Lembrar os gols


O atleta é atraente porque atende aos apelos dos torcedores, da mídia que ganha com ele, e o país, numa lembrança verde viva. Mas, quando se afasta dos campos e faz travessuras noutras praças, sai da página de esporte e vai para as "sociais", prato cheio para fofoca.


Acontece com quase todos os astros e a mídia inclemente deita e rola em cima. Esquece os famosos goools, a alegria de ser torcedor, feliz com a vitória do time, que dependeu do desportista.


Ronaldo não será o único a se envolver em escândalos. Na falta de gols, a avidez agora é auscultar os mistérios do comportamento que se revelam. O fenômeno agora é o cara que se envolve com personagens, que a sociedade passa a maior parte do tempo fingindo que não existe.


A tecnologia, que antes conferia a destreza das pernas saudáveis de Ronaldo, agora escancara sem pudor o que faz fora do campo. Quando o caso ficar morno, alguém sempre dará um jeito de requentá-lo.


É pra você


A Justiça está averiguando denúncias dando conta de que o uso contínuo do celular causa danos à saúde. Enquanto não se chega a um resultado científico, já percebi que o celular faz mal.
Nada mais desagradável do que interromper um bom papo porque a pessoa que antes lhe dava ouvidos fica presa ao aparelho, num indicativo de que o papo do outro lado, é bem melhor do que o seu.

O toque insistente do celular durante uma palestra também é insuportável. Principalmente na bolsa de mulheres - no modelo de hoje, enorme - o toque insiste enquanto mãos aflitas buscam o barulhento. E a culpa não é da tecnologia, considerando que o aparelho pode ficar mudo ou vibrar. Não sei o que ocorre com os portadores dos celulares.


Por força do trabalho uso dois. Contudo, quase sempre estão em silêncio porque o de uso particular só as pessoas mais próximas e membros da família têm o número. O do trabalho é mais usado para chamar os colaboradores.


O aparelho, o qual ninguém consegue mais viver sem, foram treinados para tudo. Tornou-se um escritório, considerando que podemos atualizar até blog, caso queiramos. Já assisti a alguns casos interessantes com o celular sendo o protagonista.


Numa tarde em que assistia a um congresso, o palestrante conseguia nos fazer calar com o seu discurso envolvente. No meio da platéia, o toque irritante. A pessoa portadora não conseguia fazê-lo calar. Nesse ínterim o palestrante foi enfático : Se for para mim, estou ocupado. Sensacional, pensei.


Num outro congresso, o palestrante que nos enriquecia com seus conhecimentos declarou confiante: O celular é uma invenção de Deus a serviço do diabo. Nada mais providencial, concordei.


Conheço pessoas que são tão dependentes da criação, que numa conversa que deveria durar pelo menos 30 minutos, 15 foram gastos no celular. E eu, ali com cara de tacho, lembrando com saudade do telefone da vizinha bondosa que gritava para os mais próximos de sua casa: Fulano, telefone pra você.

Na pauta


Estamos ainda em campanha pelo dia do jornalista. Muitos depoimentos, declarações e exaltações. Mas, nenhuma palavra consegue exprimir, no fundo, o que mais nos emociona.


A dor nos acompanha diariamente. Não há choro, não está na pauta, não temos tempo. Não se consegue escrever com as lágrimas regando o olho que deve ser rápido, adestrado para acompanhar as letras, evitando os erros.

É por isso, que só dá para chorar quando o jornalista se despe, volta a ser pessoa. Somos personas, acompanhantes da vida, atores de peças dramáticas, horrendas, dramalhões e alegrias. Mas, isso, a maioria das mídias está esquecendo:o colorido da vida.

A vida não se perde quando é empenhada no bem comum.


É como a boa idéia e seus autores. Demócrito Dummar é o que melhor representa esse estágio da humanidade.

Na dúvida...



Em alguns momentos, tropecei na indecisão de continuar escrevendo neste espaço. Já havia lido sobre sentimentos semelhantes de outros blogueiros. Um deles, dizia que escrevia para não perder o hábito e a intimidade com as letras, mas que no fundo, esperava que alguém se identificasse.


Não sei exatamente agora, se quero tanto ser autora de um blog mais lido, mas como eu, que outros olhos, ignorantes do meu sentir, sinta-se melhor pelo menos, por um momento e queira retornar. Na falta disso, que tenha sido de bom grado.


É por esta razão, que evito escurecer as idéias dos amigos virtuais com letras amorfas acompanhantes noturnas de fatos doloridos. Mas, como? uma jornalista agindo assim? E por que não? Neste espaço, deito e rolo o pensar em busca do que temos de melhor.

Dormir para acordar

Dormir e depois acordar. Um ato simples para os encarnados, mas para quem sai do corpo, como seria?

O pensar palpita ansioso sempre que alguém próximo tem problemas coronários. A gente sempre acha que tudo vai continuar funcionando normal, até que um dia...

Penso que a dor física seria fácil de esquecer. E se não for?

Para quem dói mais? Para quem parte ou para quem fica?

Mirando os trilhos dos caminhos, perco - me na paisagem de tantas idas e vindas que pratiquei.

Parece que a ausência física facilita. Seria?



Assim na Terra...




Hoje, dia da Terra, mantenho os olhos no chão. Com os pés presos, sem me perder no espaço, graças à lei da gravidade.

Tento escapar da pretensão de saber mais do que a minha compreensão permite e olho na superfície nós terráqueos inquietos, vivendo no assombro do anúncio de juizo final.

Uma casa tão bela, mas não um verdadeiro lar, por responsabilidade única dos seus moradores.

Somos provocadores do equívoco: quando amamos o mar, poluímos suas águas com majestosas residências com esgotos abundantes; quando primamos pelo verde, queimamos árvores e construímos ninhos para abrigar a nossa vaidade; quando amamos o azul do céu, amontoamos lixo metálico em nome de um progresso da civilização. E quando queremos respeitar o espaço do próximo, instalamos limites nas fronteiras.

A Arte ilimitada

O que seria de nós sem a arte? Onde mais eu veria a criatura criando, ao invés de destruir? Somos bombardeados(!) o tempo todo pelas mídias....