Alma gêmea


Nem sempre ouvimos quando queremos ou o que queremos. Sendo assim, a porta aberta permite a entrada de verbos conjugando frases soltas. Hoje ouvi alguém suplicar por uma alma gêmea. A pessoa em questão estava saindo ou tentando sair de uma relação que ela julga complicada.


Não nascemos para sofrer e por isso mesmo vivemos dando xô ao sofrimento. Contudo, estar com a alma gêmea não significa necessariamente viver sem complicação, sem cobranças, sem ser chato. Como querer viver em paz se não sabemos ainda o que seja viver plenamente no sossego que a vida futura promete?


Eu, sinceramente, não saberia viver em paz, na solicitude da irmandade, fraternalmente, conjugando um lar harmonioso. Destarte o querer imenso, mas ainda buliçosa na mente e desconectada com o equilíbrio do universo que estou para conhecer.


Portanto, creio que as nossas relações complicadas são mais aquelas lições que a escola Terra nos apresenta. E é no exercício dessas tarefas, e nos cursos que repito insistentemente que eu tento ser feliz querendo que o outro seja o perfil ideal. Longe do romantismo, da ilusão equivocada de um par perfeito, - aliás acredito que o perfeitinho seria até irritante - estou mais agora para já que é você, então é você mesmo!

Chuva de lixo


Sou natural de uma terra de pessoas valentes, dispostas e crentes em mudança. Contudo, ainda não sabemos lidar com o clima. E isso, pelo que se sente, é comum na Terra. Somos do semi-árido. As chuvas ocasionais nos proporcionam alegria e transtornos.


Esse discurso cansa. Assim como cansados estão os que moram em lugares considerados de risco. As famosas áreas de riscos. Só que as águas de março vão muito mais além. Ontem, a chuva maior do ano, que banhou a Cidade com um gosto incrível, provocou desassossego. Tantos "esses" nessa palavra não causam em nós ainda despertar para o tamanho necessário de cuidados.


As galerias por onde deveriam escoar a água em excesso - até parece meio louco afirmar que no Ceará chove em excesso - estão com o caminho obstruído por lixo. Veja só. Então o problema nunca é provocado pelas bem vindas chuvas, mas por nós que não sabemos também lidar com os restos, com as sobras...


Nem preciso sair pela Cidade para constatar o quanto somos ingratos com relação a nossa casa. No quarteirão da rua onde moro, as ruas são tomadas de lixo e não é porque não exista coleta, ela está no calendário, cumprindo o seu cronograma. No entanto, não dá para vencer a insana deslealdade de jogar no mato - que hoje é a calçada, a rua - as sobras de casa.


Enquanto isso, a natureza continua cumprindo a sua lei natural.

Feijão com arroz: o prato que deu certo!



O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome lançou, em dezembro do ano passado, a campanha permanente Brasil que Dá Gosto. A intenção é a cada ano mostrar a população a importância sobre a educação alimentar. Neste ano o foco será o arroz e o feijão, dois alimentos que possuem uma importante combinação nutritiva.


Como sempre me ocorre, o pensar voa no tempo em marcha a ré. Vejo-me menina, fazendo bico para não comer o feijão de corda. Era coisa de pobre. E o que diabo eu era? A mesma rejeição se repetia diante do prato de sopa e de peixe. Aí não eram mais coisas de pobre no meu pensar infantil, mas era porque danadinha, ganhava as ruas e ficava com uma fome enorme e demorava a dormir.


Até hoje não sei porque cargas d'água o feijão verde - o disputado prato da atualidade - era objeto de pouca estima para mim.


Hoje, como feijão com arroz e me sinto ricamente alimentada pela consciência da consistência desses dois produtos.


Igualdade


Igualdade na miséria. Esta é a isonomia social que conquistamos. O pensar é da professora Adísia Sá, uma das mulheres mais lúcidas que tive a oportunidade de conviver. O pensamento faz parte do discurso temático da jornalista durante sessão solene realizada pela Assembléia Legislativa em homenagem às mulheres.


A igualdade de direitos e oportunidades é um sonho antigo da humanidade. No entanto, a ação que poderá reverter a situação caminha a passos lentos, enquanto a miséria corre célere. Antes de trabalhar para conquistar espaço no mercado, nós mulheres ralamos para garantir o sustento nosso e dos filhos.


Angustiante é ver as mulheres aposentadas fazerem milagre com a pensão simbólica para dar comida aos netos, ampliando suas dificuldades com empréstimos consignados.


Antes - confesso - tinha gastura de ouvir algumas militantes repetirem o discurso contra a política econômica num linguajar próprio. Muitas delas foram alijadas da mídia devido à insistente posição. No entanto, vêm dessas mulheres a garra e a coragem de protestarem contra uma situação, que marginaliza quem trabalha muito e ganha pouco. Ou melhor, nem ganha: é pouco pago.

As rosas


As rosas vermelhas têm um efeito reparador. Acalmam ânimos, relaxam o ambiente e reatam relações estremecidas. Lembro que as rosas nada me falavam durante um certo tempo. Também, pudera, não as recebia, com exceção da solitária rosinha, sedenta que me chegou numa hora arisca e foi abruptamente jogada janela afora.


Insensível no momento, nem lamentei o ocorrido.


Neste domingo, senti-me lembrada solenemente. As rosas brilham, reavivam o ambiente e ressucitam a natureza morta dos moveis. As mulheres fazem os homens serem mais ternos e mais mãos "soltas" porque - convenhamos - as rosas são as flores mais caras do momento. Mas, prazer de ver um sorriso não tem preço, não é verdade?

Quatro de março



Porque o dia quatro de março é marcante: inúmeros amigos com braços abertos envolvem-me na luz carinhosa, que de todos emanam.


Eis-me aqui devolvendo. Afinal, a vida é uma troca sem fim. E isso é simplesmente maravilhoso.


Da amizade alimento os dias, ilumino as noites e assombro os fantasmas que me seguem.


Dos amigos vem a confiança de que viver vale a pena.


Para os amigos, a lembrança perene de encontros e reencontros.

Mulherando




O Dia Internacional da Mulher está chegando. Neste mês reparo mais em mim porque também é data do meu aniversário (04/03). Vejo-me trabalhando plenamente, neste aspecto, estou bem, desenvolvo uma atividade que me dá muito mais prazer, apesar dos contratempos.


Mas contratempo tive em outras décadas. Quando menina, não podia ouvir conversa da mãe, mulher adulta. Aliás, sou do tempo que as meninas não tinham acesso as informações mais importantes e por que não dizer, vitais, como lidar com a menstruação, por exemplo. Lá em casa, isso era assunto proibido e as cólicas no período eram conhecidas como dor de mulher. Veja só!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...