No realejo

Estava novamente viajando na Net e vi com atenção a imagem de um pequeno realejo que oferece leitura virtual da sorte. Cliquei para ver a animada periquita que trazia no bico a mensagem.

Os pequenos dizeres, feitos só Deus sabe por quem, são ordem para quem crê no recado vindo por forças estranhas, mas que por isso mesmo, respeitadas.

É sempre um aconselhamento, que põe em ordem o pensar aflito, curioso, ou ainda auxílios do alto. Não dizem que Deus fala por meio das criaturas e por quem menos esperamos?


Já convivi com o mistério e confesso que sentia um certo interesse e me deixava envolver pela sensação, que latejava e gerava calafrios.

Cresci na vertical e fortaleci a crença em atos favoráveis. Deus só auxilia e me faz bem! Larguei a caixinha, que tocava música e trazia papéis amarelados, que com o tempo foram substituídos pelos horoscopistas. Seria realmente necessário crer no que o outro dizia? E a voz que ecoava no meu interior?

Hoje, fortalecida na fé raciocinada, acredito no que vejo e toco. Na natureza que se sucede sempre; na fortaleza da energia criadora, que me envolve, que me permite o discernir para poder escrever aqui neste espaço e dizer que a música faz parte do realejo universal e que o recado é a luz, matéria - prima de todos nós.

Sem malandragem


Estava sentindo a letra da música - Malandragem - de Cazuza na voz de Cássia Eller, cantora preferida de muitos sons poéticos com a interpretação sem aparato, que choca, que impacta!
O artista se faz porta-voz para momentos sem explicações, nos quais a melancolia é de incômoda presença.

Quem sabe ainda sou uma garotinha, rezando pelos cantos por ser má, por não saber me comportar, esquecida com a farda suja porque o dever de casa seria de classe. Concordando com o castigo da palmatória, quando a educação era uma imposição, faça o que eu digo e não faça o que eu faço.

O príncipe tão sonhado virou um chato na letra, mas para mim é um sapo tão frio quanto a pele. E vive dando nas minhas trompas de falópio. Ainda não sei lidar com a malandragem da mente dispersa. Queria saber levar adiante, enxotar o sapo e trazer o prometido de volta. Mas ele não é como o sapo que bate e volta, mas que teme a cor do fogo da paixão. O bom do batráquio é que ele se define.
É o diabo ser poeta e não saber amar!

Por aqui


O mal pode ser escancarado e nesse momento alguém reclama mudanças, noutros é tão sutil que o agente nem se toca. É na insensibilidade nossa que se alimenta.

Estava como sempre em busca de oxigênio. Aproximo-me das plantas para renovar o ar que agora se impregna de fumaça. Urbanos com manias antigas de capinar roça, incendiando as sobras.

Interpelada pela minha santa filha, que também enfrenta dificuldades de nome rinite, a senhora dona da casa admite ser a causadora da fumaça que invade casas vizinhas, incluindo a minha.

Na defesa do gesto ela pede paciência. É pouca coisa. Já está terminando. Pois é, têm pessoas que só são percebidas quando incomodam. Lógico que desejei que ela se tocasse e mais algo que nem direi aqui. Pois é, têm pessoas que realmente continuam cegas e não vêem o outro.
Fico cismando como serei vista pela vizinhança.

O cachorro daqui só late. Não morde. Música baixa. Saio cedo e retorno tarde. Quem me vê? Com que olhos? Quem me dá ouvidos? E o que escuta?

A intolerância à fumaça será tão intensa quanto ao sentir a presença do outro? E eu que só queria curtir um pouco o lar... A vida sofre invasões frequentes ( não acho o trema) e quem eu quero que me invada continua ausente.

Nos cascos


Fico estranha quando adoeço de corpo. Vejo-me forte, galopando em paragens verdes, maravilhosas, crinas ao vento. Ninguém me pega!

Sob os cascos, a areia cede à minha impulsividade. Sou forte, bela, dorso brilhando pelo suor não sentido. Desejada por olhares infinitamente maliciosos.

Fico assim, nas patas traseiras, desafiando a física e a autoridade do homem. Quando forte e ágil desejo de fortuna e fama. Uma vez machucada, estorvo. Nada mais me resta a não ser o sacrifício.

De volta, abatida em duas pernas trêmulas, sou humana de novo, sem o vento da liberdade, presa ao leito com uma vontade enorme de trotar. Ao largo, sem o verde e o brilho da fama.

O que muda o seu humor?

Onze pensadores responderam à enquete, que permite escolher mais de uma resposta. Sendo assim, três (27%) consideram que o humor muda a partir da alegria do outro; outros três que a tristeza influencia.

A maioria muda de humor devido à indiferença do outro. Foram seis votos correspondendo a 54% das respostas.

A liseira foi o item menos votado, apenas dois (18%) assinalaram, o mesmo número para quem disse ter o humor estável, que nenhuma das situações são capazes de mudar.

Para não apenas ler


Leitura não é passatempo e, se for, vai o tempo em que a ignorância me dava prazer, por pura pretensão de ser, de estar. Acabo de ler Rubem Alves em um dos muitos momentos especiais de sua lucidez.


A expectativa de uma relação pode ir muito além do que se espera e do tempero que alimenta o tal amor, que juramos ter. É bom ler Rubem Alves, que toca fundo na alma e faz suplantar o que mais escondemos, por puro medo de continuar.


Nós, metidos a poeta, rimamos amor com dor, para reprimir, reduzir a quatro letras, sem saber contar os fonemas, de quantos suspiros são necessários para conter a lágrima.


Rimar amor com dor é um caminho, cujos atalhos nos surpreendem com rompimentos precoces, de um estágio imaturo para quem tem tudo a ganhar.


O sentir


"Não somos o que pensamos e, muito menos, o que o outro pensa. Somos o que sentimos", afirma um espírito amigo. Estava lendo há pouco a notícia que trata da morte de um rapaz, moço ainda, que trafegava na contra-mão na rodovia Castello Branco, em São Paulo.


Não havia razões aparentes, comentam amigos e familiares. A gente sempre socorre para o que "sabemos" com relação aos outros. São os apelos nossos em busca de entender o que não é revelado, com prontidão, para aliviar as nossas dores.

Enquanto a dúvida permanece, resta-nos muito tempo para se fazer compreender. Para que não continuemos indiferentes ao sentimento do outro.


IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...