Príncipe encantado


Quando menina, sonhei com o príncipe encantado igual ao da Bela Adormecida, que acordaria a mulher em crescimento. Na adolescência, tentei acompanhar o trote do cavalo que transportava o meu pretendente - engraçado que agora, a palavra pretendente lembra pretensão.


Chegou a "adultice" e que chatice, o princípe estava a pé e pulava como sapo para a margem contrária a minha em busca de peraltices. Na maturidade, alcançada com a mudança de dígitos, não sonho mais. O propósito do companheiro é real, não mais cabe o encantamento.


O homem alvo de hoje tem que ser desencantado, sem mistérios, porque não há o que esconder. Esta foi a conclusão que tivemos, eu e a minha amiga Edna durante um almoço do tipo executivo, rápido, mas que nos permitiu alcançar as idéias e clarear o discernimento.


Portanto, homens da minha Terra, quando maduros, não mudem para o verde da imaturidade porque seria contrário a natureza. Ser contrário é contrariar os propósitos e os rendimentos de uma vida a dois. Sempre quando penso nisso vem à mente a imagem de uma grande rede branca, balançando lentamente em harmonia com o pensar comum, enquanto quatro pés se tocam numa linguagem, que dispensa palavras para o entendimento.

Em tempo


Essa história de culpar o governo por tudo de ruim que nos acontece chega a ser interessante, para não dizer enfadonho e defasado. Lembro quando menina ainda, tinha o azar de "queimar" a lâmpada ao apertar o interruptor.Sempre ficava de castigo quando isso acontecia. Perguntava por que Deus permitia o castigo?


Essa crise aérea já foi pro espaço. Vamos voltar à Terra e resolver a questão! Lanço o convite num espaço que não tem a pretensão de ser político. Ou seja, não estou aqui para defender esse ou aquele político, mas bom senso se faz necessário.


A rua onde moro é suja e não é culpa do pessoal da limpeza: prefeitura na dianteira, digo.Está assim porque os transeuntes e moradores largam lixo na via. Cessada a causa, fim dos efeitos faz sentido, não é verdade? Vamos fazer a nossa parte. Quero dizer vamos mudar o que é preciso e o que está ao nosso alcance.


Aprendi que o Universo conspira a nosso favor. Tudo o que eu planejo, penso, acredito, como parte do Universo, da Criação, o eco se faz. Imagine agora você torcendo o tempo todo contra alguém do Governo, que está na gestão do País.

"Há 75 anos"


Eu já destaquei a minha preferência pelo Jornal O Povo e o espaço Há 75 anos. Não é saudosismo, é busca de registro histórico. Hoje é aniversário de instalação do Tribunal Regional Eleitoral. Curioso, é que nunca compareci, ou melhor, nunca me convidaram para uma solenidade comemorativa nesse quilate.


Cismo o pensar de como é rápida a minha participação com o TRE, que só conheço superficialmente e com muito respeito, no momento do voto.


Hoje, estou mais intimamente ligada às ações dos Poderes da República, por conta das informações de massa, mas nunca estive tão distante, no sentido de ombrear-me com os seus representantes. Isso, porque costumo alucinar nas entrelinhas do entendimento quando o objeto da nossa realidade é desconhecido.


Parei com as assinaturas de revistas por razões econômicas e também porque algumas delas me confundem. Não quero participar da linha editorial, ser cúmplice, por puro desconhecimento e distorção dos fatos.


Como leitora, quero conquistar o meu discernimento. A questão me toca profundamente por ser jornalista. Não é atoa que o ponto de interrogação tem sido o meu indicativo.

Na multidão, somos só


Gostei da campanha da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, que cansou de querer chamar atenção e ninguém nem tchun. Quando digo cansei, pretendo que os outros parem de me incomodar ou faço algo para mudar?


Ok, é válido afirmar, tomar uma atitude, mas fazer das palavras, palavras e nada mais, basta?


Eu não sei se o que penso vai mudar o mundo, mas sei - pelo menos estou tentando trabalhar a consciência - de que vou continuar sendo o passarinho da fábula. No incêndio do mundo, onde o homem corre para pegar o que acredita ser felicidade, é preciso repensar para o bem coletivo.


Ontem, vendo os efeitos da greve dos metroviários em São Paulo, vi que quando nos juntamos somos capazes de catástrofes. Tira a ordenação para ver se a civilidade vem à tona.


Sempre tive medo de multidão. Tenho medo do homem, da humana que sou. As reuniões que participo tem que ser em locais onde eu possa ver e ter espaços disponíveis para uma fuga. Isso seria sinal de que ainda não aprendemos a nos juntar?

Reverso


É preciso rever a questão que toca a fundo a curiosidade, que não morre só porque alguém nos explica o objeto, e apesar disso o ponto de interrogação continua encerrando o pensar.


É preciso recriar para identificar o artista que mora em mim, apesar da tinta carregada na tela da personalidade formada sob o constrangimento do choro e ranger de dentes.


Se faz necessário reprogramar a lógica da rotina, que mata o tempo e destrói o êxito.


Assim, como também, é urgente reverter os números da violência. A propósito, o nosso amigo Norton me perguntava com aquele seu jeito especial de ser, quais eram as causas da falta da segurança. Em resposta, disse-lhe que é a crença do homem que para vencer sente a necessidade ainda de dominar o outro.


Do outro lado, via net, o colega sorriu brejeiro, moleque, e arriscou para que eu dissesse isso ao parlamentar, que ocupava a tribuna e sugeria números menores.


Se cadeia, presídios de segurança máxima, delegacias, repressão, tortura, sentenças mil resolvessem...


A gente precisa parar de pensar que decretos modificam a essência nossa, tão aviltada e alimentada tão vilmente.

Vai um cafezinho?


Como você toma café? Eu por todos os sentidos: primeiro pelo olfato, antecedendo o sabor que chega ao paladar na fantasia e que também antecede o calor.


O café representa um dos maiores prazeres que experimento aqui na Terra. É o único que tempera o meu dia e, de certa forma, reconforta.


Fui obrigada a dar uma pausa por conta da cafeína devido ao exagero que comprometeu o bom funcionamento do estômago. Mas, fora isso, o retorno mais moderado continua me permitindo degustar o líquido que gosto de sorver enquanto escrevo, penso, e esbanjo a mente em milhares de projetos.


O cafezinho pode ser motivo para reunião, para o primeiro encontro, para dar desculpas, para aproximar pessoas ou para fugir delas.


Foi tomando cafezinho, em pé, diante do chefe que soube que não ficaria muito tempo fora do mercado, caso fosse demitida. Não sei se aquela conversa curta foi um aviso prévio, acontece que logo depois eu experimentei ser mais um número na fila dos desempregados.


Mas, nem por isso deixei de gostar de café porque nada é mais convidativo e mais carinhoso do que acordar sentindo o aroma, avisando que alguém levantou mais cedo e está me oferecendo gentilezas. E, agora mais aliviada ainda porque os japoneses acabam de inventar café com quase nenhuma cafeína.

"Voar é com os pássaros"


Viajar de avião continua sendo uma aventura, para não dizer desafio. Se você é do tipo irascível, vá de carro, evite os trechos esburacados e curta a paisagem. Viagem sem cansaço, vai reclamar do quê?


Para quem tem pressa, nada melhor do que um vôo para fortalecer a ansiedade. Lembre-se que a ansiedade causa danos muitas vezes irreversíveis para o organismo. Evite transtornos e aproveite o tempo para trabalhar suas emoções.


Sabe por que todo essa enrolação minha de hoje? É que acabei de ler no O Povo que o aeroporto Pinto Martins, há 30 anos enfrentava, ou melhor, os passageiros enfrentavam dificuldades para voar. Confira.


Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...