Na padaria


Estou insistindo no quesito violência. O internauta que me perdoe, mas é que a coisa anda tão grave, que não dá para fingir de morta. Estava na padaria. Enquanto esperava o pão que tranquilamente era posto em um saco de papel pelo atendente simpático, ouvia comentários a respeito de mais um homicídio no bairro onde moro.


É uma pena. Ele tinha duas filhas tão bonitinhas... Pois é, mas já havia matado um durante uma discussão num bar... uma das menininhas é linda, tem cabelos pretos e olhos azuis... Polícia é assim mesmo, profissão de risco... É, quem mata...


Não era bem o que gostaria de ouvir na manhã de hoje, fresca pelos ventos de setembro, que exageram e chegam a derrubar árvores e construções. Fortaleza é assim: tão quente e ao mesmo tempo tão fresca.


Quando me dirijo à padaria em busca do primeiro alimento da família, costumo agradecer ao Criador pelo dia bom que se inicia. Pela oportunidade de estar respirando e ter filhos, e de também ter dinheiro para alimentá-los. Nesses momentos de prece silenciosa, preferiria ouvir música celestial, mas estou na Terra, onde continuamos matando os seres vivos, inclusive da mesma espécie.


No trabalho, reclamam segurança combinada com o aumento de policiais. Cá, com os botões fico cismando quando entenderemos que os órgãos de segurança não acabarão com a violência, apenas atenuarão os seus efeitos.

Vilania



O melhor enredo para filmes, mini-séries e, lógico, novelas, tem sido a violência. Nas novelas, o mau caratismo emplaca do início ao fim. Os produtores não sabem trabalhar com o outro lado: a bondade, o altruísmo, a beneficência. E quando isso ocorre, ocupa pequenos espaços nas estórias e torna ainda os personagens tipo bonzinhos, sérios, honestos apagados e sem-graça.




Estamos tão psicoadaptados às cenas de violência na TV, que chegam a nos confundir. E, para completar, ainda há enquetes para encorajar os maus personagens. O vilão passa a ter torcidas. Não chega a ser um prêmio para a maldade, mas, há algo muito pior, que é a insistência no aspecto desumano de ser. Para quem o discernimento já se fez presente, separar o joio do trigo é visível, mesmo que com atalhos, mas para quem ainda está em formação - está recebendo as primeiras noções de sociedade, do bom convívio - é, no mínimo irresponsável enviar para diversos lares cenas dantescas.


Há o aviso recomendando a idade do telespectador, mas quem leva em conta a advertência? Fico cismando o pensar com relação à responsabilidade dos programas. Em muitas residências, a TV ainda é a babá eletrônica, que fornece informações demais, o suficiente para minar a resistência do bem - na maioria sem graça, sem atrativos - para a criança que está se despedindo da fase infantil e entrando na adolescência.

Alerta



O alerta do Papa para preservar o domingo como o dia de espiritualização, com o pensamento ungido ao Alto, não se sabe precisar o eco. Necessário é ouvir o representante maior da Igreja Católica, religião berço da grande maioria do povo ocidental.

Necessário se faz seguir os passos do mestre da humanidade, Jesus, pelo menos quatro dias num mês, 48 num ano! Pelo menos nesses períodos é preciso que se faça uma viagem com o fito no infinito azul, numa busca constante.

É fundamental ter o apoio de uma religião, doutrina, seita, que serve de transporte para o encontro com a fonte, a energia criadora. Porque se essa busca cessa, a solidão vai nos engolir.

Já me perguntaram se acredito em Deus. Digo que não. Eu sei que Ele existe porque reúno tudo que inspira a divindade. Estou de volta ao Planeta Terra, em mais uma etapa evolutiva, com o apoio do universo, da energia universal.

Por causa do hino nacional

Menina muito contida em casa - na realidade, castrada mesmo - soltava-me na escola. Onde mais poderia ser mais adolescente? Aprontava por meio da fala. Sempre fui de muita conversa, de preferência ser ouvida, porque achava que ninguém tinha papo melhor do que eu. Mas, também ninguém me contestava. Por que seria?



Chamava atenção dos professores porque apesar de barulhenta, conseguia me safar nas notas, era, portanto, boa aluna: assídua e estudiosa. Não saía, não conhecia quase nada da Cidade. Presa, encontrava a liberdade nos livros. Hoje, agradeço pelas rédias tão curtas, num momento em que a alma queria continuar volitando num caminho sem fim.



Uma certa vez, acho que cansado de chamar a minha atenção para assuntos sérios, um dos coordenadores da escola perguntou: sabe de cor o hino nacional? Claro que sabia! Lia tudo que aparecia na minha frente e a letra poética, que honra a Pátria estava ali, tatuada na contracapa do caderno. Ainda lembro bem o caderninho de cerca de 50 folhas, com capa verde caqui, a figura de um soldado com a bandeira nacional e o nome Avante!



Por causa do hino nacional, ganhei lugar na primeira fila - era a mais alta - e levava praticamente sozinha, o hino que me faz ficar arrepiada até hoje quanto canto. Estou sempre levantando a voz para soltar o espírito nacionalista onde trabalho, quando na realização de sessões solenes.



A partir daí, ao invés de olhares de repreensão passei a ganhar sorrisos acompanhados de acenos afirmativos de cabeça, além de pancadinhas de leve nos ombros. Tive a conquista afirmada quando o professor sentenciou a nota: Você me surpreendeu. Consegue ser tão séria quanto brincalhona.

O valor do mas


Eu sou legal, mas... Nem sempre sou tolerante, dou ouvidos, vejo o que olho, faço o que me pedem, me faço entender, faço cara séria...


Estava pensando sobre o mas que me acompanha e, por conseqüência, seguem as pessoas com as quais convivo. Eu digo, por conseqüência, porque aprendi que a reação do próximo tem a ver com a minha ação primeira.


Percebo hoje que tudo mora na tolerância. De ponta, vejo que a amizade precisa de liberdade. Eu preciso me sentir livre para gostar, de fato. E a liberdade ganha asas quando aceito, com pouca moderação, o que seja o outro.


Nada mais relaxante do que olhar o que antes era considerado vexame, uma simples manifestação do que pensa, do que sonha, do que deseja o outro.


Por conta do mas já descasei duas vezes; já larguei emprego; afastei-me de pessoas lindas e também de outras feias; e por pouco, muito pouco, não declinei da idéia de escrever e publicar o que sinto no íntimo.


Quem me ama, diz que sou ótima, mas...

Jornalismo econômico


Nunca simpatizei e não pretendo me especializar em jornalismo econômico, o que lamento, porque se acaso entendesse, não estaria alijada do processo matemático nacional. O que aprendi na escola - e lembro ter tirado boas notas - não tem me auxiliado quando quero entender o processo financeiro do país.


É claro que leio sempre a respeito do assunto porque dependo para continuar no mercado. No entanto, fico sem compreender porque num país como o Brasil, um dos que mais gastam com a previdência, os aposentados e pensionistas passam tanta dificuldades.


Com o contracheque em mão, fico com o olhar preso no espaço dos descontos, principalmente, no que vai para o INSS e busco ver o destino final do dinheiro. Com tanta denúncia de desvios, - e sei que dinheiro desviado não retorna para a origem e, muito menos, para o destino que deveria ter seguido - para onde vai o fruto das minhas tecladas e da minha atenção?


O tempo passa e a poupança continua numa boa foi uma excelente idéia do criador da publicidade, mas como poupar na incerteza da dança final dos zeros e das vírgulas?

Amigos


Rubem Alves diz bem: Amigos não se fazem são descobertos. São aquelas pessoas que mesmo sem conhecermos, amamos muito. Eu fito no pensar com relação a alguns leitores deste blog. Há internautas que voltam, comentam pensamentos para marcarem a sua passagem. Isso me dá uma grande satisfação.


Já disse aqui que a minha pretensão é ser cronista. Deitar o olhar sobre o que é bom e merece ser visto, lido com intenção de aproveitar a oportunidade. Sempre quando posso busco a amizade, que as vezes se esgueira desconfiada do meu olhar insistente. Noutros momentos se aconchega querendo colo da palavra acolhedora.


Sinto amizade por todos que passam por aqui. E quero "prendê-los" a atenção, num propósito único de fazer companhia. Eu tenho um monte de amigos. De todos os tipos. De todas as cores. Há aqueles que só de olhar me fazem um bem imenso. Outros me deixam mais viva, mais atenta. Outros ainda, me dão calma, experimento a mansuetude do olhar. Para essa amiga, a Grace, como costumo dizer, brinco com o seu jeito de ser delicado no falar. Pode até brigar comigo que vou continuar sorrindo atentamente.


Outros apenas me dão um alô, mas com tanta intensidade que a validade do cumprimento rompe anos afora.

Gosto de ter amigos, até mesmo os que me ignoram, sem nenhum despeito no pensar, como por exemplo, Rubem Alves, que de tanto talento, sempre dou um jeitinho de ficar mais próxima do que escreve.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...