Sem imagens

Construí este blog para expressar o pensamento. Dar voz ao pensar. E muitas vezes - confesso - que tomo susto quando libero as comportas do aglutinado que tenho no cérebro. A facilidade com a qual escrevo, flui certas opiniões(ou seriam conhecimentos) sobre mim, que nem sempre percebo.

Estava agora cismando o flagrante de ser extremamente intolerante. Como isso doi! A cabeça ferve diante do que penso ser injustiça. Mas, é o meu sentir, todo meu, que mesmo que alguém da convivência queira experimentar, jamais saberá o gosto real alimentado pela minha bagagem de experiências.

O que mais me deixa incrivelmente intolerante é o desrespeito à condição humana. Por que será que tantos me subestimam e por que outros tantos me superestimam?

Tudo para não ser visto

De vez em quando passo algumas horas diante da TV não paga(quase nenhuma diferença) para acompanhar algumas novelas. E vou sempre atrás do que a Globo oferece. Tirando as caras fenomenalmente trabalhadas do elenco global, as situações apresentadas frustam com relação à expectativa do imaginário.

Traição é sempre o mesma tema. E a iniciativa envolve todos os membros das famílias criadas. Pai que trai a mãe, mãe que esconde do filho a paternidade, amigas nem tanto disputando maridos... Até aqui, qual a riqueza de Viver a vida?

Excluindo a realidade mostrada a cada fim de capítulo apresentado, os resumos reais são bem mais ricos, mais humanos do que a raiva que me provoca aquele personagem infantil. Não sei qual o propósito do autor, mas criança mau caráter não cai bem num país que soma milhares delas nas ruas, nos becos e no lugar mais frequente do esquecimento.

Falando sozinha

Eu odeio pouca coisa. Mas, se ódio é ficar trancando dentes e dizer palavrões, aquela secretária virtual de certa operadora de telefonia tem esse poder. Ah, se tem!

Mas, mesmo com raiva, ainda consigo rir quando ao dizer uma palavra que não repito na frente dos meus netos, vem a vozinha “não estou entendendo. Você pode repetir?” Mas, é claro que eu repito e só paro quando percebo que estou falando sozinha.

Pois é, esta é a constatação. Esses serviços de telefonia são peritos em nos deixar falando sozinhos.

Bate boca

Pensamento preso e língua solta. Muitas vezes me pego assim. Quando a peça viva da boca bate sem parar, o pensar lateja, acionando o freio do sentimento, nem sempre próprio para o momento. Sinceramente, nem sei se sou quando assim me questionam. Isso, porque a sinceridade nem sempre é o que o outro quer ouvir.

O objetivo pensado fica aguardando download do sonho, o homem liberto da carne, ganhando grilões nas sombras. As vezes sou tão estranha que a imagem do espelho não confere. Se eu pudesse dizer o que sinto, ou se arriscasse a dizê-lo, será que esse espaço continuaria?

Refolia


O Carnaval tá bem aí pertinho e volto ao tempo em que os sujos davam medo. Eles zurravam de mim. No ônibus, tremia quando algum brincante sorria do susto estampado na cara. Garotinha boba. O Carnaval daquela época era muito mais rico do que as roupas(?) caras de hoje. A fantasia inútil que tantos vestem numa proximidade luxuriante, perde o valor depois do último toque da batucada.

Estava passeando no tempo dos carnavais antigos realizados no país. Ouvi o Zumzum da garganta saudável de Dalva de Oliveira, que escondia um grande conflito interno; depois o grito de retorno na carreira, pedindo paz, entoando Bandeira branca. Antes, Máscara negra era o seu convite.

Nem cheguei a conhecer de perto o fardo dos dias de folia quando menina, mas uma melancólica lembrança do que não experienciei me invade. Vai ver sou Amélia do Ataulfo Alves; a Maria com sua lata d'água; frequentadora da Praça 11 defendida por Grande Otelo e Erivelto Martins.

Flagrantes

Manter os flagrantes da vida real inclue a determinação de não rasgar ou deletar fotos. Se não suporta aquela pessoa que jurou estar perto de você (para sempre?) deposita a imagem da personagem numa caixa, bem guardada numa gaveta. As gavetas têm esta função útil e colaboradora.

Vez em quando, num ataque de limpeza, remexer armários com a (des)arrumação rotineira, flagrar um instante ou um clique da vida, é uma releitura fascinante. Aquele sorriso esquecido, o olhar distante, os amigos da escola, a formatura, o casamento, os vizinhos, os filhos pequenos...

Costumo divertir-me quando olho para a foto dos 15 anos com aquele cabelo enorme - ia até abaixo da cintura- arrumados num coque(não sei o que passava na cabeça da cabeleireira) fazendo aquele monte tipo Amy Winehouse.

Dia desses, sabe quem vi? Nonato Albuquerque, bem magrinho, mais cabeludo e com o seu bigode de sempre. Pena que não escaniei a foto para dividir com o pensador do momento.

Sexo mal educado

Vi no Fantástico matéria sobre determinação do governo britânico a respeito da disciplina educação sexual para crianças com sete anos de idade. A pecha de polêmico se aplica sobre o tema, porque tudo que envolve sexo e moral é visto assim.

Cismo o pensar sobre a falta de discussão a respeito da programação da TV em horário considerado infantil. Tenho três filhos nunca me fizeram tal questionamento. As crianças desde cedo são estimuladas por "informações" equivocadas.


O que eu percebo (com a minha curta visão) é de que há uma grande confusão sobre educação. Quando menina, a menstruação surpreendeu minha mãe que recomendou segredo. Lembro que na adolescência ao pedir ao meu pai que comprasse um pacote de absorventes, por pouco, muito pouco não levei uma "boa" sova. Naquele tempo(?) sexo era sujo, tema embargado.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...