Cebola

 A cebola faz  chorar. E quando é motivo de alegria, vira notícia. 


Está nas primeiras páginas da nossa mídia, sempre atenta para flagrar, registrar a angústia nossa e os poucos prazeres do dia a dia. 

Você correria e trocaria até tapas para pegar a quantidade maior de cebola em um supermercado? A resposta mais óbvia poderia ser: Não! mas quando se vive numa época em que comer está sendo um dos maiores desafios, até para quem ganha bem, comprar algo que cabe no orçamento é imperdível! 

Vejo aqui, no conforto da cadeira e com ajuda do notebook, a correria e faço um esforço para não me espantar. Não diante da briga dos clientes de um supermercado no Distrito Federal  que na inauguração vendia o quilo da cebola por 99 centavos. 

Isso é loucura? É ilógico? Claro que não! Quem já entrou em um supermercado necessitando de tudo em casa e sem nenhum recurso financeiro, sabe muito bem, o que é ser a angústia de comer só com os olhos. Essa situação é um grande alerta para um povo que grita de fome.

Uma vez em casa, para os que conseguiram comprar e pagar à vista o produto desejado,  terá o complemento para usar a hortaliça? A cebola cai bem em tudo o que se prepara na cozinha, mas, há isso?

Envelhecer


O tempo não pára. 

Quem não sabe disso? 

E quem não deseja loucamente segurá-lo? 

Quando o tempo mostra sua cara diante do espelho real, a fantasia grita porque quer a adolescência dos sentimentos. 

O que é permitido para alguém que nem mais cora diante de algo que antes mexeria com a sua libido? É prova de maturidade? É irreal? 

Não me olhava tanto assim no espelho, pelo menos não lembro por quanto tempo aproveito a imagem refletida e busco reflexões. 

Ainda estou muito estranha. Quem é você? Este corpo me pertence? Por que não acompanhei? É tudo tão efêmero hoje! A embalagem conta mais que o presente? 

Lembro que costumava guardar as sacolas bem feitas, coloridas, os laços de fitas. Acho que numa tentativa de segurar o tempo. Só que depois de algum tempo guardadas perdiam o colorido e eu me desfazia. 

Será que conseguirei sem muitas noias jogar fora os laços que desbotaram e hoje necessitam de um desligamento? 

Quero me reciclar. Como preciso!

Sorrindo enquanto caminho

Como costumo caminhar. 

Há dias sem  sol que escorrego no piso tentando ser forte. 

Noutros, faço trilhas e vou deixando no caminho migalhas de pensamentos enfadonhos, mas sempre mudo o retorno em busca de novas inspirações. 

Nem sempre é possível respirar plenamente. Tem vez que esqueço o pulmão da vida e prendo o ar dentro de mim. Noutras manhãs sou que nem John Travolta, no filme Embalos de Sábado a Noite- caminho pisando forte e rebolando. 

Uma sensação musical de amplidão me envolve. E sorrio. Você costuma sorrir sozinha? Sem querer dividir? 

Ah, eu nunca estou sozinha. A cabeça cheia de pensares e converso, boto pra fora a alegria do momento. Sentir a brisa, jogar cabelos ao vento... dar ouvidos à felicidade íntima que grita por liberdade. 

Ah, os passos que já dei, como me levaram a caminhos múltiplos. A maioria, nem precisei comprar o bilhete do trem azul, fui me permitindo para o que costumam dizer: sonhar... Mas, que nada, a minha alegria é real!

Perfilando

 


O lado bonito é o que quero mostrar, sempre! 

Tive esse alerta ao olhar as redes sociais. É muito difícil ver um sorriso mal colocado, uma foto sem filtros. 

Todos nós queremos ser belos. E isso não é novo, não! 

Por que guardamos a melhor roupa para sairmos, enquanto no dia-a-dia o rotineiro é usar qualquer coisa que nos sirva? E aquela toalha bonita, que guardamos para as visitas, os serviços de mesa? 

A gente sempre quis estar bem na "fita" sem parar para pensar por que fazemos isso? De onde vem? 

Quando garota, lembro que minha mãe insistia que devemos receber bem as pessoas. Que as visitas são um grande presente para a casa e também para nós. Mesmo sem ter a permissão de ficar na sala participando das conversas que eram só para adultos, estava sempre com a minha melhor roupa para receber. 

É isso! Sempre estar pronta para a recepção. 

E quanto ao íntimo. Estaria eu me fazendo bonita? Recepcionando o que me ocorre?

Revendo pensares


Na onda do Podcast - a qual aderi - revejo e dou voz a antigos posts do blog O Pensar. 

Hoje, relendo em busca de algo que tivesse a ver com o humor do dia, vejo comentários de pessoas que se fazem acreditar por conta da bagagem literária e de experiências. E fiquei pensando: puxa vida, por que parei de postar? 

Por que não deu ouvidos, dedos, voz, aos meus pensamentos? 

Nem vou aqui lamentar! Só escrevo seguindo a ordem da intuição. 

Sim! porque escrever pra mim e dedilhar os ditados da mente e seguir sem interrupção as letras, minhas grandes amigas nesta caminhada longa da vida. 


E seria longa mesmo? 

Quando a gente beira os 70 anos, acha que ainda tem muita estrada a percorrer. E você vai deixar para o outro o seu caminho? Claro que não!

A despeito

 Hoje vou falar sobre a minha relação com o despeito. 

Inicio dizendo que só agora estou começando a entender de como esse sentimento tem sido útil. 

Quando não percebia a sua grandeza - se é que se pode chamar de grande - ficava com raiva e, despeito mesmo do agente que me provocava soltando- não sei se por querer - o gatilho. 

Quanto tempo fiquei assim despeitada? 

Ainda hoje o bichinho se exibe, maroto, perguntando-me se acho que cresci. 

Pois não é, que ainda preciso arrancar  ervas daninhas do meu jardim! 

Ah, despeito, seja mais uma vez bem vindo ao meu pensar. Estou quase fechando parceria eterna. Mas, não quero ficar de muxoxo o tempo todo. 

Mas, pensando bem, a despeito de tudo, só o que me incomoda me faz crescer, de verdade.

Pela paz+


Eu sempre tive medo de guerras! Agradecia a Deus ter nascido depois do grande abalo que o mundo viveu na década dos anos 1940. O pavor era com relação à possibilidade de uma crise mundial. 

O tempo foi passando e acompanho os bélicos motivos que levam o homem a matar, a morrer por um ideal... que, será que compreendo?

Ainda estamos procurando imunidade para um vírus que uniu o mundo, o Planeta na busca da salvação. Já se fala em modificar a nomenclatura do ataque virótico para algo mais contido. Mas, quem contém a vontade da destruição? 

Fico me perguntando até quando, nós seres humanos, iremos continuar cegos diante da ilusão do poder? 

Quando perceberemos que a destruição do outro não nos fará crescer? E, uma vez, acreditando crescidos, o que faremos em seguida? 

Mais uma vez elevando as mãos aos céus em busca de discernimento. Que a paz do mundo comece em mim.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...