Confraternização
Amizade é um direito humano

O primeiro mouse faz 40 anos

A tecnologia é fantástica. Um dia desses, como diz o meu pai, estava teclando com força no mindinho a letra A da máquina Olivetti, companheira de todas as horas, parceira de muitos textos que me renderam salários mensais. Quando o computador apareceu na minha vida, não tinha mouse. Depois de levar uma pequena surra do insert - fiquei louca vendo as letras num processo de autofagia sem fim - até descobrir que bastava teclar a danada e resolver a questão.
Fiquei craque no Ctrl B para salvar tudo. Até hoje faço assim. Respiro o final da frase e já vou salvando que não confio nesse bixim. Mas, como dizia, a tecnologia é fantástica, o papel carbono me dava cópias que não achava borrada e nem ficaria com inveja da impressora laser de hoje. A gente precisa aprender amar as coisas que nos dão vida.
Acabo de ver o primeiro mouse e informações dando conta de que o nosso ratinho vai nos deixar em breve! Seria um adeus à LER? Iremos nos adaptar com certeza, considerando que somos seres miméticos. Num passado de iluminismo os grandes filosofos escreveram com pena sobre os pensares que nos auxiliam até hoje. Da pena ao mouse, o homem pega emprestado os animais para dar nome à tecnologia de ponta.
Seria um indicativo no futuro de coisificação generalizada?
Pichando a arte da vida
Modelos e modas
Ingenuidade?
Estava conversando com o meu self a respeito da ingenuidade. Aquele tempo em que você acredita que bico de cegonha é para carregar pano branco com um bebê a bordo. Ou que papai Noel é um santo alegre e bonachão que entra no seu quarto deixa presentes, mas só se os lençóis não estiverem molhados.
Pensando o quanto se engana criança, o quanto se mente, é para ficar de orelha em pé com uma vontade danada de dizer que danação de criança é apenas uma resposta ao medo que se faz. Fui uma menina extremamente medrosa. O escuro, as folhas das árvores balançando ao vento, uma batida não identificada faziam o meu sangue pulsar com mais rapidez e os nervos tensos não me permitiam dormir.
Ser ingênuo, portanto, seria o trouxa? Não me aceito assim. Fui criança censurada, num tempo em que menino não ficava na sala para ouvir conversa de adultos; que não podia pedir mais um pedaço de bolo por ser falta de educação; e, muito menos, responder aos pais. Tinha que engolir até o choro. Que tipo de adulto é o resultado dessa pressão?
Pelo verde
IA conversa comigo
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