É..... quase fantástico!




Depois da dança do gelo, o fantástico ficou congelado. A revista na TV está sofrendo baques de audiência. Seria por conta da repetição de certos temas, ou postura dos apresentadores? Nem sempre o que não é bom é fácil convencer do contrário.




Já há algum tempo deixei de assistir ao programa porque me causava depressão do domingo. Uma doença crucial que me consumia noite adentro, uma sensação de angústia porque o único dia de folga teria que ser preenchido por inúmeras ações de interesse pessoal e da família.




Cheguei a divulgar o tema que mereceu muito espaço na rádio em que trabalhava na época. Descobrimos que a síndrome do domingo atingia e atinge ainda um grande número de pessoas. Eu ficava mais ou menos leve até ouvir a vinheta de abertura do Fantástico que àquela época estava mais fascinante do que hoje.




Será que está perdendo a graça porque de repente resolveu ser mais sério? Estou me permitindo acompanhar outros programas como o da Record, ao invés de curtir a Globo nas noites de domingos, já livre da depré. Confesso que fiquei meio decepcionada quando apostei em algo que me agradasse no programa em questão.




Só a reportagem mais ousada de Regina Casé em visita às feiras das periferias de várias cidades, inclusive estrangeiras, me satisfez. Bom, até chegar o momento em que ela fez questão de mostrar o gosto musical de alguns angolanos: são apreciadores do que considero o que há de mais mau gosto no repertório atual: bandas de forró, as negações da música brasileira.

Ser de casa

Ser dona-de-casa não se trata apenas fazer parte de uma denominação de palavras conjuntas. Ou ser aquela pessoa que já mereceu atenção especial e hoje, largada em residência fixa, se sente como a última mulher do mundo. Sim, porque o belo e encantador, que já lhe inspirou tons poéticos, agora deseja olhar para outras curvas, como um motorista descuidado, sem reparar na sinalização.

A mulher que casa - lá vem a palavra de novo - está além do que deseja ou aspira o homem que se pretende companheiro. Fora a rotina somada aos compromissos - as contas que se avolumam - é sempre a que deita o olhar sobre os objetos necessários para a manutenção da família, e a representatividade maior do atendimento fraterno.

Ou seja: além de ser a mais dócil do mundo para embalar o bebê, que acabara de sair do seu ventre, com todas as dores possíveis de se sentir, dar o seio como alimento, objeto de cobiça masculina.

Sim, tem que alimentar, mas para continuar linda e desejada tudo é preciso fazer para manter os seios em pé!! E isso só é possível com silicone. Idéia verdadeira para uma falsa razão.

É preciso ser administradora, secretariar marido e filhos, porta-voz, recepcionista - acolher bem os convivas - cozinheira, lavadeira, passadeira, ou ter uma grana suficiente para bancar outras donas-de-casas, que largam as suas em busca da sobrevivência em outras.

E ainda há mulher de casa, que não se sente a dona do imóvel por ser comum, encarando-se como uma pessoa inócua, sem valor algum. Já é hora de se olhar no espelho apoiada a um cabo de vassoura ou no teclado de um micro, como uma missionária. Razão se faz, porque procria, alimenta, administra, dar amor e inspira confiança capaz de manter em pé o homem mais cego que se pode conviver.

Em tempo: não é um desabafo. É um reconhecimento às irmãs de gênero com as quais convivo.

Apagão moral?

Em tempo de apagão, acabo de ler um sugestivo artigo do pastor Airton Evangelista da Costa. Veja aqui , a exposição de motivos do religioso, chamando a nossa atenção, antes que todos quedemos na psicoadaptação.

A cada dia se faz necessário elevar o pensamento ao Alto, sob pena de ficarmos presos às angústias das adversidades. E, antes de praticarmos a revolta, vamos dar um tempo para reflexão.

Já disse aqui que tudo mora na tolerância, caminho para discernir o que seja moralmente favorável ao nosso crescimento.

Se a gente quer paz, não vai ser brigando, o que implica partir para uma grande exploração sem fim definido, de nós mesmos.

Censurar é ...


Na primeira vez que sofri um corte - censura do chefe à uma matéria - foi a sensação mais terrível que senti. De início, porque não fui informada do embargo, e muito pior, porque senti-me o que é ser seccionada numa ação em que apostava como certo. E até hoje ainda aposto.


Não fui peitar o chefe como mandava a impulsividade. Ponderei. Contei até mil e, por sorte, fui encontrar respostas no que considero reduto de vivências na imprensa, uma colega de trabalho, melhor dizendo, a diretora da empresa, que tinha me ensinado os primeiros ensaios da ética, da filosofia da comunicação: Adísia Sá.


O que ela me disse naquela época, ainda é modelo para as minhas avaliações. Enquanto reclamava do corte sofrido, a jornalista, com muita calma, destacou que o pior mal que um profissional da comunicação pode cometer é autocensura. E, outra: que o fato de ter sido embargada, não significava necessariamente que eu concordava com a filosofia da empresa.


Que alívio para um ser que se debatia ainda com o cheiro de iniciante. Ficar calada significava para mim ser conivente, ou pior, covarde, negar tudo que aprendera! Hoje, consigo continuar respirando quando os embargos aparecem e tento ver como prossegue o seu caminho, a água represada. Se não se esvai com a força dos ventos, goteja pacientemente em busca de saídas.


Insensível


Não senti nada quando vi o resultado da votação que permitiu - democraticamente, insistiram em dizer - que o senador Renan Calheiros continue com o mandato e com a função de presidente do Senado. Epa! este espaço não é político, mas eu sou uma cidadã política. Por isso estou aqui contando sobre as minhas emoções.


Aprendi com o tempo que os meus sentimentos não devem sofrer ingerências externas, a não ser para melhorá-los. Portanto, nada é pessoal quando vindo de fora. Não estou preocupada por ter ficado muito mais estimulada ao assistir o Segredo 2 do que com os noticiosos televisivos.


Que novelaço até poderia dizer sobre os casos de Brasília, que renderão por muitos anos, enquanto a história do homem vingar no Planeta.Não me atrevo a tecer comentários porque analista política não sou, restrinjo-me a escrever sobre o pensar, ao contemplar o alvoroço contínuo nosso.

Na padaria


Estou insistindo no quesito violência. O internauta que me perdoe, mas é que a coisa anda tão grave, que não dá para fingir de morta. Estava na padaria. Enquanto esperava o pão que tranquilamente era posto em um saco de papel pelo atendente simpático, ouvia comentários a respeito de mais um homicídio no bairro onde moro.


É uma pena. Ele tinha duas filhas tão bonitinhas... Pois é, mas já havia matado um durante uma discussão num bar... uma das menininhas é linda, tem cabelos pretos e olhos azuis... Polícia é assim mesmo, profissão de risco... É, quem mata...


Não era bem o que gostaria de ouvir na manhã de hoje, fresca pelos ventos de setembro, que exageram e chegam a derrubar árvores e construções. Fortaleza é assim: tão quente e ao mesmo tempo tão fresca.


Quando me dirijo à padaria em busca do primeiro alimento da família, costumo agradecer ao Criador pelo dia bom que se inicia. Pela oportunidade de estar respirando e ter filhos, e de também ter dinheiro para alimentá-los. Nesses momentos de prece silenciosa, preferiria ouvir música celestial, mas estou na Terra, onde continuamos matando os seres vivos, inclusive da mesma espécie.


No trabalho, reclamam segurança combinada com o aumento de policiais. Cá, com os botões fico cismando quando entenderemos que os órgãos de segurança não acabarão com a violência, apenas atenuarão os seus efeitos.

Vilania



O melhor enredo para filmes, mini-séries e, lógico, novelas, tem sido a violência. Nas novelas, o mau caratismo emplaca do início ao fim. Os produtores não sabem trabalhar com o outro lado: a bondade, o altruísmo, a beneficência. E quando isso ocorre, ocupa pequenos espaços nas estórias e torna ainda os personagens tipo bonzinhos, sérios, honestos apagados e sem-graça.




Estamos tão psicoadaptados às cenas de violência na TV, que chegam a nos confundir. E, para completar, ainda há enquetes para encorajar os maus personagens. O vilão passa a ter torcidas. Não chega a ser um prêmio para a maldade, mas, há algo muito pior, que é a insistência no aspecto desumano de ser. Para quem o discernimento já se fez presente, separar o joio do trigo é visível, mesmo que com atalhos, mas para quem ainda está em formação - está recebendo as primeiras noções de sociedade, do bom convívio - é, no mínimo irresponsável enviar para diversos lares cenas dantescas.


Há o aviso recomendando a idade do telespectador, mas quem leva em conta a advertência? Fico cismando o pensar com relação à responsabilidade dos programas. Em muitas residências, a TV ainda é a babá eletrônica, que fornece informações demais, o suficiente para minar a resistência do bem - na maioria sem graça, sem atrativos - para a criança que está se despedindo da fase infantil e entrando na adolescência.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...