Quando o fusca chegou ao Brasil eu nem tinha nascido.
O conhecido carro do povo faz parte da minha história de vida. E o bom da vida é que nem tudo que nos é conhecido é reconhecido como presentes.
O fusca não me foi dado. Na verdade, nunca possuí um carro em toda a minha existência. No entanto, ainda bem que os fuscas que me levaram a conhecer a minha cidade, tiveram donos diferentes e cores também.
Nada melhor que o fusquinha amarelo. O primeiro, que foi palco para muitos beijos roubados(?!) tinha como proprietário o pai dos meus três filhos. Gente, ainda bem que o bixim era mudo(rsrs). Ele também foi palco de tragédias financeiras. Duas grandes batidas: uma com o carro estacionado na minha antiga morada na Major Facundo e outra, na Avenida Heráclito Graça, com motorista ligeiramente endoidado, que lhe valeu alguns cortes nas costas. Escaparam os dois.
Ainda nos idos dos anos 1970, Ribamar, o nosso piloto, colega de faculdade, abria as portas para incluir amigos que não tinham condução. Acredita que o fusquete aguentava seis pessoas??? além do Ribinha, que Deus já levou, mas as lembranças ficaram. Riba foi o nosso maior protagonista. "Fátima, esse carro vira" era a súplica para que eu parasse como o palavreado. Gente eu tinha uma boca muito suja!
Uma amiga de todas as épocas recomendou-me que não a comprometesse quando estivesse aqui arranhando as teclas. Não sei se o motivo é o gatilho da saudade que a leva aqueles tempos maravilhosos, quando a gente só queria se divertir mesmo que fossem incluídos os amores fortuítos.
Até aqui falei sobre fuscas amarelos, mas lembro também do verdinho de uma outra amiga, que de vez em quando a gente se aventurava nas saídas dos bares. Acredito que os santos que nos acompanhavam tinham muito trabalho.