Invenção

Estava cismando o pensar sobre criação e invenção. Ou seria invencionice? Criação vem sempre  lá de cima, o importante aqui é saber de que lado estou.

 Invenção sou eu criando necessidades outras das quais nem preciso. E por que invento?
 Ora, é a mente prolixa ao invés de profícua... Só sei que quando as invenciones me ocupam, mato a criatura.

Chuva na capital

A chuva no asfalto chora em busca de compreensão. Encontra solidez e se esparrama num pranto sem fim até que o calor do sol absorva-a e a transporte de volta para o volume branco, que os olhos espremidos criam imagens.

O mal agradecido asfalto mesmo brilhando pela água pura do ceu sofre a pressão dos freios numa quimica barulhenta, que fere. Nem sequer encara o ceu que, sem arrogância continua na missão de mostrar a vida sem limites.

DNA

Acabei de ver e ouvir o pronunciamento da deputada Cidinha Campos. A impressão é que ela estava sozinha no momento da sua indignação confessa. O texto sem reparos e muito menos edições, foi feito e dirigido pela revolta com sensatez. Isso é possível. A frase que pulsou na mente "A corrupção está no DNA" dita por ela, me levou a caminhos bem mais circunspectos, que transcendem - veja só - muito mais do que o homem na Terra pode ver.

Quando pequenos somos estimulados pelos pais de bom senso mantermos distância de lugares e pessoas que possam nos incentivar a andar por caminhos sem volta.  É dificil educar gente. É preciso levar em conta que o ser que está bem ali na nossa frente pode ser apenas carne da nossa carne, se é que assim procede e determina a Natureza de Deus.

As rosas não falam?

Não sei porquê, mas hoje pela manhã, enquanto fazia o café, pensei em rosas. Veio a imagem da roseira do quintal, com seus galhos espalhados e de flor solitária. As roseiras são assim. Não florescem muito. Diferente daquelas flores que nascem nas ruas do meu bairro, sem o menor trato. Elas se espalham e o amarelo enfeita o asfalto.

A roseira precisa de atenção: ser regada diariamente, arrancadas as folhas secas, e ainda cutucam a pele com os seus espinhos, mas a flor é de uma beleza incrível.

Enquanto isso, na calçada, as esquecidas amarelam o homem indiferente que as arrancam sem o menor pudor e continuam otimistas quando deitadas ao lixo. A rosa vermelha depois do olhar e expressões de contentamento, são guardadas em vasos cristalinos e ganham lugar de destaque na casa.

Na flora do mundo não sei o tipo de flor que expresso. Sei que tenho espinhos, resistência à indiferença e, teimosa como o mato, a erva daninha, que basta a luz do sol e, de vez em quando, algumas gotas de água da chuva, para manter-me viva.

Alarde

A mídia é sempre procurada para divulgar ações de combate a isso e aquilo e outros... Cismo o pensar no que ocorre dentro das casas habitadas por crianças. Chamar atenção pode até dizer que alguém está fazendo algo, mas... (lá vem a tal interpelação)

Antes de irem para as ruas perderem-se no anonimato, no aglomerado de tentações e riscos, as crianças sairam de algum reduto que antes as abrigavam. Se nesses "ninhos" mal saidos dos óvulos são expulsos da comunidade familiar, para onde levá-las?

Eu tenho passado por tantas crianças sujinhas, esmolando, sugerindo atenção, que nem sei Deus quanto tempo isso vai durar: a miséria que as persegue e a minha quase incapacidade em ajudá-las.

A propósito...

A gente desiste das pessoas ou dos propósitos e por qual propósito? Propositalmente, tem pessoas que de tudo fazem para nos fazer ver o que só elas veem. E só de propósito fazemos o mesmo.

A vida nos oferece tantas propostas que nem sempre dá para aprovar de imediato. É claro, que nem sempre é proposital.

A propósito, estava cismando o pensar mais uma vez sobre o que sonhamos e o que de fato queremos. Sabe, é como aquela vontade de comer quando o corpo não necessita de alimentos?

Por isso, proponho a mim mesma, respirar fundo pensando no estreitíssimo caminho das veias, só para escapar da tal porta larga.

Natureza


Natureza Humana desperta o pensar para olhar o cachorrinho que balança o rabo agitado. Num pula-pula chama atenção respondendo às indagações. Sai daqui cachorro fedorento, cabisbaixo vai para debaixo da poltrona. Num estalar de dedo, volta latindo feliz.

Reconhece o secador de cabelo usado no banho. Fugídio vence os degraus da escada e some na cor da parede branca que estanca o elevado. Campainha tocando, latido como resposta. Insistente retorna e espanta a visita. Basta um carinho na nuca e já se joga no chão fazendo graça.

Porta fechada, um último olhar para trás. Lá está ele, sentado sobre as patas traseiras, língua moleque e olhar atento, mas o silêncio é marca da despedida. Natureza de cão.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...