Luta

O verbo lutar está ganhando audiência no horário eleitoral. Só perde para o verbo votar.

Acredito no voto, mas não sou do tipo bélico, se é que você me entende.

Google

A Internet é o meio mais democrático de aprendizado inventado até agora na Terra. É a nossa biblioteca disponível a qualquer momento. Variada, rica, generosa, não importa se bem ou mal utilizada. E o Google, o bibliotecário capacitado, operante, de uma rapidez admirável.

Na minha profissão, em todas as horas de trabalho e até de bobeira, valho-me desse "funcionário". Por trás da marca Google há uma equipe que merece ser destacada aqui.

Tiro chapeu, desfaço as tranças e agradeço. Como seria conhecida nesse virtual mundo da realidade nossa?

Declaração

Se fossemos sinceros com o outro diríamos olhando nos olhos, prendendo a respiração na cor da íris:

Não sou a pessoa que você sonha, mas estou disposto a acompanhá-lo(a). A pessoa que você sonhou não existe. É uma projeção sua do ideal de companheiro(a).

A beleza que vê em mim é passageira. Não me olhe doravante apenas com desejo, para poder admirar as marcas do tempo que passaremos juntos.

Tente me encontrar em meio ao infortunio da dúvida. Não se agarre na certeza de que poderemos seguir estradas paralelas, no entanto com um aceno de encontro final.

A Doutrina Espírita despertou-me para o lealdade do sentir. Por isso, a reação do encontro do companheiro nem sempre será apenas sorrisos, porque brigar também pode ser uma forma de declarar que me importo.

Etapas do amor

Quando menina precisava do amor proteção.

Adolescente apostava no frio na barriga, no coração aos saltos.

Mulher feita absorvia a ansiedade de um sentimento profundo, arrebatador.

Madura, aceitando a calmaria da resignação de que é necessário amar sem que dependa da pessoa. É o amor cantado por Mário Quintana. Mas, a percepção foi exclusivamente minha.

Quando a velhice chegar quero aprender a amar-me para esparramar esse sentir sem dores no mundo.

Informatizada


Estou ficando cada vez mais informatizada. Aqui, agora, diante da tela do computador, com os dedos no teclado escrevo o pensar sentido. Fico o tempo todo lembrando que pessoas diferentes vão ler e cada uma terá uma reação diferente. A pior é a indiferença.

Mas, o pensar corre solto, o falar danado também e o sentir vai se restringindo a administrar o que rola. Depois de muito falar descobri que sou ruim de conversa. Adoro ser ouvida, mas ouvir eu não sei. Principalmente quando o tema é sentimento. Sabe programa de computador quando você tenta acessar e deixa escapar uma letra, por mais insignificante que seja?

Pois é,  emperra, não baixa, não abre, não visualiza, não abre, não salva...

Cuidados


As músicas românticas que falam do amor - dentro da visão estreita nossa - lembram apelos para vida doméstica da mulher. Estava há pouco ouvindo a letra da música Abandono gravada por Roberto Carlos na década dos anos 1970.

A letra fala de uma mulher que parece pretender voltar pra casa depois de ter largado o companheiro. Pelo que entendi, e se ela existir, com certeza não vai voltar. A natureza feminina é organizada, gosta de limpeza não e a toa que a gente vive esfregando chão, paredes e cozinhas...

Mas, você que me lê agora, correria para se encontrar com alguém que propõe que caso volte, cuide apenas de você e não faça espantos (Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você) e em seguida sugere que cuide da casa, limpe tudo?

Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você(como?)


De um jeito nessa casa, ela é nada sem você

Regue as plantas na varanda, elas devem lhe dizer

Que eu morri todos os anos, quando esperei você

Se voltar não me censure, eu não pude suportar

Nada entendo de abandono, só de amor e de esperar

Olhe bem pelas vidraças, elas devem lhe mostrar

Os caminhos do horizonte

Onde eu fui lhe procurar

Não repare na desordem, dessa casa quando entrar

Ela diz tudo que eu sinto, de tanto lhe esperar

Envelhecência


Às vésperas das seis décadas, concluo - é precoce, mas assim faço - que o ímpeto da adolescente em querer dizer tudo o que pensava não era estratégico.

O código de convivência ensina-me que o pensar deve fluir no espaço da mente e a boca deve liberar apenas - já com edição - o que o outro gostaria de ouvir.

Mas, como não sou precoce, sou retardada, continuo adolescente.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...