Amar, se aprende

Sei não... já tive fortíssima impressão de que os homens só sabem amar quando estão distantes. Homem não ama no sentido mulher (aconchego), gosta mesmo é de sentir saudades e contar "vantagens" da dor da ausência.

Hoje, com hormônios a menos e passada na "casca do alho" dai o grande sabor das inúmeras vivências, acredito em Mário Quintana, quando afirma que devemos amar de graça. Amo sem aluguel, sem pagar impostos, sem cobranças exorbitantes, apenas querendo mudar a cor da nota no boletim cotidiano.

Nessa escola, já fui caloura querendo tudo experimentar, com uma fileira de voluntários. Fiz segunda chamada, escalei horas a fio textos longos que nada diziam para mim. O mal de quem escreve é buscar o ponto final numa frase sem sentido. 

Renovo a matrícula do aprendizado todos os dias e na tarefa de casa distribuo sorrisos até para as plantinhas do meu quintal. Saudo a flor que se abre e não lamento a que murcha, posto que vira semente.

Este post foi roubado de uma resposta ao amigo Raymundo Neto depois de ler suas belas crônicas.

Pensando, pensando ...

Um novo tempo! Estava cismando o pensar a respeito da novidade temporal. O que é ser novo, estar mudando, se somos sempre agarrados a tantas cismas?

Eu sempre fui questionadora porque as respostas sempre estiveram em falta. Ou será que não as percebo? E se a percepção não é bem vinda?

Sempre escolhemos e nunca aceitamos administrar as consequências. É o tal de sempre pedir e sempre obter e nunca aceitar. Ser humana as vezes é tão desumano...

Só algo que nem pisco é na decisão de que devo construir algo bom, mesmo que nem perceba o ato. E aprender a questionar sem julgar.

Época de balanço

Há coisas que só compete a Deus saber e Ele sabe, conhece-me melhor e como pai atencioso espera que com as quedas eu aprenda a levantar. E não é que dá certo?

Há coisas que só compete a mim saber e eu estou tomando consciência do caminhar lento e progressivo nessa esfera, que gira sem que eu perceba.

Há coisas que só aos outros competem: acreditar que eu posso ser útil.

Há coisas que só as paredes importam: os quadros da vida que cristalizei.

Há coisas que só ao tempo compete: a valorização da história minha por aqui, mais uma vez, não sei quantas.

E não há qualquer coisa que não me diga respeito quando se trata do ser.

O balanço das ações não são coisas para estarem aqui.

2011 não é mais um tempo de envelhecer e saltar para 56 anos. É mais uma oportunidade. Que Deus permita-me ser dócil.

Luz

A luz vence o cansaço. Dentro do carro, pernas encolhidas, louca por um espreguiçar, alegro a vista com as micro lâmpadas piscando, desenhando, enroscadas em galhos verdes.

Amo esse periodo em que a cidade se veste dizendo aqui tem Natal. Fujo das lojas tumultuadas, promoções tentadoras, a máquina do cartão insultando-me, mas ter crédito não significa dinheiro. No aeroporto, o susto do voo cancelado, um desânimo estampado em muitas faces. Planos ao chão.

O mês de dezembro promete sobrecarga emocional. Todos saem de casa e lotam restaurantes, bares, são as confraternizações sem fim. Vista de cima, se pudesse, a multidão diverge em opiniões, mas converge com o mesmo sentimento: estar perto de alguém.

Sinal aberto, os pisca-piscas ficam atrás,  insistindo por um olhar para iluminar.

Liberdade

Sempre se encontra num texto um recado entre as linhas. Há sempre um chamado para fechar os olhos e sorver com prazer - como o primeiro gole do café da manhã - aquele sentido que só quem lê  percebe. Nem sempre o autor consegue alcançar o efeito da letra.

Nem sempre escrevemos o que lemos e nem sempre lemos o que traduz a palavra. É uma interpretação íntima, individual. Nesse caso, o leitor passa a ser o autor da frase. O texto se completa com a definição que se alonga ou é abortada.

O que importa é continuar expressando o pensar, porque não se prende a espaços, por maiores que sejam.

Pro sol

O mês de dezembro sempre vem com luzes. Gosto de deitar o olhar nas vias, querendo acender o coração com a força luminosa que nos impele a data. Na sua maior tradução, tento ser cristã, amar as pessoas e percebo que nem sempre consigo estender o olhar fraterno.

Temo a coisificação que contamina e me enche o peito de dor. É como estar em chamas e sentir a ardência fatal, sem que o menor gesto  possa extinguir a vontade de tudo largar. Daqui a pouco vamos cantar o ano que passa e os novos tempos, que darão continuidade ao pensar infindo.

Cada dia que passa é uma oportunidade que devo me agarrar, crendo na infinita compreensão do Alto. Aqui faço coro a música tão bem interpretada por Milton Nascimento ... dor não te escuto mais, você não me leva nada. Ei medo, não te escuto mais, você não me leva nada. E se quiser saber pra onde eu vou, aonde tenha sol é pra lá que eu vou...

A poesia, sem dúvida, é o maior alento do terreno homem.

Chama(ndo)

Ainda não havia postado letras do pensar nesta semana. Não foi por falta do assunto, o tempo se esvai entre as ocupações diárias e a mente acumula ventos, que se transformam em tempestade de ideias. Tenho percebido o recurso de leitores anônimos nos recados em outros blogs e questiono, sobretudo, essa participação evasiva.

Quando emito opinião, quero ser identificada, porque se assim procedo quero respostas. O anonimato, antes de ser um "esconderijo" é uma bala perdida, que não isenta o autor do disparo. Pode não ser reconhecido, mas existe.

Onde há fumaça, há fogo diz o jargão preventivo. A fumaça, em muitos casos, é a impertinente forma de avisar que a lealdade continuará acesa, enquanto a cumplicidade tende a se tornar cinza.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...