Em tempo de eleição





Estava pensando o quanto é difícil resistir na alegria quando falta alimento em casa e quando não há dinheiro para o remédio. A desesperança precisa, neste caso, ser assessorada. O pensamento lateja na lembrança de vivência semelhante e fico cismando diante das promessas eleitoreiras.



Cravo a imaginação numa fila de hospital. Ninguém olha para você, de fato, nos olhos, porque - acredito - teme se condoer e tomar-lhe o pulso, pelo menos para dizer que em qualquer momento haverá uma vaga, um leito, um medicamento.



Insisto em buscar prateleiras cheias de um supermercado, dinheiro no bolso para pagar - sem chiar - o alimento da família.



Futrico o juízo para ver páginas de livros rasgadas na esperança porque o material está acima das posses nas livrarias pozudas, cheias de coloridos emprestáveis porque naquele momento, seria muito mais útil no sebo.



Aí, a revolta é a única companhia do eleitor de quem falo. E ainda vem alguém falar que voto não tem preço, tem consequências, e como! Não as nego. Mas, será que as ruas com esgoto a céu aberto vão continuar sendo imagem para se trabalhar nas letras, rebuscando saídas, que se sabe não serem exatamente a proposta do momento?



Só escrevendo em respeito ao voto. Em respeito ao eleitor.



É só promessa



Ainda bem que o voto é secreto, já pensou o eleitor ter que explicar por que não votou em determinado candidato?


Lembra aquele sonho de adolescência de querer ser mais bonita, quando a gente ia reunindo a boca de fulana de tal, a sobrancelha de outra estrela, os olhos de uma outra beldade e o cabelo de outra?


Pois é, estava ouvindo as promessas e os planos mirabolantes dos candidatos e fiz esse exercício. Juntei a promessa de um, reuni os delírios de um outro e fui arrumando o perfil da administração ideal. O resultado? Uma grande confusão.


Eu sei, eu sei que é necessário apresentar um objetivo de governo, mas precisa ser algo irrealizável? Não citarei aqui os exemplos por razões óbvias, mas peraí só porque tenho ouvido preciso ser castigada?


Os sons do 7 de setembro


Cedo, respirando o ar sem contaminação dos carros em movimento, escuto o barulho da água do café seguido do cheiro forte que alimenta a docilidade materna do lar. Com a boca ainda quente do líquido, rego o verde do quintal, conversando intimamente com as plantas coloridas por flores resistentes. A natureza é assim, o homem omisso e ela verdejando a esperança dos dias cinzas.

Na padaria, reclamo fartura. A sociedade mista se desfez e é flagrante a falta de produtos e de cuidados. Vou para a calçada dividir o sol maravilhoso e continuo regando as plantas, o exercício domingueiro que me dá prazer.

Depois, sento-me com o evangelho sobre as pernas, calo um pouco a mente, estico o ouvido para os passarinhos que dão graças a natureza. Olho para as nuvens que passam lentamente. A sensação é que se demoram para que percebamos a sua presença.

Não escuto tambores, muito menos cornetas e passos firmes numa marcha lembrando determinação. Quando menina, ia para avenida acompanhar os desfiles do sete de setembro. O som vai longe, mas a pátria continua. O meu país é cheinho de gente séria, trabalhadora, madrugadora como eu, esperançosa, resistente e teimosa.

O casamento resiste


Eu não conheci Fernando Torres, mas sempre tietei (moderadamente) a sua esposa, a atriz Fernanda Montenegro. Com o anúncio da morte dele, as notícias falam do tempo de casamento dos dois: 56 anos. Cinquenta e seis aniversários de casamento, com certeza lembrados, festejados.


Quase seis décadas convivendo numa harmonia sem ser solitária. Não conheço mexericos, fugidas, coisas do cotidiano de tantos artistas que alimentam a mídia superficial.


Casal sóbrio, com uma longa história comum até na arte do palco e da vida.


E eu sempre me contextualizando. Trago para o pensar a cisma que mexe com os meus brios. Costumo dizer que sobrevivi a dois casamentos. Lorota minha! Casamento não é desastre. Os atores, nós, somos motoristas de um carro pronto para seguir caminho, com marchas presentes e que exige atenção, carinho, companheirismo.


Só que de vez em quando, como maus condutores, pegamos atalhos, erramos caminhos, queremos encurtar distância, atropelamos o outro e, quase sempre, morremos à beira de uma estrada paralela.

Tortura de Amor


Eu sou brega, mas de verdade. Não saio por aí cantando qualquer coisa, fazendo barulho aporrinhando ninguém, como alguns. Mas, sei ouvir uma letra melosa, que fala da dor nossa de todos os dias.


Sou brega quando sofro uma desilusão porque descubro, que mais uma vez, coloquei um perfil pre-moldado em alguém que pretensamente tomei o corpo e quis ainda surrupiar o seu pensar.


Bregueira das boas para dizer que a arte rima com a dor do desalento, do esquecimento. Mas, sou profundamente real na musicalidade ao me permitir repetir trechos de Tortura de Amor porque é torturante ficar a mercê de tanto mau gosto, enquanto alguém que ousou modificar, volta ao mundo dos espíritos.


Waldick Soriano vou repetir aqui o abraço e as gargalhadas daquela noitada na extinta casa de show da Água Fria Obá Obá, que sem precisar latir, gritamos com gosto que não somos cachorros, gostamos deles, mas não nos tornamos um. E tudo porque é bonita a natureza, como diz Clara Nunes.


Rádio dá o que falar


Hoje voltei aos bancos da universidade. Retorno vibrante para falar sobre algo que faz parte da minha vida há tempos. Amadurecida na idéia e no papo porque foi assim que senti o desenrolar do assunto.


Fui convidada por professores de comunicação da Unifor para apresentar aos meninos o que é o rádio e como essa mídia vem sendo transformada ao longo do tempo, devido a interpretação dos muitos que o fizeram e o fazem.


Para mim foi um presente e justo agora que a rádio FM Assembléia está veiculando campanha sobre o rádio, numa dessas inovações temáticas que abraçamos.


Apresentei a grade e os argumentos científicos que a justificam. Vi nos olhares e nos sorrisos muita curiosidade. Afinal, o rádio está na internet, no celular, no ouvido de todos.
É bom saber que contribuo para a continuidade dessa mídia.

Elogios fazem parte


Eu sempre fui cismada com elogios. Quando pequena, feinha que era uma beleza, ninguém se atrevia a comentar - ainda bem, porque imatura não daria a resposta necessária para o ego. Depois de crescidinha, ansiava por um olhar de aprovação. Só muito tempo depois, quero dizer, agora, é que vejo que os elogios que não ouvi, foram a ausência mais necessária para a minha carência.


Há pouco, na visita diária aos blogs do meu amigo Nonato Albuquerque (esse homem é incrível) fiquei comovida. No Gente de Mídia ele faz uma crítica positiva a este blog. O melhor de tudo é que acredito em tudo o que ele escreveu. Sabe por que? Nonato Albuquerque é uma pessoa que aprendeu a ser leal.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...