Chuva na capital

A chuva no asfalto chora em busca de compreensão. Encontra solidez e se esparrama num pranto sem fim até que o calor do sol absorva-a e a transporte de volta para o volume branco, que os olhos espremidos criam imagens.

O mal agradecido asfalto mesmo brilhando pela água pura do ceu sofre a pressão dos freios numa quimica barulhenta, que fere. Nem sequer encara o ceu que, sem arrogância continua na missão de mostrar a vida sem limites.

DNA

Acabei de ver e ouvir o pronunciamento da deputada Cidinha Campos. A impressão é que ela estava sozinha no momento da sua indignação confessa. O texto sem reparos e muito menos edições, foi feito e dirigido pela revolta com sensatez. Isso é possível. A frase que pulsou na mente "A corrupção está no DNA" dita por ela, me levou a caminhos bem mais circunspectos, que transcendem - veja só - muito mais do que o homem na Terra pode ver.

Quando pequenos somos estimulados pelos pais de bom senso mantermos distância de lugares e pessoas que possam nos incentivar a andar por caminhos sem volta.  É dificil educar gente. É preciso levar em conta que o ser que está bem ali na nossa frente pode ser apenas carne da nossa carne, se é que assim procede e determina a Natureza de Deus.

As rosas não falam?

Não sei porquê, mas hoje pela manhã, enquanto fazia o café, pensei em rosas. Veio a imagem da roseira do quintal, com seus galhos espalhados e de flor solitária. As roseiras são assim. Não florescem muito. Diferente daquelas flores que nascem nas ruas do meu bairro, sem o menor trato. Elas se espalham e o amarelo enfeita o asfalto.

A roseira precisa de atenção: ser regada diariamente, arrancadas as folhas secas, e ainda cutucam a pele com os seus espinhos, mas a flor é de uma beleza incrível.

Enquanto isso, na calçada, as esquecidas amarelam o homem indiferente que as arrancam sem o menor pudor e continuam otimistas quando deitadas ao lixo. A rosa vermelha depois do olhar e expressões de contentamento, são guardadas em vasos cristalinos e ganham lugar de destaque na casa.

Na flora do mundo não sei o tipo de flor que expresso. Sei que tenho espinhos, resistência à indiferença e, teimosa como o mato, a erva daninha, que basta a luz do sol e, de vez em quando, algumas gotas de água da chuva, para manter-me viva.

Alarde

A mídia é sempre procurada para divulgar ações de combate a isso e aquilo e outros... Cismo o pensar no que ocorre dentro das casas habitadas por crianças. Chamar atenção pode até dizer que alguém está fazendo algo, mas... (lá vem a tal interpelação)

Antes de irem para as ruas perderem-se no anonimato, no aglomerado de tentações e riscos, as crianças sairam de algum reduto que antes as abrigavam. Se nesses "ninhos" mal saidos dos óvulos são expulsos da comunidade familiar, para onde levá-las?

Eu tenho passado por tantas crianças sujinhas, esmolando, sugerindo atenção, que nem sei Deus quanto tempo isso vai durar: a miséria que as persegue e a minha quase incapacidade em ajudá-las.

A propósito...

A gente desiste das pessoas ou dos propósitos e por qual propósito? Propositalmente, tem pessoas que de tudo fazem para nos fazer ver o que só elas veem. E só de propósito fazemos o mesmo.

A vida nos oferece tantas propostas que nem sempre dá para aprovar de imediato. É claro, que nem sempre é proposital.

A propósito, estava cismando o pensar mais uma vez sobre o que sonhamos e o que de fato queremos. Sabe, é como aquela vontade de comer quando o corpo não necessita de alimentos?

Por isso, proponho a mim mesma, respirar fundo pensando no estreitíssimo caminho das veias, só para escapar da tal porta larga.

Natureza


Natureza Humana desperta o pensar para olhar o cachorrinho que balança o rabo agitado. Num pula-pula chama atenção respondendo às indagações. Sai daqui cachorro fedorento, cabisbaixo vai para debaixo da poltrona. Num estalar de dedo, volta latindo feliz.

Reconhece o secador de cabelo usado no banho. Fugídio vence os degraus da escada e some na cor da parede branca que estanca o elevado. Campainha tocando, latido como resposta. Insistente retorna e espanta a visita. Basta um carinho na nuca e já se joga no chão fazendo graça.

Porta fechada, um último olhar para trás. Lá está ele, sentado sobre as patas traseiras, língua moleque e olhar atento, mas o silêncio é marca da despedida. Natureza de cão.

Voto

Dizem que mulher não vota em mulher. Será? Seria? Acredito que essa história de gênero precisa mudar de discurso. Afinal, quantas mulheres estão no páreo à espera de um voto? E há quantos anos há apenas homens representando a sociedade, sem necessariamente representando o homem?

Não gosto do discurso feminista que afasta o homem da mulher. Pra mim, a gente nasceu pra viver junto. O diabo é a caminhada, a longa jornada. Mesmo com as mesmas ideias e desejos, o pensar muda de acordo com o humor, assim como as necessidades. Mas, isso não vale dizer que na hora do voto o que influi é o gênero.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...