Águas de março

As nem sempre comedidas águas de março lavem e levem sem retorno dias de angústia.

Estava cismando o pensar a respeito da violência, a tecla mais digitada da mídia, por ser fonte inesgotável. O discurso cai na mesmice de que as autoridades policiais são responsáveis. Ok, e se todos fossem afastados, a violência cairia por terra?

Se for assim, como é simples acabar com a violência.

Conciliar

Só quero lembrar que desses 100 anos, participei com pelo menos, quatro décadas. Foi a partir da adolescência que passei a ter ciência de que a badalada questão de gênero incluia se apaixonar por um cara, que me fazia bater o coração mais forte. Aquilo me intrigava demais. Imagine, perder o controle por conta de um sorriso de não sei lá quantas intenções.

O aviso estava sempre escrito em letras amarelas: cuidado, muito cuidado. A questão só aguçava mais ainda a vontade. E eu lá sabia que o baticum era provocado pela tal adrenalina?

Outros baticuns marcaram-me: a primeira carinha da série de três que trouxe para viver comigo. Andréa ao invés de chorar, espirra. Talvez para mostrar a sua força de vontade, uma das marcas do caráter da minha filha. Quando Érica chegou estava apagada por uma anestesia geral, mas o coração tava lá aos pulos ao despertar para encontrar saude naquele corpinho. Outra anestesia e o André veio bem maior do que as irmãs, bem grande como a promessa de ser a conquista das nossas vidas.

Interessante essa questão feminina. O pensar nem sempre flui como ensaiei porque a princípio, eu só queria dizer (nem sei se por rebeldia) que não quero - hoje não - ser chamada de guerreira. A minha maior vontade é ser conciliadora.

cinco ponto cinco

Pronto! Cheguei aos 5.5. Adeus 5.4, dígitos tão simpáticos. Mas, pensando bem, 5.5 soam tão bem. E por falar em eco, agradeço a todos iluminados amigos que me desejam luz.Amo o dia do aniversário. São tantos abraços, desejos de dias felizes.

Amo até os parabéns de empresas com as quais já me endividei e que, por cordial marketing lembram do meu aniversário.

Pois é, no dia quatro de março de 1955, por volta das sete horas da manhã, gritei por socorro para sair de um lugar tão apertado... Mamãe insiste em lembrar que "minha Fátima nasceu com seis quilos e 100 gramas e dois dentinhos". Papai, apesar de muito mais moderado, lembra que fui capa do Jornal O Povo, que 30 anos depois, foi a empresa que me recebeu.

Não é o máximo?

Quase sex

Na próxima quinta-feira, estarei completando 55 anos de vivência na Terra. Não faço ideia de quantas vezes já estive por aqui. Só sinto de vez em quando algumas reminiscências ou seriam sequelas(?) dos bolsões de memória.

Não lembro de um único momento de liberdade. Esse desprendimento total ou quase de pensamentos-prisões. Estou sempre me flagrando presa, detida em situações que muitas vezes aposto não me pertencerem.

Fazer 55 anos não é sentido só no corpo. Ah, quem dera! Para o diabo a flacidez da pele. O que eu mais quero é a flacidez da congestionada mente.

Não sinto saudades da infância, mas gostaria de experimentar a ilusão de que ao crescer, seria livre para tomar decisões, longe do jugo materno. No entanto, resta o consolo de que 55 anos é apenas um breve momento de mais uma tentativa.

Então, nesta casa, não sairei por ai gritando ser dona do meu nariz. O nariz é muito pouco para quem tem um universo inteiro, infindo.

Tecnologia

A tecnologia interfere diretamente na forma de pensar. Percebo que a intolerância também é atingida em cheio. Exemplo: não ligue para o fixo quando estiver deitada. Isso porque hoje eu me prosto diante da TV ou do livro e nada mais me interessa.

Lembro quando o telefone fixo era caro, produto de gente rica, que quando tocava todos na casa saltavam e iam a sua procura. Era uma disputa pelo aparelho que a gente usava o dedo para discar.

Fique atento para o aviso: a tecnologia dá neura. Já me peguei algumas vezes reclamando e querendo saber por que as pessoas não ligam para o meu celular. Está ali tão perto.

E quando o mouse sem mais nem menos desaparece. Aí desço dos saltos, vou pra baixo da mesa, ligo e religo e nada. Quando saio da sala ele retorna calmamente, como só calmas podem ser as máquinas. E há pessoas que deixam de pensar porque consideram que a máquina já faz isso por elas.

Sem imagens

Construí este blog para expressar o pensamento. Dar voz ao pensar. E muitas vezes - confesso - que tomo susto quando libero as comportas do aglutinado que tenho no cérebro. A facilidade com a qual escrevo, flui certas opiniões(ou seriam conhecimentos) sobre mim, que nem sempre percebo.

Estava agora cismando o flagrante de ser extremamente intolerante. Como isso doi! A cabeça ferve diante do que penso ser injustiça. Mas, é o meu sentir, todo meu, que mesmo que alguém da convivência queira experimentar, jamais saberá o gosto real alimentado pela minha bagagem de experiências.

O que mais me deixa incrivelmente intolerante é o desrespeito à condição humana. Por que será que tantos me subestimam e por que outros tantos me superestimam?

Tudo para não ser visto

De vez em quando passo algumas horas diante da TV não paga(quase nenhuma diferença) para acompanhar algumas novelas. E vou sempre atrás do que a Globo oferece. Tirando as caras fenomenalmente trabalhadas do elenco global, as situações apresentadas frustam com relação à expectativa do imaginário.

Traição é sempre o mesma tema. E a iniciativa envolve todos os membros das famílias criadas. Pai que trai a mãe, mãe que esconde do filho a paternidade, amigas nem tanto disputando maridos... Até aqui, qual a riqueza de Viver a vida?

Excluindo a realidade mostrada a cada fim de capítulo apresentado, os resumos reais são bem mais ricos, mais humanos do que a raiva que me provoca aquele personagem infantil. Não sei qual o propósito do autor, mas criança mau caráter não cai bem num país que soma milhares delas nas ruas, nos becos e no lugar mais frequente do esquecimento.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...