O Ronda



O Ronda rondou a minha casa. Por fora, na calçada. Estava saindo depois do almoço. Minha mãe cismou o pensar de que um dos integrantes da viatura do Programa era um antigo amigo seu. Todos os dias, quando passa um carro, lá está ela fazendo a sua declaração atenciosa: Estou aqui rezando para vocês.


Pois bem, descia os degraus quando ela passou por mim, célere como se não tivesses 80 anos. A polícia está lá fora. Sem sustos. Segui caminho e estanquei na calçada. A cena tranquila para nós, foi razão de curiosidade para os transeuntes. Carro de polícia na porta gera inquietação.


Mamãe cismou que um de vocês é grande amigo dela. O policial sorridente mas, nós somos amigos da população.



Dia do Homem




Uma data curiosa o dia do Homem. Quando li apenas o título da matéria, julguei de imediato, tratar-se do dia dedicado à Humanidade. Segui o ímpeto de pesquisar para divulgar largamente a data e sua importância. Surpresa!

É realmente o dia dedicado ao homem nosso de todos os dias. Entre risos, incertezas e muitos pontos de interrogações, prestamos uma homenagem no rádio. Afinal, faz parte do jornalismo contar a história e os fatos desenvolvidos pelas criaturas de Deus nascidas tanto na condição homem como na de mulher.


É claro que não estou "curtindo" com a figura masculina. Quando penso homem, lembro o meu pai, com quem sempre mantive uma relação de respeito e admiração mútuos.

Trate bem o seu homem. A maioria de nós mulheres ouvimos o conselho ainda pequenas. Conselho, recomendação, que virou prática obrigatória, infelizmente para muitas mulheres que vivem sob o jugo do medo, arma usada ainda por alguns machos.


Contudo, interpreto o tratar bem como fazer alianças, combinações para uma vida comum com os seus altos e baixos.


Gratidão


Experienciar a gratidão é fundamental. Quando se agradece o sorriso para a vida é acolhedor. Tenho dois lados que o sorriso enaltece e disfarça: abro os lábios para colorir o cumprimento do dia-a-dia, para abraçar os que amo; e encubro o cenho franzido diante das dificuldades.


O diabo é que sou distraída demais para me dar conta da beleza do mundo. O azul, que denota um ceu profundo, como a natureza. As aves cúmplices da força da gravidade; o caminho pretencioso e ao mesmo tempo sábio dos rios.


Diante de tudo, continuo pequena e teimosamente irrequieta. Ah, euzinha...

Pelo diploma




O grito dos diplomados tapa a aclamação dos sem diploma. No rádio, a coisa tá angustiante há muito mais tempo. Os sem diplomas ocupam espaço nosso . Na Tv, é um tal de cara bonita, cabelos caprichados, maquiagem. Tudo tem que estar no ponto, menos o diploma. Pra que este papel timbrado, quando o que importa é presença?




Pois é, assisti quase impassível a festa dos sem diplomas, desfilando bem a minha frente numa alegria que só o grupo sentia. E agora, a exigência virou Proposta de Emenda Constitucional. Pois sim, vamos aguardar.






Nó sem velas



Nada mais confuso do que mensagem incompleta. A consideração vem a propósito da confusão que se faz com a imagem do povo hindu. Até agora, o que se aprende é que a mulher continua sendo constrangida a obedecer um costume tradicional; que a vaca é uma figura alegórica da mãe, de acordo com a explicação de um dos personagens da novela Caminho das Índias, porque alimenta o homem com o leite.


A mulher rica é preparada para ser linda, cheirosa, coberta de cremes e de jóias. Tem que procriar, cozinhar e dançar. O homem que gera homens tem mais lucros com os casamentos. Ou seja, ter filhos é melhor do que ter filhas. As que estão a margem da casta privilegiada negam-lhe até a fé em Deus.


As mulheres brigam, disputam entre si numa intriga sem fim. Cismo o pensar de que os costumes se misturam e confundem mais ainda a cabeça nossa. É lamentável a forma como nos é apresentada a cultura do povo da Índia. De bonito até agora os adereços, os panos coloridos, os brincos enormes, que as brasileiras exibem numa alusão erótica da mulher, que necessita de marido.


De frente à telinha, fico cada vez mais ignorante. O caminho,na verdade é um atalho.


Exame




Estou fora de muitos sistemas que a sociedade incorpora, plano de saúde é um deles. Já paguei exorbitâncias por alguns planos e até penso em retornar ao quadro de associados. Contudo, quando digo os números de vida terrena, a coisa fica desigual.




Vivo sendo "sorteada" pelo telefone para retornar ao sistema seguro de saúde - dizem que na minha idade (54) é bom prevenir, ter consultas com mais frequência e um internamento hospitalar garantido. Ao lançar os olhos no futuro próximo, o cenho se franze diante das dificuldades nossas para conseguir um leito em um hospital. E se não tiver plano...




Logo mais me submeterei a uma mamografia. Não estou preocupada, tá no preço que posso pagar, mas com relação aos outros, como ficaria diante de uma necessidade urgente?




Quando leio a respeito do Sistema Único de Saúde vejo o "primor" da acuidade de quem projetou a idéia. Simplesmente perfeito para atender a todos. Mas, idéia boa nem sempre chega ao cume do sucesso. Estou num período assim: uma mulher sem planos (de saúde) querendo ter saúde longa e um período de vida mais distante ainda dos hospitais.


O eco do ECA



Quando menina não conhecia os meus direitos. Sou de um tempo em que a boa infância era viver de acordo com o pensamento dos pais, a forma como eles viam o mundo - não muito diferente de hoje - mas com a diferença de que criança não emitia opinião. Ou seja, falava quando era estimulada para isso para responder questões do tipo qual é o seu nome? quantos anos você tem? Passou de ano?


Na maioria das vezes, criança nos anos 50 e 60 seguia um rotina imutável de comer tudo para ganhar sobremesa, levar palmatória se não estudar; castigo sem sair de casa e nem olhar a rua além da janela; procurar a palmatória para levar uma boa sova...


Direitos garantidos por lei com certeza haviam, mas quem cobrava? Os pais sempre tinham razão em tudo, até quando estavam errados. E quem era besta para dizer o contrário? Hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente é louvado por uma grande maioria e se faz necessário. Mesmo assim, apesar de tudo, nunca fui uma menor abandonada, frequentando ruas como moradia, fora da escola...

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...