Antes, durante e depois da folia


Ah, eu sei você vai dizer que Carnaval é o reinado da irreverência. E eu digo: morrer não é irreverência. Portanto, no dia das Cinzas quero ver todos os meus amigos.


E no momento de oferecer ao público ouvinte o plantão da folia, nada de números de óbitos; afinal a vida é uma alegria sem fim, com os seus blocos animados; com a fantasia sem limites; com os arranjos com ou sem jeitinho; com luzes multicoloridas; com sorrisos e amassos; e acima de tudo, uma promessa infinda de evolução nas avenidas com interdição ou não.


Portanto, se a sua intenção é agir neste Carnaval como se fosse o último, tomando todas - menos conselho - faça uma reverência à criação. Seja uma criatura leal.

Amigas



Os homens bem que tentam, mas as mulheres chegam mais junto. Lembro das muitas amigas que nem sempre estão próximas, mas que nunca estão longe quando necessito. Há de todos modelos e formas. Há as do tipo mãezonas que vão logo cobrando uma ligação que não retornei, uma liquidação que perdi...


Outras animadas - te aluí Fabreu! - é o estímulo para continuar no páreo não importa qual seja o meu alvo. Há aquelas que só me mandam mensagens com uma reca de endereços eletrônicos, mas que não me causam ciúmes.


Há ainda aquelas que me mandam bombons, adoçam os meus instantes que se transformam em dia de gratidão. Eu tenho um monte de histórias para contar das minhas amiga. São tantas...


Lembro de uma noite, numa época em que eu roia por homem (não me leve a mal), ouvindo Betânia, na varanda, no fundo de uma rede acompanhada de uma gelada quase morna. O interfone me sacode daquele inferno roedor e tomo um susto: Que diabo é isso, Maria de Fátima? Você é a vergonha da classe. Levante-se , fique linda e vamos sair por aí. Julieta é assim. Foi a vez de Betânia ficar explodindo o coração sozinha.

Carnaval é desgaste musical


Estava pesquisando a respeito do carnaval. Em alguns momentos, no início dos anos 1930, até que era romântico, pelas vestes e pelas marchinhas, letras simples, com leve malícia. Fui acompanhando o evoluir da musicalidade até chegar nos anos 2000! Vamos ter mau gosto, mas assim é demais.




Sinceramente, não sei o que pode levar uma pessoa a pular, agitar os braços e fazer coro à Eguinha Pocotó e outras que não ouso agredir o leitor escrevendo os nomes. Vejo que a musicalidade brasileira desse período é degradante.


Embora, na verdade...


A verdade tem sido perseguida. É a meta dos verdadeiros. Ao longo da história da humanidade formou seguidores, nem sempre tão exatos. Morando na filosofia, cismo o pensar sobre o que vem a ser e o que vejo são as formas bem longe do conteudo.

Enquanto não a encontro vou dando ouvidos as protocolações: A verdade - dizem - as vezes dói. A verdade é necessária, mas ninguém se atreve a dizê-la. Hoje dei de frente com uma. Disseram-me de chofre, antes do café da manhã, que a pessoa temia que eu me tornasse dona da verdade. A expressão minimiza o sentimento de rejeição.

Mas, como ser dona da verdade se nem sempre sou verdadeira? O autor da frase, no mínimo desconhece o preconceito da forma que sou, moldura do my self verdadeiro.

A tal da camisinha


O Carnaval está chegando por aqui, e o que vemos? A cidade não se disfarça, a fantasia deve ter se esquecido em alguma quarta-feira de cinzas. Como não vou às festas do pré-carnaval, nem dou conta. Se não fosse a profissão e o interesse de divulgar o que ocorre por aí, o Zé Pereira sequer seria lembrado.


No trânsito, nos dias normais, nas vias que me levam ao trabalho, a propaganda na traseira do ônibus é o indicativo de que a folia está para chegar. A imagem de uma camisinha. Ato contínuo o pensar lateja lembrando as divergências entre autoriades médicas e a Igreja com relação à distribuição maciça do acessório num convite sensual.


Na minha opinião, o carnaval nem tem mais razão para ser de estrupício. Se faz isso o ano todo...

No quintal


O quintal aos domingos é um dos meus recantos prediletos. Logo pela manhã, o olhar corre célere em busca do verde que a janela escancara. Atendo ao convite do vento e debruçada, esqueço a dor do cotovelo - estou com lero cotovelar - e levo a distancia qualquer preocupação. O verde tem esse tom de mágico. Opera em mim o gesto leve, que me ergue, elevando-me do chão.


Em busca de um contato mais rasteiro, desço e piso com cuidado alguns buracos provocados pela chuva insistente no cimento não mais tão concreto. O que vejo! um passarinho sem vida, asinhas unidas ao corpo e os pequenos pés em suplica aos céus. De bico fechado para a natureza florida, longe dos doces das rosas.


Culpo o gato da vizinhança que sempre rouba comida da Melanie, a gata arisca que tenho em casa, mas que não mataria o pequeno ser. Nem ouso tocá-lo, deixo-o ali banhando-se de sol numa despedida sublime, resignado à ordem natural, e passo a insultar o mato que insiste em devorar a grama. Por que o que a gente não gosta rende tanto?

De um lado erva daninha, danando-se num desafio sem fim. Lá adiante, duas rosas vermelhas, ou melhor, encarnadas, fitam a natureza resistindo ao vento que sacode os galhos finos. Nada é mais tão belo. Vejo a minha vida: de um lado bem próximo a mim, ervas daninhas resistindo ao tempo e as tempéries, um pouco mais além, rosas, num convite a beleza.

No anonimato


Sempre quis saber do que os outros falam, do que gostam e - por que não - o que pensam de mim. Depois de conhecer mais de perto o pensar do outro fiquei reticente. Vale mesmo a pena ouvir o que falam? Nem sempre agrada o perfil traçado. Nessa montagem do outro, o sentimento insiste disfarçar o que está guardado lá dentro do imo.


Por isso os comentários dos posts me atraem. Muitas vezes são tão bons e mais atrativos do que o autor escreve. Em alguns momentos, intrigam-me os anônimos. Percebe-se que os que levam essa assinaturas são mais audazes. No anomimato, escondido, posso soltar o verbo e não ter que responder por isso?


Pode até representar ganhos, mas e quanto ao retorno? Interessante é conferir os posicionamentos de anônimos que brigam entre si. Uma matéria intrigante é prato cheio para degustar com salivas arrojadas, esverdeadas. O que seria do veneno - penso agora - se não pudesse ser destilado de vez em quando? Na fortuita escapada, dorme desconhecido por mais que sentido.




IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...