser, plantei a minha sementinha no solo de Tejuçuoca, querendo retornar, abraçar e trocar energias com os personagens vivos, quentes de amor, fazendo-me pinçar o quadro poético a que sempre recorro, quando o prazer é infinito.

Médicos nunca cruzam os braços


Estava lendo sobre a greve dos médicos do IJF, o maior hospital do Estado. Superlotado como sempre, os profissionais de saúde são forçados a trabalhar duro num lugar que promete, mas que não consegue atender à demanda. Há um desencontro de informações e de buscas. O hospital é para atender traumas, mas qualquer corte no pé ou na perna é levado para lá. E tudo é um grande sufoco.

Quando o meu filho foi atropelado aos sete anos de idade, o hospital estava em reforma era bem menor do que hoje e o sofrimento já era muito grande, mesmo assim, o atendimento pelo lado humano foi muito bom, apesar das dificuldades com a falta de material cirúrgico. Lembro que até escrevi um artigo pedindo ao prefeito da época, Juraci Magalhães, que olhasse com mais atenção para aquele lugar de dor.

As nossas dificuldades no Planeta Terra não são pequenas, por isso defendo e cultuo o amor, a dedicação aos serviços prestados, muitas vezes limitados por questões materiais. Vejo o médico, a enfermeira, o atendente das portarias de unidades hospitalares como heróis da resistência. Pessoas que lidam com a dor o tempo todo, que sequer, têm tempo para suas dores.

A questão não é apenas ter o direito de fazer greve, não é apenas a legalização ou não do ato paredista, mas um apelo inflamado pela melhoria, pela qualidade de vida!

Correnteza


Dinheiro é moeda corrente. Este é o meu pensamento e este o tratamento que dou ao salário que recebo mensalmente. Porque também sei que por mais que insistiam em dizer, não tenho preço, assim como qualquer pessoa. Não acredito em oportunismo - vendaval, do tipo é agora ou nunca. Estou sempre reticente com relação ao advir.

Por isso estou sempre com o pé atrás quando o assunto é notoriedade. Os cargos, as funções passam e eu sei que vou continuar. Fico espantada com o enorme sucesso das pessoas envolvidas em escândalos e como o motivo passa a ter leitura diferente, mas igualando todo mundo. Falo do sucesso da jornalista, colega de profissão, Mônica Veloso. Vivia no anonimato até vir ao conhecimento público o seu caso com o senador Renan Calheiros.

A partir daí, não mais se pertenceu. Tira a roupa, enche a bolsa de dinheiro, e agora faz piada no Zorra Total. E por que não? Tudo virou uma zorra mesmo. No íntimo, o meu lado mãe reclama maior atenção ao lar doméstico. Não quero ser pretenciosa, a ilustre moça continua sendo uma desconhecida para mim. O diabo é a mídia que não larga dela e ela parece-me ir na onda, sem muita preocupação.

Está dado o recado da vez: mulher para ser notória, tira a roupa, incita os desejos mais íntimos - não tão íntimos; se não é bonita, se faz, aposta tudo e que se dane o mundo!

Ispaiando brasa


Nunca gostei de carnaval. Claro, já bati as pernas em salões, escorreguei por conta do assoalho espelhado e do salto alto. Sim, porque não costumo sair do salto e não largo o batom. Mas, agora volto ao passado com a nota sobre o Spaia Brasa, que me chamava atenção por conta do sugestivo nome.




Quando menina, saía segura pela mão da minha tia Almerinda, para o corso. Aquela multidão mascarada, bebâdos vestidos de mulher, frevos descadenciados, e muita goma no rosto, substituída hoje por fécula de milho. Não entendia como até hoje, o desperdício do alimento.




Em cima do muro literalmente, ficava ali sob a proteção de árvores que protegiam os transeuntes da Avenida Duque de Caxias. Aquele barulho cadenciado, corridas de pessoas com tubos de latas contendo algo que a polícia proíbia, chamavam-me atenção. Tia, o que está havendo? é gente que não tem o que fazer e dá trabalho à polícia, respondia a minha carinhosa tia.




Não podia sair às ruas, ficar na janela observando o movimento das ruas porque tinha sempre alguém que ameaçava a minha segurança. Dias ruins aqueles, por isso amava as quartas-feiras de cinzas.

Você tem sede de que?




Quando trabalhamos com a comunicação, nada é mais estimulante do que o feed-back, aquele retorno dos que nos ouvem, nos assistem, nos dão audiência. Desta vez batemos o recorde com a participação de 19 pensadores respondendo à enquete que dá título a este post. Valeu turma!




Desse total, três responderam que tem sede de água; dois de leite saudável; três, de dinheiro; três de fama; 12 têm sede de conhecimentos e o mesmo número, de novas oportunidades. A enquete em questão permitiu que o participante pudesse optar por mais de uma resposta.



Depois desse estímulo, me resta temperar mais ainda o blog, mexendo com o pensador leitor. Afinal, comunicação é uma necessidade vital. Agradeço a participação de todos os 19, que se prestaram a responder.



Para aumentar a interação, estou aceitando sugestões para novas enquetes. Acho que já deu para perceber qual é a minha sede de vida. O que mais me consome, que me deixa louca de sede é a vontade de criar, ou melhor, procriar letras, fazer com que o outro, em busca também de um discurso próprio, se sinta estimulado a fazer o mesmo.



As letras são o nosso material de consumo. A inspiração é a o empurrão que recebemos e a reunião das palavras dão sentido ao recado, que só ganha vida quando olhos ávidos debruçam-se e abrem a janela, deixando entrar na nossa casa, em alguns momentos intacta pela ignorância, a luz do conhecer, do saber do outro.
A imagem das flores veio de uma pessoa que aprendeu a gostar de mim e distribuo com você porque só gosto de passar adiante o que me deixa feliz.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...