Tempestade

Na convivência que busco pacífica, quero ser a rocha recebendo a força do mar, lembrando que em muitos momentos, fui a fúria da onda.

A areia da praia é firme apesar de estar em movimento contínuo.

É na praia que o mar encontra asilo, não importa a intensidade do vento.

Sinais

De vez em quando tenho sinais do amadurecimento. Um deles, finalmente visto, é deixar o outro caminhar com suas pernas, mesmo pedindo apoio.

Aliás, apoio só é bem vindo quando solicitado.

Amadurecer é esperar o momento oportuno.

Outro sinal é sofrer apenas com males que suporto.

Os males do outro devem ser experienciados pelo outro. E quando concordo com tudo que o outro diz é porque não estou lhe dando ouvidos.

Adisiando

A rádio FM Assembleia tem recebido semanalmente a visita de alunos de ensino fundamental. Eles vêm conhecer o painel Narcélio Limaverde, que conta a história do rádio no Brasil. Os 17 metros de história nem sempre são olhados com a curiosidade que defendo.

No entanto, ao lembrar da adolescência certifico-me que nesse período, o nosso olhar é amplo e aparentemente disperso. Como diz Leon Dennis, a adolescência pode ser comparada a uma grande floresta. Cheia de vida, temperança e com muitos frutos ainda a amarelar.

O painel tem a cor do passado com o brilho do presente. Quem não tira os olhos de mim é Adísia Sá, a minha professora de sempre. Gosto de conversar com imagens. Sempre estou lhe perguntando sobre algo e chego até a ouví-la dizendo: "Abreu, a pior censura é a que você pode fazer a si mesma. Não se auto-censure". Conselho ouvido, conselho posto.

O diabo do um mais um

Estava vendo o celular sempre ao lado e à mão. Uma imagem guardada no cartão de memória foi transportada para o e-mail. Durante o transporte de poucos minutos, o sorriso não amarelou, continuou firme, assim como parece o teu ombro sustentando a minha cabeça. De repente, lembrei da segurança que sentia, mas não fiquei triste.

A foto não ficará rota, mas a esperança de um convívio sim. Sinto falta do companheiro esquecendo-me que as relações em muitas ocasiões são transportes e nós as bagagens que podem se extraviar sem ninguem para reclamar.

O pensar lateja, reclama, mas reconhece que hoje num encontro fortuito se o olhar não corresponde ao humor merecido, nada tenho que remendar.

Informações na urna

Estou sendo atacada. A minha caixa postal está carregada de e-mails a favor e contra os presidenciáveis da República do Brasil. E eu, que continuo em dúvida, duvido que o medo de cometer mais um erro, me deixe tão cedo. As inúmeras informações de quem fez e o que faz e o que promete bombardeiam o pensar.

Estava matutando uma forma de escapar do assédio, mas não posso bloquear amigos, são os meus contatos favoritos. E se apagar todos sem ler? A curiosidade não deixa. Só há uma forma de "escapar" é dar ouvidos aos mensageiros que a prece sempre costuma trazer.

Deus ajude-nos e auxilie com a luz do discernimento e da sensatez o eleito.

Criancice

Hoje sei que deixei a infância para longe.

Nesse esconde-esconde perdi a conta do tempo.

Quem dera gargalhar chorando como das outras vezes, que para isso bastava ganhar um bombom.

O pequeno é grande

O sonho do pequeno é ser grande. E ser pequeno é o pesadelo do grande. Este pensar me veio socorrer as inúmeras reflexões neste momento transitório da política. Nem tanto nem tão pouco tem sido a medida do bom senso. Eu não gosto de lamentar, mas a natureza do reclamar tem me acompanhado ainda.

Como pessoa abraço todas as boas ideias, mas como eleitora sou cabreira. Acredito que dias melhores sempre virão, até mesmo para os incrédulos. Aprendi com o tempo que tudo o que nos ocorre é absolutamente necessário para entender o universo dos acontecimentos. Nessa escola, toda a lição é aprendida de acordo com os nossos interesses.


Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...