O poder da música


Nada melhor para espantar a sisudez da rotina do que uma música envolvente, que eleva o pensamento, traduzindo a paz do momento. Nada é mais inquietante do que o barulho de uma mente em desequilíbrio.


Não conto as vezes em que me deixei levar pela ansiedade do pensar sem endereço certo. Só sei que fiz muitas escalas num vôo sem asas, e mais uma vez ao experimentar o chão frio da realidade, quedei num vazar de olhos. Que bom que as lágrimas rolam sem cessar e nos permite dar adeus ao que deprime.


Numa sociedade multifacetada em que me perco, não sei que papel represento, devido às cobranças de ser a melhor, fujo tentando encontrar um reduto onde o que considero ser qualidade mereça reconhecimento.


Na lição da profissão, não quero ser a melhor, quero apenas manter o padrão de cidadania, conquista árdua temperada pelo discernimento diante da medida do excesso, que nem sempre considero fútil. É apenas sobrevivência. Na profusão do pensar, nada melhor do que correr de volta, esvaziar a mente, deixar-se embalar ao toque suave da melodia.


Nada é melhor do que fugir do burburinho das cobranças, da solicitude disfarçada no interesse capitalista. Não estou fazendo nenhum discurso contra o regime, só quero mesmo é entreter-me com a natureza, buscar um encontro com o Criador, e a música tem esse poder.


Se você está cansado, acha que brigar com o mundo ainda é sua missão, busca aquele CD recheado de boas canções. Dá um tempo, larga o serviço, fecha os olhos para não se perder com a ausência de brilho das paredes, relaxa e dê ouvidos ao toque que se espalha no ambiente e escute-se.


O diálogo consigo,com a música ao fundo, é um reencontro rico, fantástico. Temos tanto em nós. Enquanto escrevia dava ouvidos à Doce Harmonia, de Nando Cordel.

O que vale um voto?

Um decote pode ser motivo para se perder votos numa eleição? A candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, causou frisson por ter usado a roupa como indica a imagem ao lado, no Senado norte-americano.

A polêmica iniciada por uma crítica de moda, ainda não conseguiu arrancar uma só palavra da candidata em questão.


Hillary - uma mulher poderosa, ex-primeira-dama dos EEUU, foi motivo de escândalos provocado por uma traição amplamente divulgada - mostrou que tem classe e ganhou naquela época apoio integral de minha parte.

E agora, volto a defendê-la de mais uma pedra que lhe é atirada na sua postura de vidro, porque é assim que a mídia transforma os que se aventuram no caminho da política.

Fico imaginando-me concorrendo a um cargo político, com certeza seria motivo de escândalos, a partir do cardápio do final de semana: pizza aos sábados e frango assado aos domingos.

O meu vestuário renderia comentários e emprego para os que se dizem entendendidos em moda: calças jeans acompanhadas de blusas básicas ou pequenos blazers, costumes ditados por um gosto só meu, permitido pela elasticidade do salário.

Além disso, sou uma avó que costuma dar gargalhadas a mil sem se importar que a minha alegria incomode.

Vivo comprando fiado, o que daria muito trabalho para comparar os meus gastos de antes com os de depois. E quem disse que quero alguém bisbilhotando a minha vida simples de matriarca?

Pote de ouro


Quem disse que o atletismo no Brasil não supera o futebol? Pelo menos nos noticiosos, os atletas brasileiros estão tendo a oportunidade de serem conhecidos, até pelos menos empolgados como eu.


É com alegria que vejo músculos, barrigas de tanquinho com peitos dourados. Depois de tantos chutes a gol, já não é tempo da nossa mídia abrir mais espaços para os meninos de ouro, como costumam dizer? Estão ganhando medalhas até nas modalidades que não se ouvia falar.


O fim do arco-íris, onde está o pote de ouro é a cidade do Rio de Janeiro, que se enche de uma nova esperança. Sim, porque desde o início dos jogos do Pan, que não se fala em brigas - não que tenham deixada de existir - entre policiais e traficantes de drogas.


Quem sabe, num futuro não muito distante a gente use a energia física com mais vontade para mostrar talentos como desses jovens que brilham enquanto ouvem o Hino Nacional.


Praia tranqüila, só em foto


Ontem resolvi curtir as minhas curtas férias de 12 dias entregando-me ao prazer de me deixar envolver pela luz solar. Aquela iluminação proibida para muitos diante dos altos custos que isso requer.


Se você está disposto a curtir uma praia, leve dinheiro para abastecer-se e se prepare para dizer não, inúmeras vezes, enquanto por lá estiver. Mesmo com toda a pompa que algumas barracas da Praia do Futuro apresentam, é impossível ficar em silêncio buscando a harmonização com a Natureza.


Na rotina de indas e vindas de ambulantes, nas ofertas de produtos de procedência questionável do tipo CDs, DVDs e camarões vermelhos, tentadores que se oferecem, é preciso, no mínimo ser criterioso ao extremo.


Não dá pra relaxar. Não dá para esquecer os raios ultra-violetas que pode nos afetar e deixar seqüelas fatais no corpo; no alimento que pode até matar como foi o caso do músico integrante da Banda Eva.


Reclamei para minha filha do lugar que conseguimos: uma ilha com pouco sol cercada de cadeiras, muito barulho e quase nenhum vento. Ela me considerou exagerada quando comparei ao quintal daqui de casa, que tem sol pela manhã e nenhuma brisa marítima.


Sim, porque o gostoso do mar é sentir a sua brisa salgada, sem se importar com o estrago nos cabelos quimicamente tratados.


Se você está a fim de praiar, vista-se como se fosse fazer uma grande compra. Ou melhor, não se vista porque lá tem tudo: biquinis, toalhas, cangas, protetor solar, comida, quadros pintados a óleo, salgadinhos e ovos de codorna.


Também vai encontrar cadeiras, óculos escuros, vestidos; tatuagens que duram uma semana; bijuterias, toalhas bordadas à máquina; baldes de plásticos para crianças encherem de areia; piscinas para crianças menores; além claro, dos serviços oferecidos pelas barracas, que também cobram por cadeiras mais confortáveis, e ainda, dos 10% do trabalho do garçom.

Brasil continua de luto

É do jornal O Povo, mais uma vez, que trago a matéria para atualização diária de o pensar. Há 75 anos morria o inventor do 14 Bis, o pai da aviação, Santos Dumont.

Ele, de longe, imaginaria o caos que se transformou a falta de gerência da sua criação revolucionária. Tirou o homem do chão, fez com que ganhasse tempo, vencendo a distância de maneira formidável.

Contudo, a avidez do lucro, que não combina com a criatividade, derrota qualquer iniciativa altruísta.

Então é quase Natal


Qual a data para se comemorar o Natal? Costumeiramente nos reunimos em família, no dia 24 de dezembro, véspera do feriado não tão católico para muitos. E se de repente fosse decidido que a comemoração deveria ocorrer nos dias seis e sete de janeiro, quando por aqui se comemora os Reis Magos?


Parece fora de época o questionamento, mas um congresso chamou-me atenção. Está acontecendo em Copenhague, reunindo nada menos que os papais-noéis de vários países. O encontro é pra discutir uma pauta de reivindicações com direito a passeata para chamar atenção dos admiradores e cultuadores.


Sem querer entrar no campo religioso que a data sugere, fiquei imaginando se o motivo real da comemoração nos trouxesse uma lista reivindicatória. Com certeza não seria em seu benefício. Repetiria a mensagem que nos trouxe há 2007 anos, e que ainda nem no dia do aniversário - que convencionamos - conseguimos por em prática: Amai-vos uns aos outros como eu vos amo.

Nem torço, nem atrapalho


Não sou torcedora de nenhum tipo de esporte, mas também não atrapalho. Consigo reconhecer o entusiasmo, a seriedade com que os jovens atletas têm como meta para serem os dourados do momento.
Bato palmas para quem quer entrar para a história com medalha no peito, postada em cima de um coração que bate desenfreadamente.


Como foge da minha compreensão, não me identifico com os torcedores também. Mas, na hora em que a seleção brasileira em plena Copa faz gol, aí eu me sacudo toda. Quer dizer, com moderação, porque não sou capaz de largar a cama para assistir à uma partida disputada no horário da madrugada, por exemplo.


Mas, se serve de consolo, pra mim não há perdedores. Ou seja, não xingo ninguém. O que vale é a tentativa e, quem disse que ganhar sempre é ser um sucesso?


Não sei se nesse quesito eu sou genuinamente brasileira na cultura, considerando que o meu país é do futebol, é do sol, é do samba, é da alegria, e outras formas como somos conhecidos por aí afora.


Só pra não dizer que não falei do ouro conquistado até agora, eu desejo que o espírito do Pan, não se vá. E que o triunfo seja uma forma de ser harmônica, envolvendo a todos, num sentido de conquista coletiva, tudo pelo bem comum.


Caso você seja amarrado em números, confira aqui as vezes em que o Brasil participou dos jogos Pan-Americanos e o número de medalhas conquistadas, claro.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...