A propósito do dia de hoje

Não concordo quando dizem que nós mulheres queremos sempre ganhar presentes e, de preferência, caros. São bem vindos quando chegam, e caros pela oportunidade. Não no sentido de grana, mas que sejam frutos de um minucioso exame de quem vai presentear. Pode ser uma rosa simples sem a companhia de folhas, verdes esperanças de uma relação duradoura.


Também pode ser um passeio bem do tipo romântico onde ninguém mais possa ouvir as íntimas promessas. Ou algo mais exposto como uma grande faixa com recados bem elaborados.


Quem assim descreve limita a razão de ser da essência romântica. Um sorriso bem que vem a tempo para traduzir uma oferta de gentileza.

Hoje à noite, muitos murmúrios e congratulações entre os mais antigos. E há ainda aqueles casais cujo convívio está tão ressentido, que sequer querem lembrar a data. Noutros, um simples feliz dia dos namorados com um beijo ao vento, só para não ter que dizer que não lembrei.


Tranqüilidade para os "solteiros", os que pensam na grana que economizou, no tempo que não gastou, na conversa que não ouviu. De qualquer forma a data chega e passa e quem mais comemora é o comércio.

O namoro para ser presente se faz todos os dias. Tenho um colega que sempre pergunta à esposa o que ela quer ganhar. E ela responde, o que você acha? Ainda não aprendeu a me conhecer ?Nada mais cortante do que a usual expressão.


Dizem que a mulher gosta de ensinar coisas diferentes e simples ao homem como se comportar à mesa, como andar, como se vestir, conversar, olhar, dentre outros. Eu acho que no fundo, no fundo nós gostamos de comandar. É por isso que ensinamos, esse é o pretexto. Mas, antes que o homem reclame, aprender é uma forma de se libertar.

Senhores passageiros


Entrei para a história da viação brasileira. Fiquei plantada que nem um vaso no aeroporto internacional Pinto Martins, por cerca de seis horas, à espera de um vôo que dura 40 minutos.


Sem sofrimento: curti a companhia dos colegas de trabalho e até neste momento, quando atualizo o blog, às 17h32min, ainda não dormi. Pura excitação de ser figurante de uma das maiores crises do país.


Eu gosto mesmo de coisas que passam e enquanto duravam, estavam bem, do tipo voar com direito à sala Vip, com cafezinho, chazinho e algumas olhadas nos pilotos e tripulantes com aqueles uniformes que chamavam a minha atenção.


Eu sempre quis voar igual ao pássaro, mas não me contento com migalhas. Por isso, me adequo ao movimento - digo as paradas - do tráfego aéreo. Quem disse que precisa ser chique pra voar?


Nos tempos de hoje, é só ficar de plantão na internet e clicar no endereço oportuno. A única desvantagem é ficar na fila de espera.

Enquanto crescemos


É curiosa a forma como nos vemos. Nascidos simples e ignorantes, com o crescimento e os desejos mais ou menos similares, vamos nos distanciando com relação às metas, os objetivos, sonhos, nem sempre olhando para as nossas aptidões.


O certo - se é que podemos assim considerar - é que uma grande porção da humanidade se repete. Não quer avançar porque o olhar ainda está preso às vísceras do egoísmo. Não obstante, soltamos o riso diante de tudo, numa espécie de psicoadaptação.


O bom - pra mim - é que esse processo de convivência inspira textos iguais a esse, vindo de uma pessoa que se locupleta por não fazer parte, pelo menos diretamente, de ações que provoquem insônia. Porque assim me permito sonhar - sem ilusão em demasia - no dia melhor que está pra chegar. Já está bem aí diante de mim.


Enquanto isso, vamos curtindo a arte da crítica ilária do chargista Clayton.

A falta da senhora


Como a cachorra sente falta da senhora. Não que a cultura do macho não tenha mudado, sofrido interrupções.
O tempo quedou-se longe quando uma flor solitária se deixava acompanhar do gesto obsequioso do galenteador. Apesar da linguagem parindo poesia mostrar uma suposta face de gentileza, tudo não passava de artifícios sedutores. Minha gentil senhora era o obséquio que nenhuma alma feminina se deixaria declinar.


O efeito linguagem, pelo menos, lá no fundo, sugeria graciosidade. Bem melhor ser chamada de senhora, longe do demonstrativo de poder, mas sobretudo, de submissão, do que se aninhar no canil que propõem as letras (?) das músicas(?) atuais.


A inspiração veio daqui do romântico texto jornalístico dos anos 50.

Considerações


Insisto em me firmar como uma pessoa que não envelhece: atualizo versão, bem no estilo cibernético. Hoje estou 5.2 e o meu conteudo, a cada nova formatação vai aumentando. Estou me adaptando aos recursos paciência - que quer dizer ouvir sem interromper, olhar bem de perto o outro e banir o juiz.


Isso, porque nas primeiras versões, tinha dispositivos rápidos e outros muito lentos. Por exemplo, eu fui emergencialmente rápida em julgar. Puxa, como eu tinha certeza no meu julgamento. Além disso, ninguém mais tinha tanto bom senso.


Hoje, com mais recursos, ofereço melhores serviços, na base do self. E, pois não é que funcionam! A minha "tecnologia" me permite sofrer muito menos. É que estão em baixa os dispositivos, quase sem memória, na pressa do fazer. Em seu lugar, dowload mais caprichado, que me permite, enquanto baixa , ver as conseqüências. Isso, é no mínimo, maravilhoso.


E eu achando que estava com defeito, preocupando-me com a garantia. Só assim, posso avaliar, deletando o julgamento precoce de situações constrangedoras, alimentadoras do descaso e, por que não dizer - utilizando a linguagem solta - aviltantes.


Fatos cutucam-me o pensar já maluco, como a informação sobre um garoto de 11 anos, que era amarrado pela mãe, em casa, numa tentativa de mantê-lo longe das drogas. Lembro o que tenho ouvido sempre: "Só sabe o que é a convivência com um dependente químico, quem convive com ele".


Certa vez, li um artigo de autoria de uma psicóloga em socorro às angústias maternais. A mãe sempre está certa em sua tentativa de ser mãe. Ou seja, para a profissional o que vale é a intenção. Antes de fazer qualquer julgamento superficial - porque assim ocorre - considerações são necessárias.


Esse garotinho é apenas um no universo de apatias, desinteresses, indiferenças, psicoadaptação.

Enquanto isso, continuamos amarrados a essas correntes.

Pergunta aos universitários


Gente, fui universitária durante quatro anos movimentados e gostosos. E, incrivel: completamente alienada dos processos do somos do contra porque queremos mudanças. Se me perguntarem nem sei dizer porquê.


Agora, assistindo a insistência dos universitários pela permanência dos estudantes de baixa renda nas instituições, com direito à moradia, alimentação e transporte, me vejo, pelo menos, com o mastro dessa bandeira nas mãos.


Se ouve muito falar sobre auxílio ao estudante e se, começar pelo transporte que é pago todos os dias, o aluno não tem mesmo estímulo para sair de casa e enfrentar a rotina do aperto. Torna-se sanduíche recheado de insensibilidade e um número na escola.


O professor, por sua vez, acompanha o aluno na mesma política de arrocho, só que no caso dele, tem comprometida a sobrevivência. Ontem, enquanto esperava um táxi para voltar à casa, conversava com uma professora que "acorda, dorme, come e respira provas", como ela mesma afirmou, lamentando ao mesmo tempo, que uma das filhas tenha escolhido a mesma profissão.


E eu ali, ouvindo, concordando em silêncio. Qual resposta daria para alguém que não vê a hora de se aposentar, para ter um pouco de sossego. Eu disse, sossego???

Diante da Terra



Hoje é dia de olhar profundamente a superfície da nossa Casa. Abrir os olhos, atentar os ouvidos, conferir a respiração e agradecer.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...