Falando sozinha

Eu odeio pouca coisa. Mas, se ódio é ficar trancando dentes e dizer palavrões, aquela secretária virtual de certa operadora de telefonia tem esse poder. Ah, se tem!

Mas, mesmo com raiva, ainda consigo rir quando ao dizer uma palavra que não repito na frente dos meus netos, vem a vozinha “não estou entendendo. Você pode repetir?” Mas, é claro que eu repito e só paro quando percebo que estou falando sozinha.

Pois é, esta é a constatação. Esses serviços de telefonia são peritos em nos deixar falando sozinhos.

Bate boca

Pensamento preso e língua solta. Muitas vezes me pego assim. Quando a peça viva da boca bate sem parar, o pensar lateja, acionando o freio do sentimento, nem sempre próprio para o momento. Sinceramente, nem sei se sou quando assim me questionam. Isso, porque a sinceridade nem sempre é o que o outro quer ouvir.

O objetivo pensado fica aguardando download do sonho, o homem liberto da carne, ganhando grilões nas sombras. As vezes sou tão estranha que a imagem do espelho não confere. Se eu pudesse dizer o que sinto, ou se arriscasse a dizê-lo, será que esse espaço continuaria?

Refolia


O Carnaval tá bem aí pertinho e volto ao tempo em que os sujos davam medo. Eles zurravam de mim. No ônibus, tremia quando algum brincante sorria do susto estampado na cara. Garotinha boba. O Carnaval daquela época era muito mais rico do que as roupas(?) caras de hoje. A fantasia inútil que tantos vestem numa proximidade luxuriante, perde o valor depois do último toque da batucada.

Estava passeando no tempo dos carnavais antigos realizados no país. Ouvi o Zumzum da garganta saudável de Dalva de Oliveira, que escondia um grande conflito interno; depois o grito de retorno na carreira, pedindo paz, entoando Bandeira branca. Antes, Máscara negra era o seu convite.

Nem cheguei a conhecer de perto o fardo dos dias de folia quando menina, mas uma melancólica lembrança do que não experienciei me invade. Vai ver sou Amélia do Ataulfo Alves; a Maria com sua lata d'água; frequentadora da Praça 11 defendida por Grande Otelo e Erivelto Martins.

Flagrantes

Manter os flagrantes da vida real inclue a determinação de não rasgar ou deletar fotos. Se não suporta aquela pessoa que jurou estar perto de você (para sempre?) deposita a imagem da personagem numa caixa, bem guardada numa gaveta. As gavetas têm esta função útil e colaboradora.

Vez em quando, num ataque de limpeza, remexer armários com a (des)arrumação rotineira, flagrar um instante ou um clique da vida, é uma releitura fascinante. Aquele sorriso esquecido, o olhar distante, os amigos da escola, a formatura, o casamento, os vizinhos, os filhos pequenos...

Costumo divertir-me quando olho para a foto dos 15 anos com aquele cabelo enorme - ia até abaixo da cintura- arrumados num coque(não sei o que passava na cabeça da cabeleireira) fazendo aquele monte tipo Amy Winehouse.

Dia desses, sabe quem vi? Nonato Albuquerque, bem magrinho, mais cabeludo e com o seu bigode de sempre. Pena que não escaniei a foto para dividir com o pensador do momento.

Sexo mal educado

Vi no Fantástico matéria sobre determinação do governo britânico a respeito da disciplina educação sexual para crianças com sete anos de idade. A pecha de polêmico se aplica sobre o tema, porque tudo que envolve sexo e moral é visto assim.

Cismo o pensar sobre a falta de discussão a respeito da programação da TV em horário considerado infantil. Tenho três filhos nunca me fizeram tal questionamento. As crianças desde cedo são estimuladas por "informações" equivocadas.


O que eu percebo (com a minha curta visão) é de que há uma grande confusão sobre educação. Quando menina, a menstruação surpreendeu minha mãe que recomendou segredo. Lembro que na adolescência ao pedir ao meu pai que comprasse um pacote de absorventes, por pouco, muito pouco não levei uma "boa" sova. Naquele tempo(?) sexo era sujo, tema embargado.

Reinado infantil

O sonho da mãe é colocar os filhos num pedestal. Na realidade, os pedestais existem a escolher ou deixar à própria sorte. Fico meio amarga quando vejo matérias indicando criança como rainha de bateria de escola de samba. O que a faz eleita? A discussão vai além do que pode significar tal posto, mas aonde estamos colocando o nosso público infantil?

"Oh, que coisa mais linda e cheia de graça?" Quem de nós pensa assim olhando através do vidro do carro aquela ou aquele malabarista no meio da pista, cruzando o nosso caminho e a gente de olho no atalho? As nossas crianças são engraçadinhas, fofuchas, boas de apertar quando saudáveis, alimentadas e agressivas no verbo (coisa de criança).
Sei não, mas ando assombrada. Acordei no meio da noite ouvindo o barulho da chuva. Foi um dia quente, eis a razão pela qual água do céu despenca sobre o teto. Um pensar me assusta e vejo(em cores) a água que toma conta de São Paulo, cidade poderosa, onde grande parte da população engorda os cofres de bancos, salários altos e posses sem cálculos.

A água me faz medo, nem sei por que o signo é de peixes. Nem sei nadar... quase perco o sono, quase pulo da cama para ver se não existia água escoando por algum local da casa. Experiência nada feliz vem a mente.

Acho que sou a única cearense que não fica feliz com chuva.E o que pensar dos moradores próximos ao arrepio das prioridades, com suas casas e o olhos alagados, que servem como pautas repetitivas?

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...