Chuva

Gostaria que os estragos que atribuimos a chuva fossem  de ordem gramatical. Eu poria um X na questão e poderia cantar Xove Xuva... sem parar....

Ficar por aqui

Fui constrangida a dizer adeus a uma amiga de muitas vivências. Nem conto o tempo que a gente se afastou. Ela no outro plano, num retorno que espero tranquilo, e eu por aqui acordando cedo, ainda de madrugada com resquícios da viagem noturna. A frase lateja na mente: Eu não quero morrer. Não aceito isso. Num apelo consolador fujo da fatalidade terceirizando a ideia fixa.

Que fique em algum lugar na mente. Tenho mais o que fazer. O relógio não para e eu preciso preparar um café quente para sentir o gosto da Terra. Agora até lembro a letra apocaliptica de Eduardo Dusek. Pois sim, não vou ficar com a boca escancarada na janela, tal qual Raul...

Essa passagem pode até baixar de preço, socializar o retorno, mas poeta canta dor dos mortais por aqui mesmo. Depois de pronto o café, hora de ir para janela e com olhos fitos no ceu, agradecer por mais um dia na escola, na condição de repetente, e pedir para ser mais dócil.

Amar, se aprende

Sei não... já tive fortíssima impressão de que os homens só sabem amar quando estão distantes. Homem não ama no sentido mulher (aconchego), gosta mesmo é de sentir saudades e contar "vantagens" da dor da ausência.

Hoje, com hormônios a menos e passada na "casca do alho" dai o grande sabor das inúmeras vivências, acredito em Mário Quintana, quando afirma que devemos amar de graça. Amo sem aluguel, sem pagar impostos, sem cobranças exorbitantes, apenas querendo mudar a cor da nota no boletim cotidiano.

Nessa escola, já fui caloura querendo tudo experimentar, com uma fileira de voluntários. Fiz segunda chamada, escalei horas a fio textos longos que nada diziam para mim. O mal de quem escreve é buscar o ponto final numa frase sem sentido. 

Renovo a matrícula do aprendizado todos os dias e na tarefa de casa distribuo sorrisos até para as plantinhas do meu quintal. Saudo a flor que se abre e não lamento a que murcha, posto que vira semente.

Este post foi roubado de uma resposta ao amigo Raymundo Neto depois de ler suas belas crônicas.

Pensando, pensando ...

Um novo tempo! Estava cismando o pensar a respeito da novidade temporal. O que é ser novo, estar mudando, se somos sempre agarrados a tantas cismas?

Eu sempre fui questionadora porque as respostas sempre estiveram em falta. Ou será que não as percebo? E se a percepção não é bem vinda?

Sempre escolhemos e nunca aceitamos administrar as consequências. É o tal de sempre pedir e sempre obter e nunca aceitar. Ser humana as vezes é tão desumano...

Só algo que nem pisco é na decisão de que devo construir algo bom, mesmo que nem perceba o ato. E aprender a questionar sem julgar.

Época de balanço

Há coisas que só compete a Deus saber e Ele sabe, conhece-me melhor e como pai atencioso espera que com as quedas eu aprenda a levantar. E não é que dá certo?

Há coisas que só compete a mim saber e eu estou tomando consciência do caminhar lento e progressivo nessa esfera, que gira sem que eu perceba.

Há coisas que só aos outros competem: acreditar que eu posso ser útil.

Há coisas que só as paredes importam: os quadros da vida que cristalizei.

Há coisas que só ao tempo compete: a valorização da história minha por aqui, mais uma vez, não sei quantas.

E não há qualquer coisa que não me diga respeito quando se trata do ser.

O balanço das ações não são coisas para estarem aqui.

2011 não é mais um tempo de envelhecer e saltar para 56 anos. É mais uma oportunidade. Que Deus permita-me ser dócil.

Luz

A luz vence o cansaço. Dentro do carro, pernas encolhidas, louca por um espreguiçar, alegro a vista com as micro lâmpadas piscando, desenhando, enroscadas em galhos verdes.

Amo esse periodo em que a cidade se veste dizendo aqui tem Natal. Fujo das lojas tumultuadas, promoções tentadoras, a máquina do cartão insultando-me, mas ter crédito não significa dinheiro. No aeroporto, o susto do voo cancelado, um desânimo estampado em muitas faces. Planos ao chão.

O mês de dezembro promete sobrecarga emocional. Todos saem de casa e lotam restaurantes, bares, são as confraternizações sem fim. Vista de cima, se pudesse, a multidão diverge em opiniões, mas converge com o mesmo sentimento: estar perto de alguém.

Sinal aberto, os pisca-piscas ficam atrás,  insistindo por um olhar para iluminar.

Liberdade

Sempre se encontra num texto um recado entre as linhas. Há sempre um chamado para fechar os olhos e sorver com prazer - como o primeiro gole do café da manhã - aquele sentido que só quem lê  percebe. Nem sempre o autor consegue alcançar o efeito da letra.

Nem sempre escrevemos o que lemos e nem sempre lemos o que traduz a palavra. É uma interpretação íntima, individual. Nesse caso, o leitor passa a ser o autor da frase. O texto se completa com a definição que se alonga ou é abortada.

O que importa é continuar expressando o pensar, porque não se prende a espaços, por maiores que sejam.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...