Ninguém dá bola para diversão?


A reencarnação para mim é um fato e como tal pode ser contestado, porque temos opiniões divergentes. No entanto, considero uma certeza e me ajuda a entender melhor certos comportamentos, que se repetem entre nós.

Acompanhei há pouco uma briga entre torcedores e policiais num jogo de futsal. O que aconteceu com a diversão que permite a todos voltarem para casa em comemoração?
Não lembra quando nós em outras épocas tínhamos como diversão duelos mortais e pessoas sendo devoradas por leões?

Mentir



Já me pegaram duas vezes neste dia da mentira. Tudo bem, a gente ri depois da pegadinha, afinal são colegas curtindo uma alternativa de humor.


Agora, cismando o pensar, lembro de algumas mentiras que acreditei verdadeiras. Não, não dói. Depois de passada a frustração, vejo que eram verdades, só que sem créditos. Em muitas das promessas que escutei, o autor da peripécia estava movido pela emoção. A gente precisa estar atento para o que fala. Quem está nos movendo no momento das promessas declaradas irresponsavelmente no sentido racional?


Eu confesso que já menti emocionada. Acreditei no sopetão fomentado pela comoção. Bom, pelo menos nunca jurei que seria para sempre. Ainda bem, porque responder pela eternidade por algo que não acredita ser contínuo...


Portanto, é bom fiscalizar. Acionar o super-ego porque o tal ID está sempre em profusão. Atenção para o perigo da mentira racional, sem poesia. O diabo é que ela persiste porque para ser verdadeira teremos continuar rementindo(permita-me o palavrório).

Anjo da guarda


Quem você espera, que no momento difícil, acometido por doenças, vai estar do seu lado, presença lenitiva, mas reconfortante?


Um dia perguntaram-me a respeito e de cara respondi que tenho sim. Não parei para refletir sobre a possibilidade de mudança de humores da relação doméstica. Em alguns momentos, a solidão é tamanha, principalmente quando temos que decidir sobre alguma questão. Isso, porque sabemos, as conseqüências atingem em cheio o agente determinante.


Início a semana com este post reflexivo: um agradecimento para quem esteve, está e vai estar comigo nos momentos mais difíceis.


Cobre, mas dê crédito para o devedor


Qual a sua maior dificuldade no convívio, no cotidiano com as pessoas próximas ou distantes de você? Como se comporta diante das cobranças do tipo, olha, se fosse comigo, faria assim.


Antes, quando não entendia o recado chegava a ficar mais irritada do que hoje. Isso, porque quem mais tempo fica comigo sou eu mesma. E dá para conviver tão próximo com alguém que te cobra sistematicamente?

Pois é, o cobrador não se dá conta de como cobramos de nós mesmos. E haja credores para tudo quanto é lado. O difícil é chegar ao consenso e ao podium cantando vitórias. Não queira me mudar, nem eu consigo! O apelo não é ouvido e continuamos constrangidos a nós mesmos, numa busca incansável de escapar do crivo.

Ainda bem que existem as pausas entre as guerras. Nada de louros para as vitórias porque a guerreira aqui tem um longo caminho a percorrer. Enquanto isso, é bom pegar atalhos buscar parcerias, sem deixar o outro de lado. Afinal, a gente precisa amar a pessoa real e não a que projetamos.

A dengue não é do tamanho do mosquito



"Que morra o mosquito da dengue". Este é o nome da comunidade do Orkut que uma amiga acaba de convidar para fazer parte. Incrível! Ninguém fala em defesa do mosquito?! Não teria o mosquito Aedes Aegypti um voluntário que corresse em seu socorro?


Longe de mim defender a epidemia, mas quem foi que começou com a proliferação do "bichinho"? Lembro que quando menina tudo parecia bem menor. Só eram grandes os problemas dos meus pais, portanto de gente grande. Recordo-me de ter conhecido o mosquito em larvas ainda, nas pequenas vasilhas e jarros feitos de lata, que abrigavam da mesma forma as pequenas e coloridas flores do jardim do quintal.


Os martelinhos se agitavam na água e chamavam a nossa atenção. Na nossa criancice eles nunca pareciam perigosos. Quando foi mesmo que o mosquito perdeu o seu encanto de criatura da mesma força universal? Assim como outros invisíveis seres que nos atingiam em cheio o organismo?


Pois é, a dengue não é brincadeira de criança. Ficou muito tempo atrás as larvas atrativas que, de forma lúdica, nos ensinava a curiosidades sobre a natureza. É quase uma sensação de pânico, hoje adulta, querendo evitar, pela terceira vez, uma nova investida da doença. Sobreviveria?


É fácil culpar e cobrar ação dos órgãos públicos, mas quem está mesmo esquecendo as poças d'água, os copos, garrafas e vasilhas descartáveis armazenando água sem a menor intenção de colaborar?

O nome, não sei



Estava há pouco ouvindo uma entrevista na rádio FM Senado e, confesso, gostei muito mas não consigo lembrar o nome do poeta entrevistado. Ficou retida na lembrança o que ele falou sobre os seus escritos, a preferência de colocar no papel o pensar nem sempre rimado. Falou suas preferências e parcerias, numa demonstração de que os livros de poesia vão continuar por muito tempo entre nós.

Tenho essa falha: não presto atenção nos nomes. Quando sou apresentada a alguém prendo os olhos no sorriso. Perco-me na análise e não escuto a primeira palavra, a primeira frase. No início inocomadava-me a falta, mas depois mais conformada, até me divirto. Mas, para um jornalista esquecer nomes nem sempre é fácil de lidar. Contudo, reconheço ser mais uma razão para prestar atenção em mim.

Certa vez, perguntei ao mentor amigo como deveria chamar-lhe. A resposta veio de pronto: você não liga para nomes. Depois da afirmativa, firmei-me como alguém que está em evolução contínua, que no caminho do crescimento toma atalhos que nem sempre tem saída, mas que aos poucos aprende como retornar.

Musicalidade


Quer fazer uma viagem sem cansar, sem gastar, sem preocupação? Vá até onde costuma guardar seus discos favoritos. Aqueles que não lembramos de imediato o nome do album, da música, do compositor, mas que bastam ser tocados, para que acompanhemos os versos musicados.


Estava assim entretida ouvindo e tentando acompanhar canções da adolescência, marcas de um tempo de sonho de olhos fechados. Hoje, numa reflexão mais sisuda dou razão à mídia pelo que chamou invasão norte-americana na cultura cambaleante do meu país.


Abrimos portas e ouvidos para os Bee Gees, Bob Dylan, Terry Winter, Carly Simon e para grupos que não conseguiram continuar no estrelato, como os Pholhas, num My Mistake repetido.


Apesar da crítica enfadonha não posso esquecer que me deixei embalar pelas melodias, que até hoje me transportam para caminhos já conhecidos, sem titubeios, mas apenas deleitando-me ao reconhecer-me mais madura. Por que censurar-me pelas escolhas quase impostas musicalmente?


Mesmo porque cantava em bom português a brasilidade da nossa arte. Cresci ouvindo Chico Buarque, experienciei a poesia de Vinicius.


Afinal, não são melhores - e põe melhores nisso - do que as baboseiras da atualidade? Solidarizo-me com os jovens de hoje de tímpanos irritados, mas com certeza, não irei culpá-los num futuro breve quando lembrarem dos sonhos abafados pela voz gritante dos cantores da época.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...