
Quando a rua está molhada, não adianta colocar salto alto para evitar molhar o pé. Ou seja, quando algo não está bem, não adiante se fingir de morto. Eu falo das nó velas(é assim mesmo que escrevo) da TV brasileira. Eu não sei se é por capricho dos autores, ou se a criação passou a ser reduto do mau gosto.
Sei porque não gosto de acompanhar os folhetins televisivos: eu não suporto certas cenas. Pode até ser por questões mal resolvidas na minha mente maluca. Mas, aquela cena do casal de adolescentes na cama, o pianista e a bailarina... essa, eu não paguei pra ver.
Infelizmente, as nó velas invadiram a minha vida e o meu texto.
Te contei? Rasguei as
páginas da vida. Dei uma
escalada, soltei
o grito, disse
cobras e lagartos. Achei pouco, abri a janela estiquei o olho para o
espigão vizinho, e quis ver a
feia mais bela das ruas da minha Cidade.
No calor da
alta estação, desejei um copo de
cristal de
chocolate com pimenta. Se eu morasse na
Amazônia seria um
bicho do mato, uma
gata selvagem, esperaria paciente pelas flores do
mandacaru, antecipando refresco para minha sede.
Mas, na impossibilidade de pertencer à zona Norte, eu me consolo, fazendo
malhação, na avenida Beira-Mar, lugar de
louca paixão de turista equivocado,
dono do mundo, num
cavalo de aço, querendo viver
paixões proibidas. E, se ele se demorasse na cisma, com certeza, perguntaria
que rei sou eu?Eu ainda com temperamento
rebelde, tomando emprestado o linguajar do sudeste, diria que já enfiei o
pé na jaca. Mas, pelo menos, resta-me o consolo de que em
vidas opostas, noutra
viagem, eu não tenha sido a
sinhá moça. Para minha felicidade, como
profeta, eu espero ter visitado o tronco e tenha venerado
os ossos do barão.
Mas, com toda a desarrumação, e os conflitos que se somam,
por amor, ainda torço pelo
cidadão brasileiro, o salvador da pátria. Para que ele coma todos os dias
feijão maravilha, dancing days, numa praia
tropicaliente, que mantenha os
laços de família, e
carinhoso, seja amigo dos
irmãos coragem. Um
pai herói.Também espero
não ser
a próxima vítima do desemprego, reclamar do pão que
a gata comeu, nem tão pouco participar de
cambalacho. Quero escapar do
tititi da maledicência, e não ser
clone do
bebê a bordo. Porque não tenho vocação para ser
barriga de aluguel. Quero um filho
bem amado.Já com relação à sexualidade, eu queria mesmo era que desaparecesse o personagem
locomotiva, e desse lugar a
outro, as mulheres apaixonadas, Tiêta, ou
a rainha da sucata, por exemplo.
Uga-uga pra você porque
o morto o texto, eu faço ponto, e rogo a
Roque Santeiro, paciência.