Iracema

Eu poderia começar este texto de diversas formas. Mas, optei por ainda bem. Ainda bem que o maior patrimônio do homem é ele mesmo. O somatório das experiências bem ou mal sucedidas; as emoções sobrecarregadas ou as mais leves; o infortúnio (nada mais desafiante e enriquecedor) e o prazer. Sim, o prazer! O que nos leva a crer a vitória conquistada. 

Estava ainda sob o êxtase da vivência feliz do encontro de amigos. Foi assim que senti -e sou fiel as minhas impressões-, do lançamento do livro da minha grande mestra Adísia Sá. O livro Em Busca de Iracema ainda não foi devorado pelos olhos como merece a obra(uma virose cruel roubou-me esse direito que logo mais terei) assim que puder usufruir esse afã. 

Não mais que de repente na primeira página do Jornal O Povo eis o que vejo: a estátua de Iracema, a nossa virgem mais uma vez vilependiada: deceparam-lhe as mãos e lhe arrancaram o arco. Uma personagem cearense agredida na sua pureza criativa. E cismo o pensar sobre qual seria o prazer da destruição senão o desejo de quebrar a si mesmo. 

Fixando a foto de Adísia Sá no painel da rádio FM Assembleia, com o seu par de olhos a perscrutarem a minha exaltação, suplico uma resposta e  quase posso ouvir suas afirmativas – sim, Adísia não fala apenas, ela sempre afirma: Abreu, não espere que os outros faça o que você acredita. Faça você mesma.

... felizes para sempre."

O felizes para sempre das estórias infantis perseguem a "noção" de caminhar a dois. No livro colorido da vida no reino da felicidade, o casal se encontra em meio a diversidades. Tão diferentes e tão próximos! Num piscar de olhos , a certeza do querer ficar juntos. Batalha sangrenta segue na velocidade do líquido formado por hémaceas, bombeados por um coração célere.

É um amar e sofrer que explode depois de longo tempo dormindo no ser. As mãos dadas e as testas coladas numa promessa de sou seu(sua) para sempre encerra um capítulo de dias conturbados. Mas, a história continua. Vem as séries porque o desejo de espelhar-se na inventiva rotina dos personagens no papel, precisa criar vida e neles encontrar  o nosso perfil.

Pra mim, (no enlevo da vida a dois), caminhar de costas,  com o olhar num futuro infindo, com os dedos entrelaçados é a figura que persigo. Sobram batalhas e falta um fim para esta vida infinita.

A respeito da mulher

Até agora tenho ouvido, retrucado, apoiado e consentido o que diz respeito a mulher. Se não vejamos: é impossível esquecer a menina que fui, assutada. Toda a infância foi sob o regime do medo. A lei Se não for apanha acompanhou-me até na brincadeira de roda.

Na adolescência, aquele misto reuniu-se e ficou mais fortalecido com as surpresas hormonais. Como saber o que ocorria em mim sem puder perguntar porque era proibido e até pecado?

Fiquei madura sem ser "de vez"(termo utilizado na agricultura quando a fruta está para amadurecer). Fui mãe! Seios crescidos e fontes de alimento, quase censurados sob a ameaça de mulher menina tem que continuar bonita. E a resposta para maternidade que nos eleva aos ceus e nos derruba na estética?

A maturidade teve o carboreto da infantil ingenuidade. Eis-me agora: nem sempre resoluta, mas com muito menos medo.

Se perguntar qual época identifico-me mais feliz, digo que a felicidade é estar viva, atenta a tudo o que os sentidos permitem cheirar, ouvir, saborear, tocar. Ter nascido na década em que a opressão era uma rotina e hoje desfrutar de tantos "privilégios" é reunir uma bagagem vasta e nunca exaurida.

Ah, se te pego!

Nada é mais fugaz do que a inteligência com a sabedoria em disputa. Gosto de jogar a pedra no lago do esquecimento e buscar nas ondas circulares, que se formam, algum arquivo naufragado na ilha paradisiaca da minha rica existência.

Busco no vendaval sem fim dos pensares, algum momento em que eu tenha apreciado algo que não fosse a decência da arte.

Dizem que o artista obsceniza a criação. Na realidade, sinto um desnudar. Nada é mais louvável do que o uso da mão para lapidar imagens em pedras brutas!

Não há quem seja mais confiável do que o poeta que transforma realidade em sonho, despistando o pesadelo da solidão.

Portanto, não me insulte com textos piegas!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...