Nesta necessidade minha de escrever diariamente ou todo o tempo da minha vida, andei vasculhando sobre essa necessidade vital de outros escritores. Vi neles suas finalidades e pretensamente quis igualar-me. Sim, é necessário portar e postar letras unidas em palavras para parafrasear e contar sobre os acontecimentos diários. Nisso eu me sustento literalmente. O jornalismo me força a isso.
Nas letras eu me perco ou me encontro. Nessa estrada nem sempre asfaltada pela razão, vou pulando os obstáculos e surpreendendo-me na proeza de vencê-los. É prazeroso. Aí já não escrevo para pagar as contas somente,
mas para manter a mente desocupada. Sim, porque é de uma leveza esse trabalho que dispenso o cansaço físico.
Não estou aqui para ser entendida, mas quero ser lida. É uma vontade enorme de lançar ao mundo palavras que chegam e que vão tão rápido, o que me obriga, muitas vezes a ter sempre um caderninho de anotações e uma caneta que não falha. E quando isso ocorre lá se foi a inspiração.
Nesse diário íntimo, que não tem nada de obscuro e que pode ser lido por qualquer um que se habilite, vou me expondo sem medo, sem sequer pensar, que posso um dia ser admirada. É o exercício meu diário, de deleitar-me no teclado, meu berço de estimação.
Ser madura
Amadurecer, ah que pausa boa nas perspectivas conflitantes da vida.Como é bom flagrar em si o afrouxamento das rédeas das situações que nos circundam, das quais ainda agentes ativos , mas sem querer ser a única mão que aperta o laço.
Que ter sempre razão é cansativo, que ser feliz
é a meta sob quaisquer circunstâncias, sem negligenciar com o dever que abraça.
Que a frase “deixa pra lá” é mais bem vinda do
que “deixa que vou resolver isso”.
Que deitar na rede a noite depois de um dia longo
de trabalho é traduzido como um dos maiores prazeres.
É mostrar os braços sem tentar explicar a pele
que se distende.
É reunir amigos para um longo bate papo e dar
altas risadas sem preocupar em demonstrar isso.
É banir o juiz que julga, julga, julga...
Amadurecer não é o entardecer da existência. É,
na verdade a contemplação do que pode ser.
Negros cabelos
Quando os meus cabelos eram negros - na maior parte porque aí já contavam alguns fios brancos que surgiram aos 14 anos - claras eram a esperança, a vontade de crescer, o ritmo frenético das novidades que apareciam na redação da rádio O Povo.
Eram claras as minhas intenções no trabalho, como mãe e como mulher em busca de um grande amor.
Eram altos os degraus dos sonhos meus acalantados por noites adormecidas e sacudidas pela voz do filho mais novo pedindo colo.
Eram fartos os cabelos que cobriam o cérebro com ideias que pululavam o dia inteiro.
Eram fortes - assim como ainda hoje são - o temperamento e a firmeza nas decisões.
Hoje, os fios multicoloridos - porque depende da vontade e da química - mantenho firme a vontade de continuar crescendo.
Eram claras as minhas intenções no trabalho, como mãe e como mulher em busca de um grande amor.
Eram altos os degraus dos sonhos meus acalantados por noites adormecidas e sacudidas pela voz do filho mais novo pedindo colo.
Eram fartos os cabelos que cobriam o cérebro com ideias que pululavam o dia inteiro.
Eram fortes - assim como ainda hoje são - o temperamento e a firmeza nas decisões.
Hoje, os fios multicoloridos - porque depende da vontade e da química - mantenho firme a vontade de continuar crescendo.
Sigo aprendendo
Há situações na minha vida que se repetem, sem cessar, e eu não caio em mim para descobrir as razões. Na superfície do pensamento não faço a menor ideia. Fico deixando-me levar, como se boiasse nas águas buliçosas da vida. E nessa maré vou ao encontro de rochas - chega a doer em muitos momentos - e noutras estaciono esquecida em alguma praia deserta.
Noutros momentos, eu faço do cabresto o meu guia, a vara cega da vista turva dos meus pesadelos. Curto, sim, eu curto! a solidão de momentos, reúno as mil faces contidas no ego, que ressurgem com muito barulho. Ouça-as sem interromper. É neste momento, que se revelam ou eu me revelo, não sei. Mais uma vez, cansada de tanto diálogos infindos, ofereço o rosto ao sol, os cabelos ao vento e, numa tentativa sem muito esforço, volto à realidade personalizada, da qual nem sei se controlo.
Nas divagações sempre deixo mais interrogações do que respostas. Talvez sejam os questionamentos que me mantém sóbria, lúcida.
Eu não sei qual paraíso ou inferno que te abriga.
Desbotar-se
Paredes não são apenas paredes, são asilos, onde furtivamente expressamos o nosso desejo de evitar contatos, de se expor.A tinta é o véu mais opaco que serve como proteção. Assim, fugir do olhar é o desleixo do fluido colorido.
No meu desbotar adquiro novas cores, sem pinceis, sem trinchas...
Feliz sem saber?
Um dia desses fui surpreendida com o convite de falar sobre a felicidade para pessoas que não tinha convivência, mas que iriam me dar ouvidos mesmo assim, na busca - talvez - de entender sobre os seus momentos aflitivos e/ou suaves. Fiquei impactada. Isso, porque à época com o auxílio do Evangelho, divagava sobre a orientação de que "felicidade não é coisa deste mundo". E eu estou neste mundo de meu Deus até quando o ser superior determinar.Pra complicar a minha falta de noção sobre o tema, fatos domésticos torturaram-me exatos nesse dia. Situação pra lá de vexatória, que me colocaram, como mãe na defesa da cria. À proporção que o dia passava, às voltas com a literatura de auxílio, a felicidade que sentia estava limitada. Finalmente, chegou a hora e fui!
Diante de um salão lotado - e com certeza não estavam lá por mim - esforcei-me para ser leal à plateia. Falar para quem não conheço tem sido uma das minhas principais funções, já que faço rádio. Com um sorriso acolhedor, mirei os presentes ao mesmo tempo em que rogava por auxílio. Senhor ajuda-me a ser útil. Cruzei com os olhos o espaço fazendo Z e X para os rostos atentos e- que beleza - receptivos!
Saí-me com uma desculpa salvadora: Estou aqui porque me pediram para falar sobre felicidade. Felicidade... o que eu sei desse sentimento? Dessa sensação? Seria a pessoa certa para tratar desse tema? Pronto! a partir daí, fui tão sincera que os 50 minutos da "palestra" voaram.
Mereci os aplausos finais? Não sei, talvez pela minha coragem de não ter desistido mesmo com o sentimento de que ali não deveria ter ido. O que importa agora que fico feliz por ter tido esse contato, que se repetiram em outras vezes, falando não como uma palestrante sábia, mas como uma pessoa simples, em busca também de respostas para tantas perguntas que não me deixam ouvir as respostas. Por isso, o silêncio em si se faz tão necessário.
Para os que me olham
Para os que me olham e me veem com surpresa, a resposta: Sim! Estou apaixonada e não é pouco porque sou assim vou com tudo. E antes que a segunda questão aponte, sou correspondida! Quem é este ser que me eleva, me alça nos devaneios dos sonhos de olhos abertos?
Quem me conhece tanto assim, que se cala quando a minha mente barulhenta pede silêncio, a mão se aquieta e deixa apenas o olhar me tocar?
Quem está tão perto o tempo todo e não cansa, que não se ausenta, que ri e chora comigo sem perder a individualidade, sem deixar aviltar-se?
Quem dorme comigo sempre na cama que eu faço, que faz companhia na insônia e silencia diante da dormência?
Eu!
Estou assim cada vez mais apaixonada por mim. É um amor self, de fato, construido em longas décadas, longos caminhos, longas temporadas de aflição e de contínuas esperanças.
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