Sinais

Com o tempo que não para de passar, descobri que as cicatrizes nem sempre retratam a marca da ferida. Porque são externas.


Que a marca não explica a dor sentida.


O tempo ensina que sentir nem sempre é medir a distância.

E que caminhar ao esmo significa ter certeza de que onde chegar é o destino.

Sinais

Os sinais do tempo na face são os que mais se quer notar. No entanto, muitos outros se perdem, códigos nem sempre decifrados por conta da convivência com ações outras. No relacionamento homem e mulher por exemplo, nem sempre vem a luz o que está claro.

Não é o tempo que se deixa passar juntos, mas o que se aprende com isso é que realmente importa. As relações se desgastam quando deixamos de nos perceber. São esses sinais, pequenos indícios que se somam e iguais ao fundo de um filtro, diminuem o curso da água.

Quando digo que cansei, na realidade quero dizer que não estou mais querendo continuar, pelo menos do jeito que está. E nem adianta cortar o cabelo, mudar o perfume, porque a cor, o cheiro, o tom e a qualidade da essência se perdem no ar.

Para amar - pelo menos esse tiquinho que a gente se permite perceber - é preciso ser leal, sobretudo, consigo mesmo.

Vitrine

As vitrines são belas, convidativas e indispensáveis. Espelhos do desejo de quem olha e não pensa que são cartões de visitas das oficinas que operam sem parar, com muita imaginação e muito suor.

As vitrines são transparentes mas, reduzidas com relação ao tamanho do imaginário dos oficineiros.

Portanto, antes de se encantar com o seu colorido, tente identificar o obreiro porque a obra nem sempre retrata o artista na essência.

Sem oficina, sem vitrines.

Copa e eleição


As indicações dos nomes para sucessão do Governo disputam a importância com os jogos da Copa. Há comparações com relação ao tempo, justo que as eleições para a escolha dos mandatários da União e das unidades federativas, além dos representantes estaduais e a Copa do Mundo ocorrem a cada quatro anos, mas o impacto leva mais tempo.

Depois das comemorações dos gols, com o hexa conquistado, um outro grande desafio aguarda os postulantes aos cargos e os eleitores. As torcidas mudam de acordo com as conveniências e necessidades. Estar atento é preciso porque ser verde e amarelo nem sempre corresponde às cores das prioridades.

Contando

Recebi da minha amiga, Fátima Villanova, um e-mail tão gostoso! Apresenta as relíquias de ensino deste País. Gente, a taboada tem tudo a ver!

Foi nesse pequeno livrinho que aprendi as quatro operações. Por isso hoje não tenho dificuldade para trabalhar números. Lamento que muitos garotos e garotas estejam usando máquinas para calcular, esquecendo que o cérebro necessita trabalhar e que é muito mais merecedor de crédito.

Festas juninas

A poesia é infantil. Não podemos matar o tempo, correr para alcançar a idade madura porque até o sabor na língua muda. A canjica da minha infância era muito mais gostosa. Queimava a boca mesmo assim continuava sorvendo aquela maravilha, que minha mãe levava horas preparando.

Acompanhava aquela aventura culinária num afã que até hoje não entendi.Começava na feira perto lá de casa, na escolha do melhor milho que me era mostrado, lembrando a importância dos bons grãos e os mais verdinhos. Anos depois, minha filha Érica, costumava me corrigir: Não é verde mamãe, é amarelinho.

Depois em casa, vinha o debulhe. Era uma mão de obra sem tamanho ter que catar os cabelinhos da espiga. Mas a aposta maior era correr atrás da bonequinha de milho - a espiga ainda em formação com muitos fios que virava brinquedo depois.

Depois de retiradas as cascas da espiga, lavar bem para receber a receita da pamonha, a parte mais grossa do preparo. Ralar o milho era muito dificil e perigoso por isso cabia a minha mãe fazer com ajuda da minha tia Almerinda. Em seguida, retirar a casca do milho coando em um pano, misturar manteiga, leite de coco, coco e açúcar.

Tudo na panela e aí vem a etapa que eu me metia a ajudar que era mexer tudo, naquele panelão - sim porque depois de tanto trabalho tem que fazer muito para render até o dia seguinte. E haja tempo para ferver, para pegar o ponto.

A pamonha não precisava mexer, mas tinha que ajudar na hora de amarrar os pacotinhos feitos com a casca da espiga.

Hoje, a canjica do supermercado passa ao largo no sabor, no cheiro, na cor, no fazer, reforçando a necessidade de vivenciar todos os dias nossos.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...