Cuidados com o corpo

É preciso saber viver, manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Quem canta não espanta os males do coração, como exorta o ditado.


Acabo de ler as histórias deste País povoado de pessoas equivocadas, aquelas que ainda não tiveram o tal insight e acordaram para a importância de estar vivo e deixar viver. Leva a vida num combate infindo, matando para continuar vivo - eu acho que é assim que recebe a ordem da mente conturbada.

A minha compreensão não alcança as comemorações que fazem distorcendo a ordem da criação.

A natureza nos serve um banquete diário, sem restringir participações. O convite é aberto a todos os seres. Participar ou não é uma decisão individual de uma festa colorida e coletiva.


É preciso crer nas mudanças que virão sem o tom profético. Por isso, já que a mente é um amontoado de pensar, decido pela massoterapia, à sabedoria oriental, com os seus toques que desbloqueiam-me e fazem a energia do corpo fluir.

Permito o desatar de nós, rendendo-me em respeito ao corpo, que fala por meio da dor, despertando-me do turbilhão do sono da indiferença. E nem custa caro. Posso parar de sonhar em ser celebridade bancária para ter acesso a esse bem-estar.

Nem oito nem oitenta


Gosto de puxar uma brincadeira com os colegas de trabalho que me deixam mais a vontade – aqueles que a gente gosta mais e que prometem ser amigos mesmo fora do ambiente de trabalho. Pois bem! A propósito do dia de hoje (08.08.08) perguntei o que significava?É interessante o que deixamos que os números façam conosco.


Acho que pela entonação séria da palavra, a primeira resposta veio temperada de curiosidade: significa algo muito importante? Deixei no suspense e quando a respiração dele me exigiu resposta, disse olhando bem nos olhos e com o mesmo tom: nada, absolutamente nada e caímos na gargalhada.

Fiz a mesma pergunta para outra amiga que lembrou números cabalísticos. Depois da resposta semelhante, mais gargalhada. Outro amigo lembrou a abertura dos jogos olímpicos. Tantos oitos que dariam para continuar gargalhando uma eternidade.

Na verdade, gostamos de viajar e os números nos seguem. Vivemos a cata do tempo que está para vir, do que passou, e a ânsia é tamanha que esquecemos o tempo real. E eu, viajadora profissional nem vou perguntar ao Google o que significa a formação numérica. Eu só quero multiplicá-los em alegrias, luzes do discernimento para você agora, neste exato momento.

Pela vida



A pobreza não dá fama, mas atrai famosos. Depois de virarem papel moeda, muitos dos astros perdem o foco da identidade. Alguns não conseguem administrar. Querem a fama, mas desejam a vida privada. E o que era para ser fantástico, torna-se um tempo difícil de administrar. Há quem reclame que é triste ser famoso, de fato. Não poder rir demais, nem engordar, nem emagrecer demais, participar de filmes culturais demais...


A escapada para continuar sendo gente é olhar para o outro, o próximo tão distante na condição social. Acabo de ver as carinhas dos bebês de Angelina Jolie e Brad Pitt. Eles venderam a imagem dos filhos famosos desde a barriga e vão distribuir a verba para os que não aparecem em fotos, a não ser para divulgar calamidades da vida terrena.


Parabenizo a idéia! Costumamos ser miméticos com relação aos belos na imagem, mas nem tantos para os solidários. O casal tem desenvolvido ações benéficas de auxílio aos mais necessitados. Eu bem que gostaria que uma foto minha custasse uma verba grossa para poder sair distribuindo, treinando bocas que choram de fome para sorrirem para a vida.

Fortaleza


Na religião o homem deposita fé e conquista dias serenos. Esta é a promessa de vida futura. Caso continue sem o transporte que leva a Deus - religião - vai se demorar muito mais tempo na estrada da vida, cheia de impecilhos e pedras que atropelam.

É por isso que cultuo o otimismo. Todas as manhãs, quando escuto as crônicas de Narcélio Limaverde, no programa que leva o nome do apresentador, na rádio FM Assembléia, destaco da memória o prazer de ter podido correr descalça, fazendo troças do balé, que a idade permitia, nas ruas da Aerolândia.


A Fortaleza Antiga ressaltada por Narcélio Limaverde não é uma promessa aos tempos que se foram, mas, principalmente uma forma de reprovar às atitudes que desumanizam a nossa cidade. E todos nós somos exortados a torná-la alegre e fiel esposa do sol, que brilha sempre por aqui.


O sol continua intenso, mas a desposada sofre maus tratos dos filhos. E são muitos os ingratos que sujam suas ruas; roubam os fios que alimentam a energia das lâmpadas; que picham ordens do desmando cultural.


Estamos vivendo o momento da escolha de um novo administrador, mas é tempo também de nos colocarmos como os verdadeiros donos das casas, e não apenas transeuntes da cidade que nos serve de berço e nos abriga.

Retrucar

Quem é agarrado à terra não quer ser cremado. Virar pó literalmente, confundir-se na poeira que o vento leva sem ser perguntado.


Quem é agarrado à vida, paga plano caro para ter direito à UTI.

Quem acredita na cegonha, marca cesárea para evitar a dor.

Quem se agarra à superficie jamais olha nos olhos quando constrangido a ser sincero.

Quem teme a escrita não lê.


Sem linha ocupada


Você pode perguntar para quem gosta de viver pendurada ao telefone, qual a sua opinião sobre os serviços prestados por meio dos telefones. De início, é esquisito você seguir ordens de uma voz metálica, fria, sem a menor intimidade e afinidade.



Você disca os números e eles se multiplicam, te passam para várias pessoas, as quais ouvem a sua história, que por sua vez, é repetida pelo menos três vezes e, ao final, depois de contar em detalhes o que deseja e quando finalmente, parece que vai se resolver o problema, a ligação cai.


Aquele sinalzinho de queda me persegue por horas, e lógico a frustração temperada pela indignação. Agora, finalmente, o governo resolve moralizar o babado: nada de ficar passando de atendente para atendente. Acabou a farra! E quando eu quiser cancelar um serviço não vou ter que ficar ouvindo o pobre funcionário da empresa insistir comigo para continuar recebendo mal serviço.



Pelo mercado


Aqui é proibido trabalho infantil. A frase está lá na parede defronte a escada, que dá acesso ao primeiro andar do mercado São Sebastião, no centro da Cidade, para onde fui com a minha filha Andréa e o meu neto, Victor. Para ele, foi uma maravilha, e chamei sua atenção para a informação escrita com tinta verde. Informei-lhe as razões pelas quais nós fazemos parceria aos órgãos que promovem o estudante e estimulam a educação.




Em meio às cestas de palha, artesanato genuínamente cearense - lá pode-se encontrar todos os tipos e tamanhos - bordados, e outros produtos curiosos como o rolo de fumo, que mereceu uma cara de nojo de Victor depois de saber para que era utilizado. O vendedor veio ao nosso socorro, informando que o fumo é um excelente inseticida. Alívio para todos.


Saboreamos com os olhos as frutas da estação e os pratos típicos como a tapioca. Fazia tempo que o meu domingo não era tão gostoso. Agradeci no íntimo pela escolha. Carrinho cheio e nos ajudando a levar os produtos adquiridos, no setor dos peixes, Victor aprendeu como tirar vísceras e escamas.


Percebi o quanto a minha vida de menina sem internet, sem jogos eletrônicos, sem fast food, foi rica e feliz. A cultura cearense não era mostrada em páginas da Web e não precisava de pesquisadores para entender o cearensês. Era cearense pura, nascida em Fortaleza, mas com um gosto e um trato matuto, que a Fortaleza daquela época gerava em mim.


Por isso, a rapadura não ganha dos doces congelados, muito menos o doce de mamão com coco, a garapa de cana-de-açúcar, a tapioca banhada em leite de coco e os pratos feitos à base de vísceras, a famosa panelada, que não será comida por Victor, por enquanto.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...