Revendo pensares


Na onda do Podcast - a qual aderi - revejo e dou voz a antigos posts do blog O Pensar. 

Hoje, relendo em busca de algo que tivesse a ver com o humor do dia, vejo comentários de pessoas que se fazem acreditar por conta da bagagem literária e de experiências. E fiquei pensando: puxa vida, por que parei de postar? 

Por que não deu ouvidos, dedos, voz, aos meus pensamentos? 

Nem vou aqui lamentar! Só escrevo seguindo a ordem da intuição. 

Sim! porque escrever pra mim e dedilhar os ditados da mente e seguir sem interrupção as letras, minhas grandes amigas nesta caminhada longa da vida. 


E seria longa mesmo? 

Quando a gente beira os 70 anos, acha que ainda tem muita estrada a percorrer. E você vai deixar para o outro o seu caminho? Claro que não!

A despeito

 Hoje vou falar sobre a minha relação com o despeito. 

Inicio dizendo que só agora estou começando a entender de como esse sentimento tem sido útil. 

Quando não percebia a sua grandeza - se é que se pode chamar de grande - ficava com raiva e, despeito mesmo do agente que me provocava soltando- não sei se por querer - o gatilho. 

Quanto tempo fiquei assim despeitada? 

Ainda hoje o bichinho se exibe, maroto, perguntando-me se acho que cresci. 

Pois não é, que ainda preciso arrancar  ervas daninhas do meu jardim! 

Ah, despeito, seja mais uma vez bem vindo ao meu pensar. Estou quase fechando parceria eterna. Mas, não quero ficar de muxoxo o tempo todo. 

Mas, pensando bem, a despeito de tudo, só o que me incomoda me faz crescer, de verdade.

Pela paz+


Eu sempre tive medo de guerras! Agradecia a Deus ter nascido depois do grande abalo que o mundo viveu na década dos anos 1940. O pavor era com relação à possibilidade de uma crise mundial. 

O tempo foi passando e acompanho os bélicos motivos que levam o homem a matar, a morrer por um ideal... que, será que compreendo?

Ainda estamos procurando imunidade para um vírus que uniu o mundo, o Planeta na busca da salvação. Já se fala em modificar a nomenclatura do ataque virótico para algo mais contido. Mas, quem contém a vontade da destruição? 

Fico me perguntando até quando, nós seres humanos, iremos continuar cegos diante da ilusão do poder? 

Quando perceberemos que a destruição do outro não nos fará crescer? E, uma vez, acreditando crescidos, o que faremos em seguida? 

Mais uma vez elevando as mãos aos céus em busca de discernimento. Que a paz do mundo comece em mim.

Narcélio


 Às vezes penso que me basto,

que tudo é efêmero,

que basta ler uma poesia

e aí me encontro.

`As vezes não quero pensar nada,

mas a mente é inquieta.

Sinto uma enorme necessidade de brilho,

aí procuro me retocar.

A cara pálida necessita de cores artificiais.

Só que também é rápida como o pensamento que flui,

que se perde.

Às vezes percebo que nada me basta,

quero muito mais,

é preciso crescer, melhorar o mundo...

E que a solidão não existe...

É porque tenho canto de pássaros,

tão disciplinados,

eles não desafinam

assim como eu, diante do meu pensamento agora.

As borboletas são outras companheiras

só que elas têm pressa...

Mas, numa noite de muita emoção, uma pequenina pousou em mim

e assim ficou coladinha na blusa branca

Quanta emoção senti!

E vi que nunca estarei sozinha com o pensar confuso

que a amizade verdadeira é eterna

e que Deus, ah sim! ele olha o tempo todo para o que faço,

para o que sinto...

A borboletinha não foi um adeus, muito pelo contrário: é a doce presença de quem foi doce por muito tempo comigo. 

Há algum tempo gostaria de ter lhe dito que a sua ausência física me faria muita falta. Mas como é bom saber que você vive!

(uma pequena homenagem para o amigo Narcélio Limaverde).

Fotografia




Olhar para fotos sem criticar os momentos flagrados pode ser um bom exercício para a minha aceitação. 

Sorrisos são a minha marca, mas prestando atenção no olhar, os olhos nem sempre espelham o que iam na mente. 

Faço um exercício para lembrar. Apenas sinto uma sensação do que significavam aqueles momentos. 

Reuniões com pessoas que já fizeram a passagem grudam o meu pensar no tempo em que dediquei a elas. Ou eram elas que se dedicavam a mim? 

Ex-amores.... sei não. Acredito agora  ser isso apenas uma convicção. 

Deixei de rasgar fotos... não devo apagar registros material da minha existência. Eu vivo com as impressões... mas, e quanto aos outros?

Existe algo mais gostoso do que lembrar momentos incríveis? Estão lá no bolsão da memória que agora flui...

E, hoje com tantas oportunidades de registros de imagens... dá uma certa saudade do tempo em que se esperava a revelação dos filmes... e quantos momentos se perderam por conta da falta de habilidade da fotógrafa aqui.

Entre filmes revelados, guardados, distribuídos, esquecidos em caixa, amarelecidos, está o nosso legado.

Por vezes me surpreendi com o pensamento comum de que, naquele tempo era mais feliz. Não mesmo... não posso me permitir trazer de volta tudo que reúne o meu ser. Não farei isso comigo. 

Somo tantas expressões, tantas emoções... e vou continuar fazendo isso. Nas imagens instantâneas e nas perenes.  

Agora, o exercício é não deletar os momentos.


Beleza

 Eu já parei de me achar feia. Sem graça... 

Teria encontrado a beleza interior?

Olhando pra dentro, nem sempre encontro cores vivas.

São labirintos estreitos. Não é pra menos que me perco nessas viagens.

Mas, pensando bem... pra que ficar zanzando no juízo quando os apelos externos gritam por atenção.

Sei que se demoro na estação, indecisa se devo regressar ou prosseguir, vou me fazer falta.

Dizem que sonhar não custa nada. Ah, sim! Custa!

Se perder ao longo do pensar pode ser uma armadilha.

Enquanto o sonho envolve o ser, a realidade continua com sua cara lavada. 

Ela tem esse poder.

Para amenizar, e antes que o sonho vire pesadelo, procuro ser leve... 

Imagino-me uma pena ao sabor do vento. Pode ser um sonho de olho aberto, Mas funciona! A leveza é um intervalo em meio à tanta agitação do meu Eu.

Eu sou buliçosa. Vivo me sacudindo, mas um torpor embriagante do sonho pode ser aquela pausa tão desejada.
 

Textuando


Comparando partes da vida a um texto. 

De início, qual o foco deve ser destacado. 

Como desenvolver o momento. 

Será manchete? 

Quem vai ler a minha história? 

Surpreendo-me inúmeras vezes sobre o discorrer das letras. 

Os caracteres são os colaboradores constantes do pensamento.

Os parágrafos podem subir ou descer conforme a narrativa segue. 

Quando será o ponto final? 

É o que me basta? 

Se me faço compreender é outra função do autor textual.

Na verdade, creio que escrevo porque preciso ler o que vai na minha alma.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...