No ar






A profissão amadurece ou o profissional? Estava cismando o pensar a respeito dos escândalos, desvios de dinheiro, deslizes de profissionais políticos e políticos profissionais. Lembro como eram bem vindos os equívocos que, rendiam manchetes para os noticiosos em cima da hora. Trabalho em rádio lá dava tempo para questionar a revanche de denúncias!



Em outras mídias, o espaço permitia pesquisas o que aumentava a fome de escrachar a vida do equivocado - permita-me a expressão. Num tempo em que o homem continua cavando buracos para se enterrar, os escritos vêm com pesar.



Hoje, lamento profundamente o exorbitante. Nem sei se era prazer denunciar em grandes letras ou com estardalhaço. Por que e pra que se quem continuam pagando o pato somos nós?

Lugar de estrela é no ceu


O sucesso do artista não é o que mais brilha. O pensar lateja no meu sentir. É a companhia nossa que faz, mesmo sem desconhecer; sem ter idéia de quem seja o fã aflito, alegre, choroso.


Por mais que se entenda pouco o que seja brilhar num palco, diante de uma multidão que acorre ao espetáculo, é bem maior o público que está na marginal. Por isso, a estrela pensa que brilha só. É uma luz que encandeia e faz sombra dentro de si porque o tal sucesso perseguido doi. É sombra.

Hoje estou confusa. Sei que a vida prossegue, assim como sei que a dor persiste.

Praia, praeira...


Buscar na memória fatos que servem como base para manter o pensar ativo, causa um certo alvoroço, uma ventania igual a que assistia na adolescência na Praça do Ferreira. O vento levou a paisagem bucólica da minha cidade, que hoje finge não sentir o perfume e a indiferença com os saudosos.


As vezes ter saudade até parece chateação. Mas, a lembrança sentida serve para aguçar o olhar dos que administram nossas praças, ruas, avenidas e lagoas. Ah, aqueles montes de águas límpidas, que os pés descalços desobedeciam os conselhos maternos.


Fortaleza hoje sente a pressão do número de habitantes com suas casas enormes ou pequenas, cercadas por fios elétricos - numa ilusão de segurança - com o mar crespo disfarçando a poluição nem sempre visível. Pois é, o cartão postal faz péssima apresentação da esposa do sol.


Diploma, sim!



Foi no ano de 1976 que vi o meu nome numa relação enorme do Jornal O Povo. Catei com a minha irmã Socorro, o lugar em que eu queria estar. Depois de muitas contas de Josés, Marias e Raimundos, conquistara o vigésimo lugar na seleção da Universidade Federal do Ceará para o curso de Comunicação Social. Eram 42 vagas oferecidas. E estava dentro!


Foi uma festa para comemorar a penitência de três tentativas para, finalmente fazer o curso que a vida toda sonhei. Escapamos - eu e o meu cabelão que ia pelas costas - dos trotes dos colegas e fui firmando amizade com os companheiros de hoje de jornalismo.


Foram quatro anos ralando nas letras, driblando o tempo e desvendando o mistério das frases necessitadas diante de um mundo enorme de fatos que necessitavam ser comuns. Eu não estava nem aí para a não exigência do diploma. Quem iria falar aquilo naquela época que já nos assombrava com a censura?


Hoje, com a segunda via do diploma de jornalismo, a comunicóloga continua com o mesmo T. Pode-se até desvalorizar o que eu conquistei. Mas, isso é coisa minha e não tem preço, não tem decreto.


Diferenças humanas


O que nos diferencia dos missionários é que eles acreditam em nosso crescimento, na mudança já latente em cada self.


O que nos distancia dos missionários é a vontade.

Luz, Doutor Silas Munguba.

Antevendo a Copa


A bola vai rolar, mas antes disso, é preciso preparar o tapete verde. Aqui de fora, o preto tem brechas provocadas pelo desgaste. Dizem que o tempo é curto e numa avalanche de afazeres, os trabalhadores cansados cruzam os braços. Pronto! Decretada a greve. Fechamos questão? Não, mesmo!

E eu que de bola nada entendo - só sei que é redonda, mas que na Copa grito igual a todo mundo - ja antecipo o olhar verde e amarelo, curtindo a paisagem das pracinhas que estarão floridas; das ruas e avenidas bem tratadas; do serviço de transporte ampliado; dos postos de saúde e hospitais bem planejados e com equipes de profissionais dispostos e satisfeitos...

É assim que antevejo Fortaleza antes de soltar o grito preso Goooooooool.

Tô despeitada


Há dias venho experienciando o despeito. Pensei não mais sentir o tal bicho. Pois não é que me enganei! Ele está dentro de mim, sorrateiro, caladinho, e agora, buliçoso. O diabo é que machuca. É o tumorzinho de margens avermelhadas, doido que alguem dê um cutucão para espalhar a dor.


Como o tumorzinho, muda a cor dos meus dias, e se eu cismar o pensar com vontade serei até capaz de chorar. Ah, mas não vou não! Por que não segurar a minha onda? Pensamento repetido no imo do ser que se sentia descolado, livre do danado do despeito.


A gente envelhece se considerando madura e esquece que o sentir não tem idade. Que despeito!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...