Quando se guarda é sempre jovem



Hoje, pelo menos, neste momento, não tenho 51, tenho 15. O mágico da reversão do tempo, um cantor, ou melhor cantores bem afinados que trouxeram de volta as músicas que embalaram os meus sonhos de menina-moça(é o novo!).

Pois é, "ai de mim, querida ai de mim", quantas vezes repeti acompanhando os passos suaves da dança da época. As letras sempre tão simples falavam de um amor às vezes inatingível que "fazia o coração parar". Eles continuaram entoando, trazendo o balanço, que ainda acompanho porque não agride o já histórico corpo meu.
Não vou mais longe do que isso. Não me atrevo. Não quero os 15 anos de volta, ah, não! Não me negaria a experiência do riso, da dor, do desconsolo e tantas vezes do ombro amigo que se debruçou e ainda se debruça, ofertando-me apoio. Nada é mais apreciável e prazeroso do que a lembrança de tempos somados aos amigos.

Sonhos? ah, sim, eu sonhava. Ou melhor, interpretava uma personagem diferente. Eu fui uma mulher atraente, linda, forte, poderosa. Conquistava a todos, ou melhor, dominava. Na minha pequenez de persona e de gigantesca ignorância da vida, eu queria o poder sem me preocupar que, apesar de atraente, o poder é tão efêmero.

Sempre passa e muito rápido. O pior é ter que conviver com isso. As seqüelas de quem faz do poder a única opção da vida, e vê na oportunidade uma forma de estar por cima e acima de todos.


"Se eu fosse você não faria o que você faz", letra sugestiva dos nossos compositores da Jovem Guarda, hoje Velha Guarda, que eu guardo na lembrança gostosa, embalando o sonho de ser melhor. A grandeza desejada, passou. Ainda bem.

Ser ou não ser herói


Quem é o maior herói do momento? Esta pergunta dirigida assim vai merecer inúmeras respostas, posto que não é específica.


Se a resposta vier de uma criança ela diria que pode ser o papai ou os fartos destemidos e inverossímeis da cartunagem.


Se for de um trabalhador, ele se auto-denominaria.


Mulher, ela própria porque incorpora a maternidade, a cozinha, o tanque, a tábua de passar, o raciocínio, a educação, a economia, o secretariado, o trabalho fora de casa, ginástica, a tribuna, a oratória pontual.... você pode completar aí.




Não sei se é certo dizer que, curiosamente, os heróis engrossam as filas dos sem: sem-teto, sem-comida, sem-roupa, sem-estudo, sem... e por aí vai!


A mídia, acostumada a passar notícias negativas na maioria dos casos, costuma fazer estardalhaço com os heróis, que saem do anonimato, ganham fama e logo depois são esquecidos. Isso seria ingratidão?


Na realidade, ser herói é praticar ação do bem, nem sempre tão sentida, agindo pelo coração, atendendo à uma determinação ímpar do criador. Não pensa na recompensa do outrem, reconhecimento popular, ou muito menos mudança na vida que leva. Segue apenas à Lei da Conservação que se avizinha do amor pelo próximo.


Ainda bem, menos mal, digo ao ler notas como estas.

A nóia do tempo


Estive ausente nesses dias por falta de tempo. Aliás, essa convenção humana é complicada de se lidar, principalmente porque tenho verdadeira nóia com o relógio. Não uso no braço o aparelho ditador, mas tenho em mente os minutos necessários para prover as minhas ações rotineiras.


Eu preciso sempre me guiar pelo tempo e tenho um certo respeito temeroso por esta ação. Lembro que tem sido motivos de susto, suspense, desmotivação, motivação e, por que não dizer, angústia. Esta última sensação é sempre companhia naquela fase do novo, do anúncio do advir. E como demora a passar.


A tensão é cúmplice do tempo. Quanto mais longa a espera mais sou pressionada, fico impactada pela ansiedade. Só quando os momentos são do tipo perfeitos, e os músculos relaxados, o tal tempo se torna curto.


Eu estive por aqui na memória. Sentia-me quase obrigada a voltar à página e escrever. Uma espécie de compromisso com o leitor(nauta). Eu sei porque assim espero ser tratada quando costumo visitar um sítio ou site como desejar.


Mas, não há tempo que dê tempo para que a nóia impulsiva não continue sendo uma companheira importuna. E já foi motivo de pesadelos. Ou seriam sonhos repetitivos, enfadonhos?


Sempre sonhava que corria aflita em busca de algum objeto, roupa ou acessório que me permitissem sair de casa e atender a um compromisso. O sonho terminava, ou melhor, eu acordava e nunca, nunquinha dava tempo. Uma certa feita, ouví de um psicólogo o convite ao seu site, garantindo respostas para um cismar contínuo.


No momento em que me debruçava nos teclados para contar a minha história e me ver livre a tempo, da angústia do tempo, eis que bem a tempo, me toquei: é a minha nóia com a hora. Aí, pois não é que me libertei um pouco? A angústia diminuiu! Nós, quando queremos, realmente, somos os nossos terapeutas, de fato.


Administre o tempo, e volte a me visitar. Eu acredito que esse tempo não será perdido!

O que vi


Hoje ocupo o espaço para mostrar o que vi por aí e não gostei.


Desagrado meu para o homem que ainda chama a mulher de máquina de fazer filhos.


Para o cronista que critica quem tem coragem de se expor, sem medir aqui as razões.


Para mim, que deixei passar as oportunidades de dizer aos amigos o quanto eu os admiro.


Só agora estou assumindo a minha gratidão verdadeira aos anjos (é assim que os chamo, no íntimo) que Deus colocou no meu caminho. Naquele momento oportuno, na necessidade, na tristeza, na melancolia, na bisbilhotice, na farra e na sutil solidão que escolhia.


Não citarei os nomes porque os meus amigos, eles assim se reconhecem.

Morrendo de viver


Não nos preparamos para a morte. E, se analisarmos mais de perto, nem para a
vida. Sempre me mantive distante do assunto, mesmo sabendo da fatalidade. O
que faltava era estar a vontade para falar sobre o tema. Desde o princípio,
me entusiasmo com a poesia, mas mantive distância dos poetas que veneravam a
figura com a foice. Cruz, credo! Dizia.

Gosto de lembrar da minha infância porque o olhar de hoje tem um prisma mais
colorido. E como as fases são minhas e as lembranças também, faço nova
leitura e, desta vez, em cores. Pois a morte pode ser um tema arco-íris. Nada
de humor negro, mas para quem quer sempre se livrar do corpo, retalhando-o,
esticando, lipoaspirando, veja só que coisa boa saber que pode ganhar um
corpo novinho, outra vez!

Mas, como não sou dada a esse tipo de humor, o meu é escrachadamente
cearense, só que mais refinado (pra isso nem peço desculpas aos que não
são).


Morrer fisicamente também não é poético. Mas como poeta que sou,
quero retornar ao mundo espiritual sem dores. Sem despedidas porque não
conquistei a elevação moral para isso; e, muito menos, atropelada. Nada mais
antigo do que sucumbir diante da força da máquina.

Quero ir de repente, de preferência, sem planejamento(?) Apenas ir e ser
lembrada com muito risos. E sem velório, pelo amor de Deus!

O blogonauta supersticioso está pensando que estou adivinhando o meu passar
desta para melhor?

Altemando


Realmente, a definição limita a emoção. É por isso que é difícil se fazer entendida quando quero expor os sentimentos. Por mais natural que seja, eu posso estar falando uma língua completamente desconhecida para quem ouve.

Digamos que eu esteja, neste momento, de ressaca emocional. Quando o filho nasce, acontece um misto de prazer com desgosto, ou seria, prazeres diferenciados? Um ser foi arrancado literalmente, das entranhas. E, quando ele parte, sai debaixo das asas acolhedoras, fortalecendo asas da liberdade, o misto emocional retorna, bombardeando a emoção, quase adormecida.

Ainda há dois seres alados, prontos para partir, só aguardando o momento oportuno. E como ficarei? pergunta que não quer calar. É um tal de segurar e soltar sem tamanho. Quem criou a maternidade é, sem dúvida, um ser de elevação infinita, porque não conheço lição maior que me faça crescer.

Estou como definiu Altemar Dutra, tão sentimental...

Pois não é que chorei!


Eu sempre me divertia vendo mães chorando diante da(o) filha(o) que diz sim ao casamento. Confesso não saber porque agia assim. Pois não é que chorei também! Um fio de lágrima insistia prejudicar a maquiagem feita às pressas. Sim, porque esses momentos nos roubam o tempo precioso e absolutamente necessário para ultimar os preparativos.

A festa do casamento requer detalhes minuciosos, uma exigência em busca do momento perfeito. É mais um imprevisto criado, disputando com o fato novo que se sucede. Novo porque assim é para quem se inicia na aventura da vida a dois.

Entrei de azul celeste, de braços dados ao filho mais novo, num traje bem comportado, que não brigou com a sua preferência no vestir. Sem lentes, não vi o brilho nos olhos dos amigos que se confraternizavam comigo. Sim, porque a mãe também é o centro das atenções na festa dos noivos.

Sentada ali, à espera da aparição da noiva, que brilhava, trazendo com satisfação o filhinho no ventre, eu não vi a mãe que se aproximava, mas a minha menina, tornando-se uma mulher com mais compromissos de vida.

Simplesmente bela. Olhos, sorrisos, brilho. Toda luz. Foi este o quadro que gravei. E ali, de costas para o público, Érica e Danilo disseram sim à vontade e ao desejo de prosseguirem juntos. E eu coadjuvante, servindo como apoio.

A maternidade tem dessas coisas.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...