Enjoei, tô dispensando...

Eu já estou de saco cheio com os convites midiáticos de ter corpo definido.

Se for para me submeter ao bisturi para retirar gorduras(resultado de anos de comilança boa em companhia de amigos mil)...

Esvaziar-me das bebidas geladas que garantiram(e garantem) gargalhadas,  conversas jogadas fora e também aconchego familiar...

Para caber no número 38(qual o problema com os quarentas?);  carregar pesos num frenesi para endurecer músculos que não resistem ao tempo e se penduram embaixo dos meus braços.

Qual é o problema de envelhecer, ficar flácida? De que adianta cortar tiras e mais tiras de pele, esticar-me toda, entupir o rosto de germes(botox), isso tudo pra atender quem eu não conheço e resolveu ditar-me modos de vida?

Enjoei! Nunca fui magricela, tive o meu tempo de gostosa e, confesso, nada conferi de melhoria pessoal com isso. Hoje estou pra ser vista muito além do que a calça jeans esconde ou realça, dependendo de quem me vê.

A propósito, nem sempre quem me olha, me vê, de fato.

No voo

Os pássaros sempre me atrairam. Pela cor, pela garra, pela ausência de medo de altura.

Pelo equilíbrio, pela distância que conquistam com velocidade acima do que eu posso.

Pela precisão do destino, pelo pousar no galho fino da planta, pelo desapego do ancoradouro.

Pelo retorno ao refúgio e pela família que não se prende e mesmo assim sobrevive.

O pequeno ovo que abriga o ser plumado com seu enorme bico, com fome de alçar outros voos.

Dou asas à imaginação. Penso em muitos que apenas bicam o grão para continuar alimentando a força midiática da magreza.

No uso da tesoura que apara as pontas das asas e faz prostrar em terra os sonhos.

Eu amo os pássaros, por isso, só apenas deixo na gaiola o que não dou crédito.

Do exílio

Quando estou me dando pra alguem sinto enorme saudade de mim.

É tão flagrante o sentimento! E só me dou conta disso quando a pessoa se afasta, seja temporariamente ou pra sempre!

Cismo o pensar: será que me basto?

Percebo que é preciso abrir guarda para deixar o outro chegar. É a tal porta entreaberta, com o fecho a prova de ladrão.

Já me senti muito ausente durante longas temporadas em que me dei.

Fui com tanta vontade que esqueci de voltar. Mas, o caminho, uma vez trilhado, é recordado e cá estou de volta, me abraçando com vontade. Saio do exílio e retorno à pátria com minhas divagações e constatações.

É um exercício fecundo. Cuidar não é tomar conta.

Ser feliz é...


Não consigo responder de imediato, quando me perguntam se sou feliz. Penso e a primeira imagem que me vem foi a alegria e o sentimento libertador que me transportaram para uma sensação estranha, mas gostosa: a leitura. A alegria infantil de conhecer letras e formar palavras, com sentidos verdadeiros para mim.

Quando realmente aprendi a ler e, depois a escrever - De repente vi que já sabia, mas que ignorava esse conhecimento latente em mim. Foi uma experiência estranha, mas saborosa.

Normalmente sou conhecida como uma pessoa alegre, que dá risadas estrondosas, chego a explodir dessa alegria, regada de muitas falas, que nem sempre expressam o meu real sentir. E há muito descobri que alegria não é necessariamente felicidade. Eu já sabia de tudo isso.

Então, aprendi e hoje sei que é real, que a felicidade é minha, minha responsabilidade, meu reduto de realização. Algo íntimo, uma conquista real da fé que tenho em mim, por saber que há uma força dizendo para continuar. E essa aposta transcende a minha compreensão. A felicidade só não é real quando atribuímos a algo fora de nós mesmos.






De lua virada

A cor densa o pensar. Carrega nas matizes e o ceu da esperança nubla a expectativa. Nem feliz, nem triste. É só um quadro em branco que se deixou tingir. Vermelho vivo.

Pelo sonho

Eu não quero nomear o amor que tenho. Eu só quero sentir.

Eu identifico um enorme bem, mesmo quando os abraços não mais apertam, quando o olhar é um desencontro.

Amar é um sonho. Sonho sempre. Os sonhos não envelhecem. Não engordam, não martirizam o pensar. É um afago, portanto, suave. É um piscar do olhar fixo na esperança. É uma miragem com base concreta. Desde muito sonho, tinjo de cores, afasto os pesares... Sonhar é preciso, como diz o poeta.

O meu sonho não interpreto. É o pincel da tela branca a espera da imagem, que se prende e se perpetua.Me tira do lugar comum sem dizer para onde me leva.

Por ai....

Quando eu tinha tempo pra florear  o jardim da vida ainda verde, criava estereótipos, amores leves e contínuos... O tempo se foi e continua correndo sem que eu o alcance no ritmo. Nesse ínterim até que poderia - sem muito pensar - acreditar nos retornos da memória, como se assim pudesse transformar realidades.

Quanto mais juvenis mais ousados somos. Deve ser por isso, que nessa estrada, olho mais para as linhas retas, quase ignorando as setas de atalhos. Se é pra seguir, que as paralelas nunca se encontrem, porque são assim a esperança e a realidade.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...