Mudança

Vou mudar de endereço. Essa decisão foi tomada na adolescência quando tudo era proibido e eu, sisuda, brigava com todos porque não era doida o bastante para dizer tudo o que pensava e desejava.

Até parece hoje, com o bom senso (graças a Deus)ancorando a língua da jornalista, da mãe, da colega e também da amiga -quem penso ser para dizer o que o outro deve fazer? No entanto, digo para mim mesma, que nem sempre dou ouvidos aos apelos íntimos.

A mudança já começou, acredita? Aos 55 anos a mala estava quase fechada quando surgiu, só que não de repente, uma peça que nem o desapego trabalhado há quase cinco décadas, me permite largar. Não arredo pé de ter otimismo baseado em muita fé. Pois não é que de vez em quando o relógio transporta-o em fuga?

Fortaleza bem mais velha do que eu

A alvorada de hoje foi o barulho da chuva no telhado transparente, lembrando que molharia os pés ao sair de casa. Enquanto o cheiro do café invade as minhas narinas, nem pensei na aniversariante. Estou assim agora: quando acordo permaneço com a boca fechada, mas o pensamento busca alçar voos em agradecimento a Deus.

Quando menina achava que toda pessoa madura gostava de dedilhar as continhas do rosário e ficava num mantra sem fim repetindo os apelos a Deus. Hoje, percebo que ser madura é, antes de olhar em volta, mirar o íntimo ser que habita.

Não sei bem o sentimento da maioria dos fortalezenses, mas esta é a Cidade que nasci, cresci e hoje, às vezes em sobressalto, aprecio muito caminhar nas suas vias, disputando com cadeiras, mesas e lixo, um espaço nas calçadas.

Lembro das caminhadas até a escola na adolescência sem muita preocupação com o número de veiculos e, parece-me com menos buracos por conta disso(?) Naquele tempo a gente passeava.

Nós cearenses estamos sempre de braços abertos para receber e acolher os que vêm de fora. É o entusiasmo da visita, do novo, aquele sentimento fortalecido das boas coisas que nos pareciam ser de uma cidade provinciana.


Do tamanho que está não repito o slogan "Bela", porque a beleza está nos olhos de quem vê.

Especiais

A rádio FM Assembleia também apresenta um especial sobre Chico Xavier. Vale a pena ouvir. Agora está disponibilizado no site oficial da Assembleia Legislativa do Ceará. O programa apresenta um pouco sobre a vida do médium mais famoso do país, numa tentativa de divulgar o trabalho de caridade que pontuou toda a vida de uma das pessoas mais humildes que viveu neste país.

É o segundo especial apresentado neste ano pela emissora. O primeiro apresentado em março passado, contou as conquistas da mulher no centenário do Dia Internacional dos Direitos da Mulher.

FM Assembleia

A rádio FM Assembleia antes de ser a mídia do Legislativo Estadual é, notadamente, uma emissora educativa. Ouvindo a programação da rádio - a primeira de uma Assembleia Legislativa Estadual a operar em frequencia modulada - o ouvinte aprende sobre política, sobre a nossa música, literatura, com destaque para a cultura cearense e sobre o rádio, apresentando a história dos que fazem e fizeram o rádio no País.

Em dois anos de atividades, a FM Assembleia que tem como lema trazer a ouvinte para o centro das discussões, cresceu em espaço físico e em programação. Desde o início de março, tiveram início os especiais. Neste ano, o foco são os centenários de personalidades e de datas como os 100 anos do Dia Internacional dos Direitos da Mulher.

A rádio também se propõe a ser uma escola para os novatos na mídia. Aqui, se aprende uma linguagem simples, mas objetiva como requer os noticiosos radiofônicos. Informar para esclarecer, para ensinar e, sobretudo, compartilhar iniciativas isto porque o Legislativo Estadual está bem maior. As discussões plenárias - antes o objetivo primordial junto à legislação, agora somam-se aos serviços oferecidos pela Casa: proteção aos direitos do consumidor, ajuda ao empreendedor, ensino superior, prestação de serviços aos estudantes e saude para o público do legislativo e comunidades.

Violência

Confesso que resisti para evitar o assunto porque é doloroso. Contudo, depois de um dia e meio de molho na cama acometida por uma sinusite e com o controle da TV na mão, como não ver as matérias sobre o caso Nardoni?

Assisti sentindo dores - eram físicas e morais - o choro da mãe da garotinha, dos pais dela, os avos maternos e também a dor dos avos paternos. Encolhida no quarto e engolindo os sustos da tragédia, percebi que a TV não só nos aproxima dos fatos, joga na nossa cara os respingos da violência.

A reportagem cobriu tudo, irrestritamente até o que não tinha permissão, mas ninguem até agora disse exatamente o por quê. Essa pergunta angustiante nos persegue desde a mordida da maçã.

A violência nos assombra em todos os pontos do Planeta, ecoa porque está em nós. Em alguns, domada pela educação, noutros, solta, sem freios.

Hora de respirar fundo, porque sobrevivemos.

Crucis

Apesar de ser espírita desde a década de 90, não estou indiferente aos feriados religiosos, principalmente quando a figura central é o Mestre Jesus. Modelo para a humanidade, irradia a energia pura, que a densa camada que nos envolve não permite penetrar-nos plenamente.

A Semana Santa me faz lembrar o muito dos equívocos nossos, as promessas de redenção, as quais deletamos da mente turva. O meu jugo é leve - promete - mas aqui na Terra, nós optamos diariamente pelo serviço árduo, pelas angústias, pela morte do corpo físico.

Nada me comove mais do que a Via Crucis de inúmeras crianças e adolescentes que optaram - sem saber o porquê - pela pedra que mata. E nada mais me assustam do que as declarações de muitos deles com relação à vida. Esquecem que somos o conjunto de energia conduzida por uma energia bem maior.

Nós terrenos, estamos cada dia mais doentes, lançando rejeição aos dependentes. Mais um equívoco. O uso de drogas é público, assim como é pública a saude, mas nem por isso é comum a todos.

Em busca de um título

Quem quiser liberte o pensar para considerar que estou com papo de velha. Mas, os 55 anos de existência terrena permitem-me alongar o olhar para espaços que antes considerava vazios.

Sentada com a cabeça no ombro - de fato - recordo frases soltas e risos entrecortados de saudade de minha amiga Brioso. Pelo menos duas vezes ao ano (Natal e Ano Novo) teciamos conversas agradáveis horas a fio.

Interessante o efeito da dor. Sempre bate uma saudade do reconhecimento das alternativas. Só passei a sentir alívio depois de profundas investidas da vida.

Amigos outros estão retornando à pátria verdadeira: o universo infindo. E eu aqui, que cismo de não viver de recordações, visto-me de verde, lanço ideias no azul e piso na indefinida cor do presente.

A saudade não entristece, apenas lembra-me de quão felizes podemos ser.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...