O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir?
Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias. E cada uma apresenta uma forma, uma opinião de quem edita. Como saber o que é verdade? O que foi criado livre e expontâneamente por um artista ou o que foi apenas inventado com recursos múltiplos?
Onde estou é a pergunta mais viável que me vem agora.
Sábado passado fiz um programa cultural com a minha filha, depois de perceber que ela iria para o teatro assistir à ópera Carmem com a companhia de cantores líricos de Brasília. Gente, a arte resiste, assim como resistem as incertezas, as realidades cruéis.
Bem antes de alcançar o nosso destino, o mapa digital nos levou para um outro ambiente de arte, povoado de atrações que não me atraem. E agora, onde estacionar? É seguro? Podemos deixar o carro? E na volta, quem garante o nosso retorno?
Antes de responder a mim mesma, eis que surge um personagem nos cobrando dez reais, que poderiam ser pagos por Pix, para deixarmos o carro numa via pública. Diante da indecisão - não seria estupefação? -, a minha filha abriu o aplicativo e pagou.
Nos perdemos em meio ao caminho incerto - quem diria que o Centro de Fortaleza me tornaria uma visitante estranhando tudo...
Finalmente alcançamos o destino e, lá muita luz brigando com uma calçada suja, com cheiro de xixi, povoada por pessoas que não têm abrigo - que eu tenho - e que, ao invés de engatilharem a minha empatia me aterrorizavam, de certa forma.
Então, enquanto se debate quem vai ganhar a próxima eleição, me pergunto: quem será o próximo que verdadeiramente vai querer cuidar do próximo?
