Inquietude



Estou voltando depois de uma ausência absolutamente justificável. Feriados não combinam com a minha rotina. Atrapalham o ritmo da vida: ocupo-me e sou ocupada por tantos afãs. Interessante, mas é preciso admitir que estou voltada para o trabalho.


Não consigo ficar quieta. Até quando me deito prazerosamente na minha rede branca com rosas pintadas, bem coloridas, tenho que ler ou gasto bateria do controle remoto. Ou seja, preciso estar ocupada para fazer sentido este viver nem sempre pacífico.


As vezes o pensar assalta-me com relação a uma possivel limitação cerebral - ou o tal do suíço que ameaça as mulheres com mais de 50 anos - como sobreviveria assim? Apesar de querer manter distância, o tal estrangeiro bem conhecido da intimidade alienada de muitas mulheres, é um sombra no final do túnel.

Dia do jornalista



O dia do Jornalista é também dia da saúde. O que diria o jornalista fora do mercado, que desemprego faz mal à saúde? E o emprego, melhora a vida? Não sei não. Quando me perguntaram para que a minha filha, Érica, teria feito vestibular, respondi com segurança: comunicação social. Espanto da amiga do momento. Credo! Por que você deixou?

A minha companheira se referia ao salário. A gente que escreve todos os dias, que informa o tempo todo, que corre atrás do fato, que briga para segurar a opinião; que vibra quando fura outra mídia...

Lembro do primeiro salário de Érica. Mãeee que mixaria! - foi mais ou menos assim, considerando que não posso repetir por falta de memória de todas as palavras que ela falou. Isso, porque jornalista tem uma necessidade enorme de exprimir a opinião com todos os argumentos científicos possíveis...

Lembro ainda que sorri de leve - coisa dificil para mim porque gosto mesmo é da gargalhada rasgada - dizendo que tudo isso pode melhorar um dia. Quando Érica era pequena gostava mesmo era de furar com os dedinhos as carinhas de bichinhos que eu fazia dos bolos de encomenda para aniversários de crianças.

É, ser jornalista é sempre correr atrás também de um ganho extra. Afinal, qual jornalista vive sem extras?????

A propósito: A imagem acima é flagrante de uma cobertura que Érica fazia sobre uma festa para a terceira idade. A animação contagiante da participante envolveu a repórter.

Secreto



A felicidade é um desejo cantado aos vários cantos do mundo. O caminho para chegar lá é uma jura secreta. Eis o mistério que abraço. Que encerro o desejo, o advir que foge no dia-a-dia maculado pela irritante tarefa de sobreviver na Capital com um curto capital.


É por isso que brado - e não faço mistério - a vontade de escapar das cobranças e dos cobradores. Dinheiro a gente paga. Gente não se paga com juros, mas com juras secretas.

Chega de mágoa


Neste mundo Terra, em que a mulher já sustenta a família e conquista, com dificuldades, o seu lugar no mercado de trabalho, continua sendo espancada e assassinada pelos maridos, companheiros e a quem ela escolhe, num momento de paixão, conviver.


Penso em castigo: a mulher bela, disposta, absolutamente feminina paga um preço alto por isso. Olho para o macho: arrogante, pretensioso e incapaz de discernir que conviver é reunir vontade de progresso.


Não, não é um discurso feminista. É um desabafo!

Alma gêmea


Nem sempre ouvimos quando queremos ou o que queremos. Sendo assim, a porta aberta permite a entrada de verbos conjugando frases soltas. Hoje ouvi alguém suplicar por uma alma gêmea. A pessoa em questão estava saindo ou tentando sair de uma relação que ela julga complicada.


Não nascemos para sofrer e por isso mesmo vivemos dando xô ao sofrimento. Contudo, estar com a alma gêmea não significa necessariamente viver sem complicação, sem cobranças, sem ser chato. Como querer viver em paz se não sabemos ainda o que seja viver plenamente no sossego que a vida futura promete?


Eu, sinceramente, não saberia viver em paz, na solicitude da irmandade, fraternalmente, conjugando um lar harmonioso. Destarte o querer imenso, mas ainda buliçosa na mente e desconectada com o equilíbrio do universo que estou para conhecer.


Portanto, creio que as nossas relações complicadas são mais aquelas lições que a escola Terra nos apresenta. E é no exercício dessas tarefas, e nos cursos que repito insistentemente que eu tento ser feliz querendo que o outro seja o perfil ideal. Longe do romantismo, da ilusão equivocada de um par perfeito, - aliás acredito que o perfeitinho seria até irritante - estou mais agora para já que é você, então é você mesmo!

Chuva de lixo


Sou natural de uma terra de pessoas valentes, dispostas e crentes em mudança. Contudo, ainda não sabemos lidar com o clima. E isso, pelo que se sente, é comum na Terra. Somos do semi-árido. As chuvas ocasionais nos proporcionam alegria e transtornos.


Esse discurso cansa. Assim como cansados estão os que moram em lugares considerados de risco. As famosas áreas de riscos. Só que as águas de março vão muito mais além. Ontem, a chuva maior do ano, que banhou a Cidade com um gosto incrível, provocou desassossego. Tantos "esses" nessa palavra não causam em nós ainda despertar para o tamanho necessário de cuidados.


As galerias por onde deveriam escoar a água em excesso - até parece meio louco afirmar que no Ceará chove em excesso - estão com o caminho obstruído por lixo. Veja só. Então o problema nunca é provocado pelas bem vindas chuvas, mas por nós que não sabemos também lidar com os restos, com as sobras...


Nem preciso sair pela Cidade para constatar o quanto somos ingratos com relação a nossa casa. No quarteirão da rua onde moro, as ruas são tomadas de lixo e não é porque não exista coleta, ela está no calendário, cumprindo o seu cronograma. No entanto, não dá para vencer a insana deslealdade de jogar no mato - que hoje é a calçada, a rua - as sobras de casa.


Enquanto isso, a natureza continua cumprindo a sua lei natural.

Feijão com arroz: o prato que deu certo!



O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome lançou, em dezembro do ano passado, a campanha permanente Brasil que Dá Gosto. A intenção é a cada ano mostrar a população a importância sobre a educação alimentar. Neste ano o foco será o arroz e o feijão, dois alimentos que possuem uma importante combinação nutritiva.


Como sempre me ocorre, o pensar voa no tempo em marcha a ré. Vejo-me menina, fazendo bico para não comer o feijão de corda. Era coisa de pobre. E o que diabo eu era? A mesma rejeição se repetia diante do prato de sopa e de peixe. Aí não eram mais coisas de pobre no meu pensar infantil, mas era porque danadinha, ganhava as ruas e ficava com uma fome enorme e demorava a dormir.


Até hoje não sei porque cargas d'água o feijão verde - o disputado prato da atualidade - era objeto de pouca estima para mim.


Hoje, como feijão com arroz e me sinto ricamente alimentada pela consciência da consistência desses dois produtos.


Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...