Sabor da infância


Acabo de colher um caju suculento, do galho que invadiu o meu quintal. A natureza - rompendo os limites impostos pelo homem - seguiu o seu rumo traçado pela força criadora e nos presenteou com o fruto. Como o dono do cajueiro não reclama, satisfaço a vontade, transformo o pedunculo floral num suco refrescante, que o paladar agradece e grava o sabor num incentivo olhar para os galhos que balançam passivos à velocidade do vento.


Cismo o pensar que percorre agora a memória do tempo. Vejo-me trepada num galho de uma frondosa árvore, pés balançando num trapézio que não me arriscaria hoje. O desejo de saciar a compensação da infância, nos remete a desafios, que presunçosamente nos mantem alerta para as descobertas do mundo. Eu sempre tive um interesse fundamental pelas plantas. Nem sei o nome, apenas prendo-me à emoção que me toca.


Nada mais é tão infantil e tão feliz do que saborear um fruto recém colhido. Esse beijo na natureza me faz mais amável.

Buscas



Se quer satisfação, procure-a. Vá fundo, pesquise os seus arquivos. Faça dowloads quantos forem necessários. Com certeza, nem adianta para o lado, buscando ajuda. Levante a sobrancelha, espiche o olhar para fustigar o pensar mais escondido. Lá bem dentro, o cérebro vai jorrar idéias que vão iluminar.


Depois desse rebuscar, veja se a razão de estar insatisfeito não está preso a si mesmo. Eu sempre dou de cara com esse resultado. É uma cena que se repete, repete...


Livros, enfim...


Enquanto alardeiam aos ventos webianos o fim do livro impresso - de outro tipo ainda se chamaria assim? - recebo convites, diariamente, para lançamento de livros de autores cearenses. Neste universo, qualquer um pode adentrar, ser ator e até personagem.


Estou cada vez mais em sintonia com a literatura cearense e tenho aumentado o meu acervo e curtido sessões de oratórias durante lançamentos de obras maravilhosas, curiosas e poéticas. Por isso, tenho ignorado convites que recebo para assinar revistas equivocadas.


A rádio FM Assembléia resolveu mergulhar neste universo e todos os sábados coloca no ar o Autores e Idéias, programa de entrevista com autores cearenses e de outros Estados. O Autores e Idéias é um espaço que permite ao escritor falar sobre suas obras de forma rica e estimulante.

Sem sinal de fumaça


Os povos indígenas estão reclamando mais porque agora estão mais próximos da informação e dos meios de comunicação. Juruna causou impressão por conduzir um gravador enquanto falava com políticos. Ele registrava as promessas e depois cobrava apresentando o forte argumento. De lá para cá poucos avanços são contabilizados para os indígenas que não desistem.


Enquanto nos preparamos para ouvir mais uma audiência pública para reclamar a demarcação de terras, uma colega de trabalho descreve a surpresa de uma determinada pessoa durante conversa com um índio. O motivo da surpresa era o endereço eletrônico que o digno representante da raça indicava para contato.


Pois é, cismo o pensar para definições antigas que param no tempo. Ainda muitos de nós quando pensa em índio, lembra os antigos sinais de fumaça que usavam para comunicaram-se entre si. Os índios sempre foram muito avançados com relação à comunicação. Qual branco pensaria algo assim, tão inusitado, tão prático, e naquela época ainda sem se falar em poluição, por serem raros, eficazes?


A fumaça hoje é o sinal de resposta das inúmeras reivindicações dos indígenas.

Fama


A fama está longe de expressar o que realmente o ator da vitrine representa. O famoso atrai atenções variadas com têmperos diversos. É eleito líder, copiado, desejado, consumido e, quando tudo é satisfeito, muitas vezes, esquecido.


O caminho para chegar ao topo é longo e árduo, mas a fama é efêmera, só dura quando póstuma.
Os fãs e adversários mal contêm a avidez para devassar a intimidade, atribuindo-lhe um perfil composto por anseios e frustrações, esquecendo a missão de cada um.


Todos somos merecedores e desenvolvedores de ações multiplas. Abraçamos causas ou abominamos, e na característica mimética, ser o outro, terceirizando, inclusive emoções.


A fama nem sempre é uma escolha, é conseqüência.

Historiando


Destaco aqui um dos bons momentos que o rádio me oferece. Um flagrante com pessoas competentes, que acreditam no meu trabalho. Na ocasião, Narcélio Limaverde lançava o seu livro de crônicas Fortaleza antiga, uma peça importante para manter viva a memória da Cidade.

Fazer rádio é viver intensamente o prazer de informar. Nem importa se a vocação e a dedicação rendem recursos materiais. Prestar serviço é a ordem que deve ser cumprida, com vontade e muita lealdade.

Pensar afoito e ações moderadas

O mais difícil de envelhecer é manter jovem o corpo físico. Enquanto o corpo segue a linha do tempo, o raciocínio está mais afoito, porque nesse período costumamos ficar mais centrados nas idéias. Ou seja, as ações multiplicadas são reforçadas pela experiência.

É por isso, que comemoro moderadamente, a vitória do presidente eleito dos Estados Unidos. Particularmente, tirando tudo o que nos conta a história desumana, nada é de extraordinário, um homem inteligente e corajoso como Obama, estar agora se preparando para comandar uma das maiores nações deste Planeta.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...