Dia do radialista




Estamos em festa, ainda, porque fazer rádio é estar pronto para qualquer eventualidade. É também saber reconhecer os valores humanos e, notadamente, o comportamento das pessoas.


Nós, que hoje festejamos o dia do radialista, lei sancionada em 2006, pelo presidente Lula, nem sempre nos damos conta da data. É porque mudou e por estarmos tão envolvidos em fatos outros.


Costumo pensar que ninguém é mais radialista do que o ouvinte. Estão sempre atentos e quando nos cobram, é para melhorar a programação. E também para lembrar que uma das principais razões de ser da mídia eletrônica é ouvir o outro.





O rádio é íntimo porque está mais próximo do pensar humano. Fala com quem ouve e tenta responder o que sente. É por isso, que está sempre ao pé do ouvido.

Parabéns!


Hoje a rádio FM Assembléia 96,7 completa um ano de atividades. Uma rádio que tudo leva muito a sério. Que faz parceria com o ouvinte que está aprendendo a ficar mais próximo da política. Porque todos nós somos, por excelência, políticos.


Políticos no sentido de compartilhar ações e atividades. Depois da TV Assembléia e do rádio, os eleitores passam a conhecer de mais perto o político em quem depositou o voto da confiança. Tem sido a forma mais democrática de se fazer comunicação. E os parlamentares, por sua vez, expôem com abertura as suas idéias e projetos.


A rádio FM Assembléia, um desafio constante, como toda mídia, na realidade, foi um grande presente para quem há cerca de três décadas curte rádio.

Feliz com apego?



Recebi e-mail com dicas para ser feliz. Uma das idéias é não levar a vida a sério. A frase só dá o que pensar porque não é específica. O que não deve ser levado a sério? Ou seria melhor indicar o que não deve ser levado muito a sério?


Como ser feliz sem levar alguém que faz parte da nossa vida a sério? Seria dar de ombros quando algo que não pode ser resolvido a contento? Seria fazer vista grossa? Seria por um ponto final numa frase que merece um parágrafo?


Seria dar um murro no espaço para afastar o palhaço da idéia de que só eu posso resolver algo, porque o agente incomodado sou eu mesma?


Não seria melhor dizer, não leve a vida com apego? Porque esse "sentimento" tem me causado dores terríveis, apesar de viver afirmando que não sou apegada, pelo menos, muito. São os tentáculos da equivocada conquista, da maternidade, da necessidade inventada...

Pula, pula






Recebo convite para divulgar o dia do saci pererê, que é comemorado em 31 de outubro. Abro o arquivo da infância e tento encontrar o menino arteiro de uma perna só nos meus sonhos de menina. Enquanto o dowload não é concluído, cismo o pensar para a infantilidade superficial da programação de hoje.


Lamento profundamente a falta de espaço e de oportunidades que as crianças desta década não experimentam. Pode até ser divertido usar o mouse para fazer o saci pular o tempo todo e aprontar com os desavisados, mas é bem diferente imaginá-lo no jardim, no quintal da nossa casa.


Fazer de conta que o cheiro do cachimbo daquele menino danado ou mesmo um assovio de assombro, fazendo a drenalina acelerar o batimento do coração. Pode até ser confortável a piscina coletiva de um grande condomínio, mas nada compensa a água gelada e convidativa de uma lagoa em meio ao sertão, como um grande bem quase único.


Pode ser saboroso o sorvete, mas foge longe do sabor natural da fruta comida enquanto se disputa o galho da árvore, que não nos rejeitava naquele tempo em que malinação era pular sem muito cuidado.


O saci é genuinamente brasileiro, assim como o desejo de que a criança possa experienciar a liberdade de andar descalça sem medo de pegar bicho, ou mesmo, sem se queimar no asfalto, no abandono do cuidado, do olhar materno atento.

Praias


Estava lendo há pouco sobre o desinteresse das pessoas com relação às praias. Digo, interesse de desfrutar da água salgada do mar e do sol. No século XIX, lá pelos idos 1820, no Rio de Janeiro, algumas pessoas faziam exercício e davam mergulhos fortuitos por indicação médica. Era o banho medicinal para revigorar as forças.




Só algum tempo depois, é que os cariocas saudáveis começaram a frequentar as praias, muito cedo, antes do sol nascer porque depois, quando o sol vinha saudá-los, não era de bom tom para moças e mulheres de família exporem a figura naquele ambiente que era frequentado por qualquer outro.




Alguns setores da sociedade reclamavam e não entendiam o interesse dos saudáveis em frequentar as praias vazias e distantes. Acreditava-se - veja só - que era apenas mais um modismo do Rio de Janeiro.




Hoje, bem diferente do que se apostava, toda a orla marítima do país é disputada, pedaço por pedaço, com sol alto, vida caliente e garante rendimentos inúmeros para diversos comércios, desde o vestuário a à alimentação e também moradias. As casas e apartamentos em arranha-céus não eram imaginados pelos que no início do século XIX, construiam suas residências de costas para o mar.




É por isso que hoje as praias, que ainda continuam escapando da ganância imobiliária, são consideradas exóticas.


Pedra


A cultura ainda dita que o trabalho físico, o que exige esforço físico, é para quem não usa o intelecto. E é por isso, que o pessoal do intelecto precisa pagar academias para por os músculos em ação. Que o estresse é o fruto da vida degenerativa, digo, vida sem movimentos.

O cérebro não tem músculo e não tem contra-indicação. Por isso mesmo, o homem para diminuir o excesso criou o botão, que abotoa, que trabalha por ele. Mas, para chegar ao botão, a humanidade carregou pedras, subiu montanhas a pé, levou raios e matou.

Já vai longe o tempo em que usava papel carbono e a maravilhosa copia ficava no arquivo. As vezes acho que o homem sente falta do suor derramado, do sol escaldante em roupas não próprias e dos calos que sangravam. Isso, porque os filmes que miram o futuro da humanidade sempre coloca o homem de volta ao passado, atritando pedras para conquistar o fogo, a grande descoberta.

Democracia


Aprendi em casa que quem tem ouvido ouve qualquer coisa. O pensar juiz, no entanto, vai editando as falas e deixando o que considero ser necessário, útil para mim. De vez em quando, tudo cai no umbigo, esse reduto fechado, que me castra o pensamento no outro.


Tem sido assim a razão de vários discursos até agora. Aquelas frases arrumadas, trincheiras do pensar coletivo. Não é meu nem seu, então posso estragar. Essa é a visão popular, os ditames daqueles que desconhecem as razões pelas quais o coletivo começa em si mesmo.


Por isso a depredação de praças; sucateamento de veículos; dilapidação do patrimônio público. Não é meu, não tem ninguem olhando, então, a ação individual é destruir. Quem pode administrar o coletivo se não nós mesmos?

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...