De viagem


Adoro cair na estrada como se costuma dizer por aqui. É fascinante percorrer lugares nunca vistos, ou até mesmo os que já conheço de cor. A propósito, reparo muito no céu vermelho, cortesia de Deus para marcar muitas daqueles voltas que a Terra dá.



Sempre quando posso ou sou solicitada para viajar a trabalho, experiencio um dos meus melhores momentos. Não importa se a estrada está boa, se o avião sacode, se o trem atrasa - na realidade nunca viajei de trem - tudo é válido para sair por aí com ou sem destino certo.


Mesmo assim o meu espírito de aventura tem endereço, hora marcada e compromisso para retornar. Olhar pela janela o mundo criado por Deus, andando sobre o que o homem faz e desmancha sempre, é ver o melhor filme de uma vida que promete.


Preciso sair sempre do comum, não pela companhia do tédio, mas porque é essencial buscar alternativas, até mesmo por aquelas que a timidez, disfarçada de desconfiança e cautela, tenta me constranger a um momento que já foi e, por isso, mesmo já era!


Digo isso porque nada se repete na vida, inclusive as experiências que considero amargas. Preciso ter essa certeza para não atrapalhar o que está pra vir - que eu sei - virá com um sorriso de apresentação.

Nem tudo é trabalho


Estive em Icaraí de Amontada, ligeiramente ausente por conta de trabalho. Fui conhecer outras partes do meu Estado, praias ainda quase nativas por falta da invasão sem ordem. Para os moradores, muita carência, mas para quem visita tudo de bom: muito verde, muita água, desfile de coqueiros imensos, formando uma barreira natural na orla.

Mar com pouca maresia, uma benção para os transeuntes de cidade grande que vive disputando espaços com os veículos. O ambiente tão naturalmente aconchegante deixou-me resquícios de um prazer infindável, de viagem com direito a permuta com a natureza leve, livre das especulações interesseiras.


Na verdade, não foi nenhum esforço escrever duas matérias sobre a audiência que tinha como meta discutir reivindicações de melhorias. Foi um enorme prazer desfrutar o cheiro, o murmúrio do oceano, enquanto esperava calmamente na pousada que me foi oferecida, o sono vencer a minha expectativa auditiva. Sem nenhum medo de tsunami, estava ali, a 65 metros do mar.

Quase tudo acaba em pizza


As noites de sábado, depois do conforto das discussões em grupo, tentando identificar-nos no Universo, nada é mais agradável do que um bom papo entre amigos, alimentado por uma saborosa pizza.


Sou adepta de massa, das massas, dos meios de massa. Faço mídia, portanto. Fortaleza transformou-se num reduto de pizzarias: só onde moro, chega a ser mais de uma disputando um trecho de 300 metros.
Mesmo assim, como adepta do prato, aventuro-me a procurar outros endereços. Pelo que se vê, o repasto é de preferência quase unânime. Em muitas pizzarias é preciso ficar na fila de espera.

Na terra do baião de dois, o disco de massa com recheios variados - têm doces e salgados - a dupla feijão com arroz perde espaço, pelo menos à noite. Pra que ficar na solidão, se as pizzarias, assim como as varandas de casas e apartamento podem acolher pizzamaníacos?


E para aqueles que comem a segunda fatia de olho na terceira, os rodízios com preços, que variam de cinco reais a dez reais por pessoa, são uma tentação. E depois, haja lipoaspiração e redução de estômago.


A pizza pode ser tão antiga quanto a vontade de comer. Exagero meu. Mas, alguns historiadores chegam a apontar que o prato surgiu no Oriente Médio, pelos fenícios, três séculos antes de Cristo.

Qualquer semelhança...


Você acompanha novelas por quais motivos? Eu, confesso que assisto, mas não sou do tipo de preparar gravação do capítulo porque vou estar fora ou de desistir de um passeio para não perder o que está para acontecer. Nada é mais óbvio do que a sucessão da estória.


O que mais desperta a minha atenção é porque nesses folhetins televisivos as dores da nossa alma são escancaradas. O escritor tem um reduto promissor e faz com destreza a exposição do que mais necessita ser trabalhado em nós.


É claro que isso não é razão suficiente para estimular ninguém a ver as novelas. Mas, se tiver um tempinho e não for inconveniente, acompanhe uma noite dessas o desenrolar premeditado das estórias seqüênciais. Não se assuste se se identificar com algum desses personagens.

Cor da boca

Não vivo sem batom e nem quero saber quanto custa. Mas, na verdade, adoro os pacotes promocionais. Lápis nos olhos, rímel e batom amarronzado: pronta para ir à luta. Cara pálida ainda vai, mas boca pálida, nunca! Essa é a minha determinação desde a despedida da segunda infância, quando fazia farras com o batom de minha mãe.


Um dia quis saber a origem desse colorido mágico, que deixa o sorriso mais estampado. Fui ao Egito, identifiquei, mas nunca imaginei que esse seria um recurso para identificar mulheres de vida fácil. Também descobri que o uso da maquiagem escura nos olhos era usada pelos homens e significava respeito, evitando que fossem olhados por outros que não mereciam.


Como somos oportunistas no sentido de resolver certas questões que morrem com o tempo ou que se modificam de acordo com as nossas conveniências. Uma vez perdido o sentido, o homem transforma em lucro uma moda que se esvai na significância.


O batom pode ter várias interpretações depende de onde vai a sua marca. Se for num colarinho, é crise na certa. Lembro agora, que certa feita cismei de usar um batom avermelhado que não faz muita a minha praia, pelo menos, durante o dia. Estava num ônibus, de pé, e logo a frente um rapaz com uma camisa branca, bem passada. Num freio sem aviso prévio fui de encontro a ele. Pedi desculpas e tentei me equilibrar. Só momentos depois percebi que havia carimbado as costas do colega de coletivo.


A boca estampada era um insulto à brancura do tecido. O que fazer? fingir-me de morta ou contar? Decidi enfrentá-lo, temendo uma resposta de desagrado. Mas, qual nada! Ele simplesmente riu e disse que iria chamar atenção e causar ciúmes nos colegas quando descrevesse fisicamente a dona da boca vermelha. Homem tem cada uma.

Quem vê cara...


Agora entendo porque a vida em comum é incomumente complicada. E se depender de pesquisas como esta, a vida a dois vai continuar em duas vias. Costumo me queixar de que não sou entrevistada, ninguém quer saber cientificamente o que penso?

Pois se me perguntassem eu diria que o mundo masculino, que os homens permitiram que eu visse, fizesse parte, vai muito além do que os cientistas sociais pesquisam. Para começar gosto mesmo de homens com feições masculinas mesmo, do tipo grande: alto, cabelos ao vento, mãos grandes, voz grossa, gargalhada solta e, de vez em quando, carrancudo, lembrando a mistura brasileira que aprecio.


Mas isso é embalagem misturada com um pouco do comportamento porque, na verdade, o que eu gosto no outro é que ele goste de mim. Ess seria a primeira exigência. A segunda seria a tolerância porque conviver com uma pessoa intrigante como a natureza feminina permite, nem sempre é fácil. E, por último, mas com certeza,a razão principal é que queira ficar comigo. Isso é determinante!


Portanto, não interessa a cara, o tamanho do corpo, com algumas exceções, o que importa é que queira olhar os mesmos caminhos que eu vejo e que esteja disposto a estender a mão acompanhada de um largo sorriso. Além disso, um bom papo porque convivência não sobrevive sem conversa. Não dizem que é conversando que a gente se entende, e gritando é que a gente se desentende?

Biográfica


O pensar tem sido reduto das manifestações do meu self, mais interior do que nunca. Aqui me exponho, sem censura, o jeito de ser na atual vida terrena. Não sei porque me esconder, também não sei porque não representar.

É isso: quando escrevo, represento o sentimento do momento, que nem sempre sou eu mesma.

Aqui posso me soltar, querendo agradar a forma de escrever e a quem lê. Já reclamei a falta de comentários, quase ninguém que por aqui passa, faz chek in (para aproveitar o momento em que os aeroportos nunca foram tão comentados).


A zombaria ainda é um dos maiores motivos dos risos meus. Ri muito assistindo ao Casseta e Planeta, ontem na TV Globo, quando casseteou a crise aérea. Estava magnífico o ator Hélio de La Peña, fazendo o piloto de uma Van adaptada com duas asas. Apesar de gargalhar com facilidade, nem todo programa que se diz humorístico consegue me deixar alegre. O Casseta é uma exceção junto ao Grande Família.

E nunca se fez tão necessário usar o bom humor que nos aproxima mais das pessoas e torna os problemas mais suaves, mais visíveis de solução.

Também conferi a estréia do Toma lá da cá, que faz caricato da família de ex-casados. Não segui até o final, porque o que mais uso diante da TV é o controle remoto, maior invenção depois da imagem.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...