Muitas vezes eu faço até um pouco de esforço para não viver com o pé no passado.
Mas quem esquece? Você pode até esquecer detalhes, datas. Eu, por exemplo, não sou boa em datas.
Por isso que, nem sempre, eu não sei quando irei escrever um livro de memórias. A grande desculpa são as sensações, porque eu guardo as sensações. Eu gosto do impacto dessas coisas que ocorrem no dia a dia. As adversidades, as alegrias, todo tipo de emoção, eu guardo. Elas ficam lá dentro, tem um arquivo, deve ter um arquivo enorme.
E, no último sábado, 19/09, eu tive uma experiência tão linda. A princípio fiquei até mais ansiosa do que a minha neta, Mariana.
Fui levá-la, a pedido da mãe, que estava em viagem, para a nova escola, para participar de um encontro - um momento em que a escola falou sobre a acolhida, sobre o teste comprobatório para concorrer à bolsa, que irá diminuir o impacto financeiro das mensalidades.
E lá estava eu. Normalmente quando eu vou deixar a minha neta, eu pego o Uber e, ao mesmo tempo, solicito o retorno para casa. Só que naquele momento, eu simplesmente esqueci de fazer isso.
Sabia que não precisava ficar na escola, que ia levar mais de três horas, mas entramos juntas. De repente tudo muda. Você está num outro mundo. A escola é um mundo novo, sempre será um mundo novo. Desafiador aquele momento, que te prepara para tantas outras coisas.
E muitas vezes, quando a gente está vivendo, a gente nem presta atenção. Aí enquanto eu estava na pequena fila, voltei no tempo. Estava no antigo Farias Brito, o primeiro Farias Brito da Avenida Duque de Caxias, esquina com a Rua Major Facundo, bem pertinho da Igreja do Carmo.
Vi-me com aquela fardinha verde, com uma lasquinha de lado, um shortinho por baixo, parecia um vestidinho. Foi lá que me preparei para o meu vestibular, para a vida. Isso bem antes das mudanças que ocorreram.
Foi lá onde encontrei amigos e contei com o apoio dos professores. São lembranças maravilhosas. Falei sobre essa viagem do tempo para a minha neta, lembrando que o seu irmão também, quando, na primeira vez na escola, foi conduzido por mim.
Com a sensação de estudante ainda, pergunto: Por que não voltar ao passado? Por que não percorrer essa linha do tempo, ver o quanto você cresceu?
Não é ser vintage, não é viver com o tempo passando, mas é você respeitar todos os seus momentos de crescimento, dos quais você esteja dando conta ou não.
E hoje eu percebi que, com 71 anos, continuo crescendo.
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