Fim de ano
Todo final de ano, as pautas se repetem. Uma delas, acho que favorita, é selecionar os melhores e os piores. Não existe meio termo.
Pois eu fico no meio. Vou mediar a vida sem a pretensão de ter concluido os planos do ano de 2009. Aliás, nunca faço isso.
O que mais peço na hora da virada é discernimento. Para não ter que dar de ombros diante das dificuldades; confiar no olhar firme e não cair na tentação de dar as costas às grandes promessas do advir.
Para quem não ficar rico
Fim de ano, não é tempo de sonhar com os R$ 100 milhões da megasena. É lembrar que dar o ponta pé na vida é nascer de cabeça e pisar firme na esperança.
Afinal, mega é acreditar que tudo passa.
Os riscos do sim
A gente vive pedindo companhia porque neste mundo enorme quem quer viver só? Mas, no momento de dizer sim, eu aceito... o que nos aguarda? Estava ouvindo comentários a respeito das escolhas das mulheres que sofreram e sofrem agressões que as vitimam e a vitimaram. Nós somos o que acreditamos sem o questionamento se essa seria a escolha acertada. Como saber?
Para quem não está envolvida é quase fácil identificar uma relação que pode ter desfecho fatal. O dominador sempre costuma insinuar-se o que nos oferece alguns alarmes. Começa pela questão material, uma roupa sem manga, uma cor de esmalte, a hora do trabalho, da escola. É a dominação vista como gentileza na hora de deixar e pegar na escola ou trabalho. É uma ansiedade vista como aborrecimento por qualquer atraso.
São dicas para chamar atenção dos que estão próximos ao ser dominado,que confunde paixão com amor e ciúme com zelo. Longe de ser fatalidade, vítimas e algozes estão sempre se reunindo num cobrar de atenção e prazeres de mão única, que sufocam até ceifar a esperança de uma vida tranquila.
Para lembrar Kérsia, que se foi antes de perceber a amizade que nutria por ela. Luz.
Viver a vida
Adísia Sá, a professora e mestra amiga, no momento do lançamento do livro Três mulheres no divã de Freud, de sua autoria.
Longe de ser título de novela, a vida taí pondo à mesa o banquete com pratos de livre escolha. Há entradas que enchem os olhos, mas depois de provadas são substituidas por alimento de maior consistência como a amizade. É o flerte que perde vez para o namoro, logo substituido pelo casamento. Aliás, nem sei por que deixamos de namorar quando casamos.
Nessa sequência de atitude uma é especialmente rica: a amizade. Neste periodo, as confraternizações dos finais de ano são sempre um motivo para nos reunir com aquelas pessoas que amamos, mas que deixamos o tempo passar longe delas. Ligadas pelo pensar, alimentamos a amizade que dispensa espaços físicos.
Algumas outras temos a satisfação de tê-las mais perto. E assim a vida cresce, os anos passam e a gente progride na promessa de um novo reencontro, nem que demore mais 365 dias.
Com as escritoras e jornalistas Luiza Amorim e Ian Gomes
Natal chegando, e você...
Então é Natal... pois bem quem não fica deprê ouvindo Simone? Acho que até ela.
Não entendo porque tanta gente murcha quando as luzes da cidade são convites para sair, respirar o ar e curtir tempo com pessoas que há tempo não vemos.
Tem aqueles amigos que sintonizam conosco porque estão trabalhando no mesmo lugar, falam sobre as mesas coisas e dificuldades e gostam quase sempre de uma conversa longa, daquelas que prometem inúmeras séries em outras oportunidades. Depois a distância nos faz conhecer a saudade e a vontade de reencontrá-las chega nesta oportunidade.
Não entendo porque tanta gente murcha quando as luzes da cidade são convites para sair, respirar o ar e curtir tempo com pessoas que há tempo não vemos.
Tem aqueles amigos que sintonizam conosco porque estão trabalhando no mesmo lugar, falam sobre as mesas coisas e dificuldades e gostam quase sempre de uma conversa longa, daquelas que prometem inúmeras séries em outras oportunidades. Depois a distância nos faz conhecer a saudade e a vontade de reencontrá-las chega nesta oportunidade.
Se você é do clube deprê, sacuda-se. Há tanta gente querendo te ver novamente. Dá folga a sisudez, alegre a versão cantada pela interprete baiana. A vida é colorida e iluminada quando a gente está disposto a isso.
Eu, cismando o pensar, já estou buscando amigos e amigas outros e outras para uma reunião, nem que seja a primeira e última do ano. O bom é se encher de digitais e compartilhar gargalhadas.
Então? é Natal chegando.
Estatutar
Quando li sobre o Estatuto do Homem acreditei ser para todas as criaturas pensantes do Planeta. Não viriam estatutos outros como da Igualdade racial, por exemplo.
Nós temos tanta carência de compreensão que esquecemos as diferenças das ações. De uma coisa, o pensar muitas vezes aflito já cismou: a igualdade só esta distante porque insistimos em sermos diferentes, negando oportunidades, inclusive da informação.
Quem disse que a minha cor amarelada, desbotada precisa de uma legislação? A compreensão é bem outra.
Sem violência
O dia internacional da não violência contra a mulher será lembrado amanhã. Cismo o pensar e vejo que a situação feminina é bem diferente da condição mulher.Hoje, nós estamos diferentes porque vemos as oportunidades surgidas, a partir do momento que decidimos por isso.
Sair da condição submissa e bater pé no mercado de trabalho acelerou a concorrência nossa contra o tempo. Enquanto ganhamos dinheiro e pagamos as nossas despesas e respondemos por nossos filhos, aumentamos a cobrança íntima da insatisfação materna. Porque ser mãe é ter tempo para ver a família mais perto e conciliar sentimentos.
Sair da condição submissa e bater pé no mercado de trabalho acelerou a concorrência nossa contra o tempo. Enquanto ganhamos dinheiro e pagamos as nossas despesas e respondemos por nossos filhos, aumentamos a cobrança íntima da insatisfação materna. Porque ser mãe é ter tempo para ver a família mais perto e conciliar sentimentos.A mulher vence empecilhos na sociedade, mas continua presa ao peito que dá o leite ao filho. Mas, é possível parir e iluminar a mente dos meninos e meninas nossas envolvendo-as com o amor que não há tempo que elimine e não há oferta promissora de cargos que o extinga.
Nós mulheres só ainda não conseguimos ver o mundo masculino como é e, muito menos, nos fizemos ser vistas no interno mundo feminino.
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