A poesia nem sempre desponta ou aponta para algo que costumeiramente está à nossa frente. É como diz Adélia Prado: olho pedra e vejo pedra mesmo.
São nos descuidos da alma flutuante que a pedra deixa de ser material.
A poesia não é pra ser descoberta. Ela mora em todos os lugares. Em todo o ar que se respira.
Nos momentos de dor, ela submerge em busca de ar, para outra vez conquistar a superfície.
Pensamos que a dor nunca vai passar, mas passa. Pensamos que tudo é eterno, mas não é. O pensar latejante de Clarice Lispector nos desperta para a instalação do poeta, que depois de afundar, aprendeu a nadar.
A poesia já me foi dolorida. Noutros momentos, surpreendente!
Em outros, merecedora de todo a minha atenção.
Em tudo vejo poesia, assim como o jornalista Alberto Perdigão nos fala sobre a essência que não quero perder. Não preciso passar por essa transformação.
A imagem é de Michael_Pointner
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