Forma e conteúdo


Os discursos podem ter o mesmo mote, no entanto, a maioria se prende na forma. A formatação é que o mais importa para o autor desse estilo(?) O conteúdo deixa a dever. Aliás, não há dívida maior do que se prender apenas a imagem do texto.


Arrisco-me a falar sobre o tema, que não detenho conhecimento profundo, porque me sinto incomadada quando o discurso está longe da prática. É claro que estou falando da propaganda eleitoral. A forma pode ser engenhosa e conquistar alguns votos, se levar em conta o caráter brincalhão, uma das marcas do brasileiro.


Por isso, muitos candidatos às câmaras municipais a utilizam. Recorrem a linguagem simples numa tentativa de estar mais próximos do "povão". Contudo, é preciso ver a longo prazo que a brincadeira de hoje pode se transformar em choro.


Tenho acompanhado a propaganda institucional dos quatro anos. Uma mulher que é levada pelos pés que não obedecem o cérebro. A personagem em questão anda em círculos, tentando mudar o caminho e não consegue. Está da parabéns a equipe de criação. Ali, pode-se observar forma e contéudo, com certeza.

História repetida, quem ouve?


O nosso ouvido é tão sensível que muitas vezes não se dá por completo. A culpa é da mente, que mal captura o som, já vai baixando arquivos e mais arquivos. É o nosso Google, portanto.

Têm palavras chaves e se a gente tiver sorte vai poder se perder em meio a tantas informações. É o que acontece com as falas do horário eleitoral. Percebi que uma das frases mais usadas vou lutar é uma constante. Ou seja, são todos batalhadores em campo. A principal batalha o tempo exíguo. Em alguns mal dá para dizer o nome.

Lembrei agora de Enéas, que gritava com gosto o seu nome mostrando que o tempo não lhe restringiria a aparição. E como ele apareceu! Hoje, alguns -considero que por timidez - falam baixinho o nome que deve ser lembrado.

Costumo falar alto, então, nem sempre escuto quem fala baixo. Os que gritam passam ao largo, porque quem quer ser escutado fala à altura do ouvido.

Dar ouvidos, eis a questão.

Eu só queria entender


Jornalista que não briga pela informação está no endereço errado. Eu sempre fui afoita, mas com moderação. Afoita não, irritante. Tinha um medo cruel de enfrentar uma autoridade, mas a timidez não conseguiu até hoje segurar a minha onda e a minha língua. Nesses 53 anos, já dei cada fora!!!

Por isso, vejo com alegria esse primeiro simpósio de Mídia e Judiciário que vai acontecer nos próximos dias 27 e 28, na Escola Superior de Magistratura, em Fortaleza. Pense na linguagem complicada. A gente tem pressa de informar – principalmente quem trabalha em rádio – e cotumava passar horas para entender as razões pelas quais certas liminares eram acatadas.

Lembro agora que numa manhã de sábado fui para redação da rádio O Povo e quis esclarecer uma determinação de um certo magistrado daqui do Estado. Tímida falei o que desejava e ele com forte entonação na voz respondeu: “Justiça não se explica. Justiça se aplica”. Pensei: não é à toa que continuo alienada.

Não contei bolas, capturei a frase e destaquei na manchete, sem dizer o que sentia. Não sei se raiva e frustração ou se os dois. Aliás, esses dois sentimentos são companheiros permanentes do informador.

Ufa!


A superficialidade cansa. Constato isso sempre quando abro alguns sites de notícias. Em busca de informações outras sobre o mundo de Deus só encontro uma grande variedade de flagrantes fotográficos de celebridades: casaram, separaram, chifraram, e outros aram da vida. Ufa!


O Brasil é uma terra cultural. É vasto o campo da criatividade artística. Temos que reconhecer, entretanto, que como mimetizadores copiamos mais do que criamos. Que digam as mulheres frutas, que ontem eram cachorras, anteontem gatas e amanhã só Deus sabe o que virão a ser.


E não é que eu vou na onda dos sites? Vou olhando os buchichos, fofocas só para comprovar que detesto tudo isso. Pronto! Satisfeita, reafirmo a minha vontade por boas notícias (fatos raros,apesar de saber que muitos de nós estamos envolvidos em realmente desenvolver o bem do próximo) mas que por não serem celebridades, não destilam superficialidades na tela da TV.


Contudo, numa análise ligeiramente aprofundada percebo a necessidade do bestial jeito de ser dos sites noticiosos(?) Com a ausência da boa vontade presente, é fácil concordar com a ligeira nota, tipo legenda para reclamar(?) de um certo ator que achou esquisito beijar Angelina Jolie - lá vou eu falando nela de novo.


Paixões ou excrescências: eis a questão.

Nem in e muito menos out?



Eu gosto de paquerar as observações do tempo do pesquisador Nirez. Na edição de O Povo de hoje, ele lembra a depredação do quartel do Corpo de Bombeiros. Fiquei cismada. Era o ano de 1968, eu contava 14 anos e nada guardo desse dia. Também, pudera, alienada era a tônica da adolescência.


Guardada sob fortes rédeas domésticas, quem disse que eu iria as ruas atacar ou ser atacada? Out de tudo - como diria uma colunista social - mas nem menos infeliz. A adolescência tem dessas coisas. Uma vontade enorme de brigar contra a experiência que tenta frear a vontade indomada de conhecimento.


Nessa luta travada, eu perdia sempre sob o punho forte da família, que me mandava calar a boca sempre quando saía em defesa do que ia na cabeça. Percebo que nunca foi muito ventilada a mente, chegava até a ser comedida demais.


Lembro agora uma passagem de um ser intelectual que me chama atenção: a adolescência é uma grande floresta: verde, forte, viva e pouco conhecida. Pois é, você sai dela sem se dar conta de que arrumou um monte de ações efêmeras, mas que necessitam ser administradas por toda a fase adulta.

Com trema e afeto


Eu amo o trema. A declaração íntima de quem gosta de escrever, que acredita que sabe e, por isso mesmo, fica bem à vontade diante de tantos poetas, escritores e redatores durante um recital.


Colando às costas dos presentes num dos salões do Ideal, querendo identificar a história, passado e conversas sussurradas de uma platéia do passado quando algum poeta cearense ou notório nacional ali depositava o seu verso, emociando a expectativa de muitos.


Fiquei ali, querendo conforto na cadeira de plástico em contraste com o luxuoso traço de madeira do teto, do artista que passou mas ficou o marco poético. Lá na frente sem perceber a minha presença, o poeta e escritor Márcio Catunda nos convidava a venerar Vinícius de Moraes.


Fiquei olhando mais atentamente do que ouvindo a oralidade dos versos por aquele homem simples - embalagem em que nada retrata o que seja, o presente para a literatura brasileira. Ao seu lado, dividindo a bancada, meu ex-professor Cid Carvalho, com seu porte elegante e voz soberana. É difícil não acreditar em quem fala com tanta entonação.


Resolvi. Vou escrever algo, vou editar. Nisso, a viagem começa: vejo-me autografando, dedicando em letras miúdas e mal traçadas a dedicatória, querendo muito ser lida. Ou será que o meu sonhado livro vai ser porta-poeira por falta absoluta de manuseio olhares?

Cuidados com o corpo

É preciso saber viver, manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Quem canta não espanta os males do coração, como exorta o ditado.


Acabo de ler as histórias deste País povoado de pessoas equivocadas, aquelas que ainda não tiveram o tal insight e acordaram para a importância de estar vivo e deixar viver. Leva a vida num combate infindo, matando para continuar vivo - eu acho que é assim que recebe a ordem da mente conturbada.

A minha compreensão não alcança as comemorações que fazem distorcendo a ordem da criação.

A natureza nos serve um banquete diário, sem restringir participações. O convite é aberto a todos os seres. Participar ou não é uma decisão individual de uma festa colorida e coletiva.


É preciso crer nas mudanças que virão sem o tom profético. Por isso, já que a mente é um amontoado de pensar, decido pela massoterapia, à sabedoria oriental, com os seus toques que desbloqueiam-me e fazem a energia do corpo fluir.

Permito o desatar de nós, rendendo-me em respeito ao corpo, que fala por meio da dor, despertando-me do turbilhão do sono da indiferença. E nem custa caro. Posso parar de sonhar em ser celebridade bancária para ter acesso a esse bem-estar.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...