Detone a fofoca


Assim como o Ministério da Saúde adverte a população sobre os riscos de certos remédios e medicamentos, o Ministério do Trabalho deveria advertir contra um dos maiores males existentes no mundo: a fofoca.


O fofoqueiro não se dá conta de que é e, muito menos, do mal que comete contra outros e contra a si. Bisbilhota a vida profissional, tenta saber quanto ganha o colega; cerca-o de mansinho, aparentando amizade que não existe; é solícito e, acima de tudo oportunista.


Ser alvo do fofoqueiro é um grande risco. E se for na onda, vai se perder, com certeza. Como jornalista, sempre tive cuidado com o boato e nunca acreditei naquela velha expressão "onde tem fumaça, tem fogo". Normalmente, a fogueira é alimentada pela vaidade.


Ás vezes, para ver até onde a cacimba, digo fofoqueiro, pega corda, estico o ouvido para tomar par do terreno pantonoso da malícia. Mas, não me permito ir além. É preciso tomar veneno para descobrir a resistência do organismo?


O melhor remédio para o mal, é evitá-lo. E não pense que ouvindo a malícia você irá se tornar uma pessoa bem informada. Nesse item, o melhor é continuar ignorando. E se você não resiste aos comentários que não podem ser repetidos diante da pessoa alvo, se liga!


Ninguém é mais interessante do que você mesmo para merecer uma análise profunda. Gaste suas energia consigo. Nós somos tão interessantes. Tão ricos!

Pestalozzi


Estou lendo sobre Johann Heinrich Pestalozzi. Vejo que a educação é um desafio intenso. E para ser educador, antes de tudo, é preciso se educar.


Educar para aprender a conviver principalmente com o descaso, a indiferença e, quem diria, o preconceito.


Se você não conhece o homem que apostou na educação do homem, leia. Incentive-se. É provável que identifique o elo perdido da evolução humana.
Educar é amar o próximo, de fato, como anunciou o nosso irmão maior.

Na fila


O termo mais utilizado no momento é otimizar. Só que quando você vai à uma agência bancária, por exemplo, a otimização requer paciência como tudo o mais. Ou seja, você não escapa da fila de espera.


Com todo o desalento meu, faço leitura diferente quando escuto alguém dizer: "estamos modificando o nosso atendimento". Aos meus olhos e aos ponteiros do relógio, arremedo: estamos piorando o nosso atendimento.


São processos tão simples, por exemplo, uma pequena informação para saber aonde posso me informar sobre algo que não compreendo. E fico lá, na fila, remoendo o que pode ser tão mais detestável do que fazer parte de um sistema onde se é dirigido por números.

Se esquecer a senha, babou!


Acredito, que a maioria dos que necessitam ir aos bancos, escritórios ou tudo o que representa acúmulo de números deve conter o mesmo nível de desgosto. Mesmo assim, é preciso entrar no clima de que tudo passa.


É um tal de entra na fila para se informar, receber, sacar, pagar, descontar, negociar, financiar, emprestar, rolar a dívida, e xingar!


Você já ouviu alguém dar gargalhadas num banco? Pois fique perto de mim, um dia desses. Eu aprendi a rir de tudo que não gosto. Incluindo aí as taxas, as moras, os juros, cpmf(quer piada maior?)

Quando se guarda é sempre jovem



Hoje, pelo menos, neste momento, não tenho 51, tenho 15. O mágico da reversão do tempo, um cantor, ou melhor cantores bem afinados que trouxeram de volta as músicas que embalaram os meus sonhos de menina-moça(é o novo!).

Pois é, "ai de mim, querida ai de mim", quantas vezes repeti acompanhando os passos suaves da dança da época. As letras sempre tão simples falavam de um amor às vezes inatingível que "fazia o coração parar". Eles continuaram entoando, trazendo o balanço, que ainda acompanho porque não agride o já histórico corpo meu.
Não vou mais longe do que isso. Não me atrevo. Não quero os 15 anos de volta, ah, não! Não me negaria a experiência do riso, da dor, do desconsolo e tantas vezes do ombro amigo que se debruçou e ainda se debruça, ofertando-me apoio. Nada é mais apreciável e prazeroso do que a lembrança de tempos somados aos amigos.

Sonhos? ah, sim, eu sonhava. Ou melhor, interpretava uma personagem diferente. Eu fui uma mulher atraente, linda, forte, poderosa. Conquistava a todos, ou melhor, dominava. Na minha pequenez de persona e de gigantesca ignorância da vida, eu queria o poder sem me preocupar que, apesar de atraente, o poder é tão efêmero.

Sempre passa e muito rápido. O pior é ter que conviver com isso. As seqüelas de quem faz do poder a única opção da vida, e vê na oportunidade uma forma de estar por cima e acima de todos.


"Se eu fosse você não faria o que você faz", letra sugestiva dos nossos compositores da Jovem Guarda, hoje Velha Guarda, que eu guardo na lembrança gostosa, embalando o sonho de ser melhor. A grandeza desejada, passou. Ainda bem.

Ser ou não ser herói


Quem é o maior herói do momento? Esta pergunta dirigida assim vai merecer inúmeras respostas, posto que não é específica.


Se a resposta vier de uma criança ela diria que pode ser o papai ou os fartos destemidos e inverossímeis da cartunagem.


Se for de um trabalhador, ele se auto-denominaria.


Mulher, ela própria porque incorpora a maternidade, a cozinha, o tanque, a tábua de passar, o raciocínio, a educação, a economia, o secretariado, o trabalho fora de casa, ginástica, a tribuna, a oratória pontual.... você pode completar aí.




Não sei se é certo dizer que, curiosamente, os heróis engrossam as filas dos sem: sem-teto, sem-comida, sem-roupa, sem-estudo, sem... e por aí vai!


A mídia, acostumada a passar notícias negativas na maioria dos casos, costuma fazer estardalhaço com os heróis, que saem do anonimato, ganham fama e logo depois são esquecidos. Isso seria ingratidão?


Na realidade, ser herói é praticar ação do bem, nem sempre tão sentida, agindo pelo coração, atendendo à uma determinação ímpar do criador. Não pensa na recompensa do outrem, reconhecimento popular, ou muito menos mudança na vida que leva. Segue apenas à Lei da Conservação que se avizinha do amor pelo próximo.


Ainda bem, menos mal, digo ao ler notas como estas.

A nóia do tempo


Estive ausente nesses dias por falta de tempo. Aliás, essa convenção humana é complicada de se lidar, principalmente porque tenho verdadeira nóia com o relógio. Não uso no braço o aparelho ditador, mas tenho em mente os minutos necessários para prover as minhas ações rotineiras.


Eu preciso sempre me guiar pelo tempo e tenho um certo respeito temeroso por esta ação. Lembro que tem sido motivos de susto, suspense, desmotivação, motivação e, por que não dizer, angústia. Esta última sensação é sempre companhia naquela fase do novo, do anúncio do advir. E como demora a passar.


A tensão é cúmplice do tempo. Quanto mais longa a espera mais sou pressionada, fico impactada pela ansiedade. Só quando os momentos são do tipo perfeitos, e os músculos relaxados, o tal tempo se torna curto.


Eu estive por aqui na memória. Sentia-me quase obrigada a voltar à página e escrever. Uma espécie de compromisso com o leitor(nauta). Eu sei porque assim espero ser tratada quando costumo visitar um sítio ou site como desejar.


Mas, não há tempo que dê tempo para que a nóia impulsiva não continue sendo uma companheira importuna. E já foi motivo de pesadelos. Ou seriam sonhos repetitivos, enfadonhos?


Sempre sonhava que corria aflita em busca de algum objeto, roupa ou acessório que me permitissem sair de casa e atender a um compromisso. O sonho terminava, ou melhor, eu acordava e nunca, nunquinha dava tempo. Uma certa feita, ouví de um psicólogo o convite ao seu site, garantindo respostas para um cismar contínuo.


No momento em que me debruçava nos teclados para contar a minha história e me ver livre a tempo, da angústia do tempo, eis que bem a tempo, me toquei: é a minha nóia com a hora. Aí, pois não é que me libertei um pouco? A angústia diminuiu! Nós, quando queremos, realmente, somos os nossos terapeutas, de fato.


Administre o tempo, e volte a me visitar. Eu acredito que esse tempo não será perdido!

O que vi


Hoje ocupo o espaço para mostrar o que vi por aí e não gostei.


Desagrado meu para o homem que ainda chama a mulher de máquina de fazer filhos.


Para o cronista que critica quem tem coragem de se expor, sem medir aqui as razões.


Para mim, que deixei passar as oportunidades de dizer aos amigos o quanto eu os admiro.


Só agora estou assumindo a minha gratidão verdadeira aos anjos (é assim que os chamo, no íntimo) que Deus colocou no meu caminho. Naquele momento oportuno, na necessidade, na tristeza, na melancolia, na bisbilhotice, na farra e na sutil solidão que escolhia.


Não citarei os nomes porque os meus amigos, eles assim se reconhecem.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...