Eu já...

Eu já jurei amor eterno quando não ouvi um apelo semelhante.

Já larguei quando o domínio cavalgava num corpo e atitude masculinos.

Já fiquei quando não me pediram para continuar e falei quando o meu silêncio seria um convite a reflexão.

Convivência

Eu não sei andar de bicicleta.

Não dirijo carros e não sei nadar.

Também não piloto avião e não conduzo barcos.

Não falo língua estrangeira.

Não canto. Não faço teatro.

Eu caminho.

Me banho em águas frescas.

Converso com quem me entende. Dou vastas gargalhadas.

Ouço músicas. Amo a arte do disfarce.

Dizeres

Estou despeitada com a letra D por conta do descaso, dos desafetos e das diferenças, determinando dias de desmandos doloridos. Do descompasso das músicas despoetizadas, num desdém decisivo demonstrando o quanto é difícil conviver com a desarmonia.


Desejo políticas públicas que não se defere, num demonstrativo propósito de decisões desencontradas. O domínio das ideias nem sempre dispensa sentidos dúbios. A descrença fortalece o disfarce da divindade que se descerra.

Dedilho diariamente dados, desponto dotes, delineando doces devaneios. De repente detenho - me débil nas decisões. Descubro dias desfavoráveis, desenhos diluidos, desbotados...

Dona do despreparo, detenho a destra na direção de Deus e a doçura delineia desmedidamente, dominante destino determinado. Divino desvelo.

No que me tange

No que me tange observar o mundo estou perdida tal qual estrela sem luz própria num firmamento, que ainda não compreendi como me comporta.

No que tange à lógica minha (nem sei se sou lógica o tanto quanto baste aos demais) sou livre num imenso mundo, que me emudece diante de uma nobreza infinda.

No mais, o melhor é conter os questionamentos - de onde vim para onde vou? - e comportar-me tal qual criança, que com olhos acesos, coração aos pulos, apenas estendo os braços para a graça maior.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...