Por muito tempo e, acredito que até hoje, por mais estúpido que seja, nós mulheres precisávamos pedir licença para existir.
A existência da individualidade nos foi negada.
Só a respiração, pelo seu processo natural, nos era permitida sem a devida permissão dos "donos".
Não, não éramos e nunca fomos coniventes com situações assim.
Éramos constrangidas a "aceitar" para continuarmos sobrevivendo.
Agora, cismo o pensar: a quem devemos pedir licença?
E quem nos deve permitir tal feito?
Vendo-me por dentro, percebo, sempre que posso, que a permissão para continuar nunca foi invertida.
Ou seja, não me dava conta de que precisava solicitar a mim mesma, licença, alvará, seja lá que nome receba, para continuar em busca do que mais preciso.
Será que o meu pedido de licença expirará um dia, antes mesmo, que seja concedido?
2 comentários:
"A existência da individualidade nos foi negada."
Compreender que a beleza e a razão das coisas estão na singularidade, na individualidade, no ser como uno, é entender o espaço de cada um. Talvez um dia havemos de ver a prevalência da individualidade feminina sem ter de pedir passagem a ninguém.
Obrigada pela participação. Que comentário mais altruísta. Abraços, Robério Lessa.
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